30/04/2020

Illuminati

Ao "cair" da noite no dia 1 de Maio de 1776 foi criada, numa floresta da Baviera (na Alemanha), a ordem (secreta) Illuminati.

Ora, desde então que nunca mais o "mundo" das conspirações foi o mesmo...





 

29/04/2020

Tempo de enganos

"Podeis enganar toda a gente durante um certo período de tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas durante todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente".



Abraham Lincoln (1809-1865), político norte-americano

28/04/2020

Os culpados de sempre?

O escritor turco Orhan Pamuk escreveu um texto de opinião que a edição digital do jornal norte-americano The New York Times publicou no passado dia 23 de Abril (de 2020) com o título "What the Great Pandemic Novels Teach Us".

Já galardoado com o prémio Nobel, o literato está actualmente a trabalhar num romance que tem como "pano de fundo" uma epidemia.

Ora, a ‘construção’ daquele tem-no obrigado a pesquisar o que se escreveu no passado a propósito sobre "pragas".

Percebeu, assim, que aquelas foram (quase) sempre percepcionadas como tendo uma ‘origem’ oriental ou em grupos minoritários (étnicos, por exemplo): de facto, escreveu nesse texto que o imperador romano Marco Aurélio culpou os Cristãos que viviam no Império pela "praga de Antonino" (praga de varíola) uma vez que não aclamavam as divindades romanas.

E em pragas posteriores foram os Judeus: acusados de envenenarem os poços no Império Otomano e na chamada Europa Cristã, estes foram culpados de promoverem o ‘nascimento’ de doenças.

Ou seja, será que a 'identidade' das vítimas que pudessem servir perfeitamente como bodes expiatórios para a existência de epidemias é hoje muito diferente da que era há centenas ou milhares de anos?

27/04/2020

Guernica e Magalhães

Foi exactamente no dia 26 de Abril de 1937 que, no decurso da Guerra Civil de Espanha,a Legião Condor (divisão da Força Aérea alemã), apoiando a facção nacionalista, pulverizou a cidade basca Guernica.

Ora, este bombardeamento ficou para sempre imortalizado no quadro pintado por Pablo Picasso, Guernica.


***


Também a 26 de Abril mas do ano 1521 foi o navegador Fernão de Magalhães morto durante uma luta com habitantes da ilha Mactan, nas actuais Filipinas.

25/04/2020

Antes e depois de Abril (parte 2)

Porque passam hoje 46 anos do dia 25 de Abril de 1974, opto por recordar um texto que escrevi há dois anos por esta mesma altura: "Assinalaram-se ontem 44 anos do golpe militar de 25 de Abril de 1974. Embora democrata e resolutamente antifascista, não consigo partilhar do ‘entusiasmo’ daqueles que chamam ao acontecimento "Revolução dos Cravos" pelo simples facto de acreditar que um movimento verdadeiramente revolucionário não pode ser feito com ‘flores’. Veja-se, por exemplo, o estado de coisas em que vive a Tunísia alguns anos após a "Revolução do Jasmim"… Cito, por isso, duas pessoas temporalmente separadas por mais de trinta anos: o grande músico/cantor e resistente José Afonso ("Zeca Afonso") e o fiscalista e sócio da "Espanha e Associados" João Espanha. "O 25 de Abril não foi feito para aquilo que estamos agora a viver. Aqueles que ajudaram a fazer o 25 de Abril imaginaram uma sociedade muito diferente da actual que está a ser oferecida aos jovens. Os jovens deparam-se hoje com problemas tão graves – ou talvez mais graves que aqueles que nós tivemos que enfrentar – o desemprego, por exemplo, e por vezes não têm recursos. O sistema ultrapassa-os. O sistema oprime-os criando-lhes uma aparência de liberdade. Eu creio que a única atitude foi aquela que nós tivemos – nós, refiro-me à minha geração: de recusa frontal, de recusa inteligente (se possível até pela insubordinação; se possível até pela subversão) ao modelo de sociedade que lhes está a ser oferecido com belos discursos, com o fundamento da legalidade democrática, com o fundamento do respeito pelos direitos dos cidadãos. É, de facto, uma sociedade teleguiada de longe por qualquer FMI, por qualquer deus banqueiro que é imposta aos jovens de hoje". "Zeca Afonso" em 1984, nas comemorações dos dez anos do "25 de Abril" "Só uma pequena minoria endinheirada pode recorrer a um advogado mesmo que seja vítima de injustiça [do Fisco]". João Espanha no "Jornal de Negócios" em 12 de Abril de 2018 Acrescento, todavia, uma frase escrita pelo filósofo italiano Nicolau Maquiavel que me parece exemplar para descrever o que, em minha opinião, se tem vindo a passar na História (de Portugal e não só): "Os povos que perdem a liberdade pela força, pela força haverão de reconquistá-la. Mas os que perdem a liberdade por descuido, estes demorarão muito a voltar a ser livres".

