30/04/2022

A ponte e a guerra

Foi ontem que abriu ao público, no Vietname, uma ponte.

Mas não é uma ponte qualquer: é, 'simplesmente', a mais extensa ponte de vidro em todo o mundo. 

Suspensa entre duas montanhas, esta ponte envidraçada pretende assinalar os quarenta e sete anos do fim da guerra - a "Guerra do Vietname".

29/04/2022

A sicofanta e o oxímoro

Li, há dias, um texto de opinião no qual o seu autor referia ser uma recente candidata nas eleições presidenciais francesas (que até disputaria a "segunda volta" destas mesmas eleições) uma "sicofanta" do actual presidente da Rússia. 

Aproveitando para recordar, pois, que "sicofanta" significa "pessoa que acusa ou denuncia" e "pessoa que dá ou inventa informações falsas", creio que esse autor pretenderia veicular a ideia de que a referida "Madame" nada mais seria do que uma espécie de porta-voz desse presidente. 



"Post scriptum": a expressão que atrás citei "inventa informações falsas" carece, quanto a mim, de coerência já que o facto de se inventar informações significa que elas são, desde logo, falsas. Ora, "inventar informações falsas" é um oxímoro e, portanto, um desperdício...

28/04/2022

A memória de um livro

Assinalou-se no passado dia 23 de Abril o "Dia Mundial do Livro".

Parece-me, pois, o momento apropriado para voltar a citar a escritora francesa Marguerite Duras (1914-1996) - ainda que com atraso...: "Creio que nada substitui a leitura de um texto, nada substitui a memória de um texto, nada, nenhum jogo".

27/04/2022

Emídio Navarro

Quando, enquanto aluno, frequentei a "Escola Técnica de Emídio Navarro", em Almada, já há muito que o seu 'patrono' havia falecido. 

Com efeito, Emídio Navarro viveu sessenta e um anos e faleceu em 1905. 

Nascido em Viseu, foi ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria (através do "Partido Progressista").

26/04/2022

Trezentos parabéns reais

Estou certo de que a última vez que aqui escrevi um texto sobre a rainha Isabel II foi para abordar a celebração dos setenta anos do seu reinado, em 6 de Fevereiro de 2022.

Quero agora, no entanto, referir-me a uma outra dimensão da história britânica (e, enfim, do mundo).

À demográfica. 

Efectivamente, quando Isabel II iniciou o seu reinado - em 6 de Fevereiro de 1952 - comprometeu-se a enviar cartas de felicitações a todos os súbditos que completassem cem anos de idade. 

Tal promessa consumia, então, pouco esforço físico (e administrativo).

Ora, volvidas sete décadas, esse 'cenário' alterou-se dramaticamente: a rainha envia (por assim dizer) cerca de trezentas missivas desse tipo todos os dias...

25/04/2022

Antes e depois de Abril

Porque passam hoje 48 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi há quatro anos por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974. Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’. Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"… Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha. "O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje". "Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril" "Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]". João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018 Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".

23/04/2022

Saramago e o ser humano

"O ser humano não deve contentar-se com o papel de observador. Tem responsabilidade perante o mundo, tem de actuar, intervir".


José Saramago (1922-2010), escritor português

22/04/2022

As palavras, as roupas e os pensamentos

"As palavras são as roupas dos pensamentos".


Samuel Beckett (1906-1989), escritor e dramaturgo irlandês


21/04/2022

'Cognomes' norte-americanos

Não são apenas as operações policiais que têm designações codificadas.

Ou seja, "nomes de código".

Por exemplo, os presidentes norte-americanos Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama e Donald Trump eram identificados pelos "Serviços Secretos" do país através dos respectivos "nomes de código": "Eagle" (ou "Águia"), "Trailblazer" (ou "O que arrisca"), "Renegade" (ou "O traidor" e "Mogul" (ou "O poderoso").

Já agora: o actual presidente norte-americano - Joe Biden - é identificado pela palavra "Celtic" (ou "Celta").

20/04/2022

Os "cisnes negros" e o impossível

Durante séculos, a expressão "cisne negro" foi utilizada, na Europa, como metáfora para descrever uma 'situação' julgada impossível - um "advogado honesto", por exemplo, dir-se-ia actualmente. 

Pela simples razão de que então se pensava que o "cisne negro" não existia. 

No entanto, um navegador oriundo dos Países Baixos descobriu, na Austrália, no 'fim' do século XVII (em 1697, creio), "cisnes negros".

Assim, associar animais desta espécie a situações impossíveis passou a ser, ela própria, impossível...

19/04/2022

Morfeu e a Morfina

"Morfina" foi a designação atribuída a um fármaco com características analgésicas e psicotrópicas por homenagem ao deus do sonho na mitologia grega - "Morfeu".

18/04/2022

Twain e o cometa "Halley"

Lembro-me de, há muitos anos, ter visto e ouvido um filme de animação sobre a vida de "Mark Twain".

Ora, não sei se a história era puramente ficcional ou não mas o boneco que representava Twain afirmava que, então, tinha apenas um objectivo na sua vida: conseguir, através da nave espacial que pilotava (e que comandava), uma espécie de união cósmica com uma "entidade" que, segundo afirmava, havia 'visitado' a Terra no exacto ano em que nascera - em 1835: o cometa "Halley".

E conseguiu-o efectivamente pois Twain faleceria em 1910, precisamente algumas semanas antes de o referido cometa ter 'passado' na Terra.

De resto, prevê-se que o "Halley" volte a cruzar a órbita solar em 2061.

16/04/2022

As tatuagens

Malgrado uma espécie de banalização da "tatuagem" nos últimos anos - atente-se, por exemplo, nas tatuagens existentes nos corpos de jogadores de futebol (pelo menos, os intervenientes em jogos 'alvos' de transmissão) já que difícil parece ser é descobrir-se um que as não possua -, admito que esta continue a 'carregar' uma também espécie de estigma.

Não muito positivo, diga-se.

Ora, "até que ponto" têm sido as tatuagens 'espelhos' de diversidade e de liberdade social (e pessoal)?

15/04/2022

O "tchrammmm" de Houdini

Talvez um dos mais fantásticos truques realizados no percurso de mágico pelo norte-americano Harry Houdini tenha sido, precisamente, um que 'envolveu' o seu nome: "Houdini" nascera "Erik Weiz"...

14/04/2022

Voltaire: dúvida e certeza

"A dúvida pode não ser agradável mas a certeza é absurda" Voltaire, filósofo francês, 1694-1778

13/04/2022

O património cultural subaquático

Li, há dias, sobre a recuperação e inventariação (elaboração de uma carta arqueológica) do património cultural subaquático existente no litoral alentejano. 

Sob a égide da "Direção Geral do Património Cultural", lembro. 

Ora, admito que talvez tal interesse se devesse ter revelado e manifestado há já vários (muitos) anos. 

Aproveito, por isso, para recordar que também no rio Arade (entre "Ferragudo" e "Portimão") - no "Algarve", portanto - decorreu, até, igualmente, há alguns dias, uma campanha de arqueologia subaquática com a presença de investigadores noruegueses (o "Arade 23").

12/04/2022

D. Francisco no Terreiro

No cenário que aqui referi há dias - "Terreiro do Paço no Século XVII" - é possível vislumbrar o multiculturalismo que aquele espaço de Lisboa congregava nesse exacto momento.

Se toda a cidade 'respirava', então, também aquela diversidade será, talvez, uma dúvida a que outros documentos e registos poderão ajudar a responder. 

Mas, voltando à pintura.

"Terreiro do Paço no Século XVII" revela, por exemplo, um coche que estava a ser utilizado por D. Francisco de Mello e Torres, o embaixador português em Londres e um dos principais negociadores do contrato nupcial que vincularia D. Catarina e o monarca de Inglaterra. 

11/04/2022

O "Funchal" e a trasladação

Já escrevi aqui no blogue sobre o navio/paquete "Funchal".

Há muitos "posts" atrás…

Mas eis que volto a escrever sobre ele para referir que foi em Abril de 1972 que esta embarcação transportou os restos mortais de D. Pedro I, imperador do Brasil (e "D. Pedro IV, rei de Portugal") para o Brasil em virtude das comemorações do 150.º aniversário da independência do país americano.

Que D. Pedro proclamou face a Portugal no ‘início’ de Setembro de 1822.

Aproveito, no entanto, para recordar o seguinte: nos restos mortais trasladados não se encontrava o coração de D. Pedro pois aquele permanece, desde 1837, na Igreja da Lapa, no Porto.

 


 


09/04/2022

Stoop, Lisboa e Londres

Talvez a pintura "Terreiro do Paço no Século XVII" seja a obra mais divulgada do artista neerlandês Dirk Stoop, pintor destacado na corte portuguesa de então (cerca de 1662).

Ora, foi precisamente nesse ano que o artista acompanhou D. Catarina que, na sequência de um acordo anteriormente celebrado, casou em Londres com o monarca inglês Carlos II (ou, em língua inglesa, "Charles II").

 

 


 

08/04/2022

"Cristiania" e "Oslo"

Foi o fogo o responsável pela destruição que Oslo (a cidade que é, actualmente, a capital da Noruega) sofreu em 1624.

"Destruição total", recordo.

Ora, o rei dinamarquês Cristiano IV - recordo também que era, então, a Dinamarca que tutelava a hoje designada "Noruega" - acabou por decretar que a cidade a reconstruir deveria localizar-se mais a Oeste do que a 'posição' ocupada por Oslo para poder beneficiar da protecção que poderia ser proporcionada por uma fortaleza aí existente. 

Tal como se deveriam construir arruamentos mais amplos ("largos").

A nova cidade foi, assim, baptizada de "Cristiania".

Até 1 de Janeiro de 1925...

07/04/2022

Soldados e polícias padeiros

Acredito que as autoridades de muitos países estejam, actualmente, (muito?) preocupadas com o facto de que uma percentagem importante dos cereais que importam provirem de dois países em guerra: a Ucrânia e a Rússia. 

Por exemplo, cerca de 80% do trigo que o Egipto importa tem como origem, precisamente, aqueles dois países europeus. 

Aproveito, por isso, para recordar que, em 2008, o presidente do país africano, Hosni Mubarak, deu ordem ao Exército e à Polícia para fabricarem um alimento com uma extraordinária relevância social (e económica) no sentido de, assim, se tentar evitar a 'escalada' do seu preço: o pão.

06/04/2022

Uma revolta no Tibete

Foi em 1959 que o Tibete - cujo território havia já sido anexado pela República Popular da China alguns anos antes - conheceu uma revolta que originou, por exemplo, o exílio do "Dalai Lama", o líder espiritual dos tibetanos.

05/04/2022

Eichmann: rapto, julgamento e execução

Volto, em palavras, à Argentina. 

Foi para este país da América do Sul que um dos 'maiores' responsáveis pela implementação da "Solução Final para a Questão Judaica", Adolf Eichmann, fugiu depois de escapar de um campo para prisioneiros de guerra instalado depois da II Guerra Mundial. 

Ora, agentes dos serviços secretos de Israel - a "Mossad" - raptaram-no em Maio de 1960 e levaram-no para Israel, precisamente. 

Começou, aí, a ser julgado em Abril do ano seguinte. 

Considerado "culpado", foi executado no último dia do mês de Maio de 1962.

04/04/2022

As "ilhas Malvinas"

Se foi em Abril de 1982 que o exército argentino invadiu as "ilhas Malvinas" (em língua portuguesa, evidentemente, sendo, para os Argentinos, "Islas Malvinas", e para os Britânicos, "Falklands") no seguimento, recordo, de um conflito entre trabalhadores Argentinos e cientistas Britânicos naquele arquipélago localizado no Sul do oceano Atlântico, foi em 2013 que um referendo realizado entre, claro, a população local, 'atribuiu' um renovado apoio à manutenção da soberania do Estado europeu. 

02/04/2022

A "Checa"

Já aqui escrevi no blogue sobre as designações oficiais de um dos países 'herdeiros' da "Checoslováquia": a "República Checa".

"República Checa", precisamente, e "Chéquia".

Ora, não "Chéquia" mas sim "Checa" era a designação daquela que foi, na União Soviética, a polícia política precursora do "KGB".

01/04/2022

"Exxon Valdez"

Mais de três décadas volvidas dos tristemente célebres acontecimentos causados por este navio, espero que o seu nome e esses mesmos acontecimentos não nos deixem esquecer. 

E mais: que nos ajudem a colocar questões: por exemplo, "que mundo queremos ter?".

Ora, foi em Março de 1989 que o navio "Exxon Valdez" encalhou no território norte-americano do "Alasca".

Mas, muito mais do que 'isso', verteu milhões de litros de crude causando, assim, uma catástrofe de cariz ambiental com "proporções" inauditas até então. 

Sim, "até então"...