24/04/2020

Morte e impostos

"Nada de absolutamente certo existe neste mundo para além da morte e dos impostos".



Benjamin Franklin (1706-1790), político norte-americano

23/04/2020

Lenine

Se Adolf Hitler marcou, enquanto actor político, a Europa - e o Mundo - no século XX no espectro da chamada Direita, uma outra personalidade, oriunda do panorama político e ideológico oposto - a Esquerda -, marcou também a Europa e o Mundo ainda no século XX: Vladimir Ilich Ulyanov (nascido no dia 22 de Abril de 1870).

Ou, simplesmente, Lenine.

Poderá o Ser Humano alguma vez esquecer o trágico legado de ambos?

22/04/2020

Um massacre lisboeta

Ainda ontem aqui deixei algumas palavras sobre os judeus portugueses e de como Portugal optou por lidar com muitos deles: através da expulsão.

Escolho, no entanto, invocar um outro 'episódio' que revelou uma intolerância ainda maior e mais 'profunda' - muito "próxima" da verificada nos pogroms sofridos pelos Judeus ao longo da história.

De facto, como escreveram Susana Bastos Mateus e Paulo Mendes Pinto no prólogo do livro "Lisboa, 19 de Abril de 1506 - O massacre dos judeus" (que a Alêtheia Editores publicou em 2007), "Nesta data, em Lisboa, a actual capital de Portugal, foram brutalmente chacinados vários milhares de pessoas pelo simples facto de serem, ou terem sido, judeus (tornados cristãos-novos a grande parte deles possivelmente contra a sua vontade).
No decorrer de uma situação onde os ânimos se exaltaram, exacerbando medos, receios e construindo expiações, a crítica, um reparo a um milagre que estava a ser profundamente vivenciado foi o mote para que, em espaços que ainda hoje existem e reconhecemos, lisboetas como nós tenham irrompido pelas ruas da antiga judiaria e tenham matado quem encontravam".

21/04/2020

Sefardita

Aqui escrevi há dias sobre o facto do inglês David Ricardo ter uma origem étnica sefardita.

Mas o que significa ser-se sefardita?

Significa que se é descendente dos Judeus que viveram em Espanha e em Portugal desde, sensivelmente, as últimas centúrias do Império Romano até à sua perseguição e expulsão nos últimos anos do século XV.

20/04/2020

Um poço de trevas

Quer privilegiasse uma dimensão histórica, quer uma dimensão ‘rigorosamente’ científica, as (breves) linhas que agora deixo nada acrescentariam sobre o percurso de vida de uma personalidade que marcou a história da Europa.

Na verdade, existia, por assim dizer, uma Europa até esta pessoa emergir politicamente e uma outra Europa depois de, fisicamente, "sair de cena".

Europa e, acrescento, mundo.

Efectivamente, a ‘marca’ que deixou numa e no outro foi tragicamente negativa pois serviu-se do Bem para consolidar e ampliar o Mal.

Essa pessoa – "ele" – e, claro, os lacaios de quem se conseguiu rodear.

Desde a passagem de todos eles pela Terra que – como já aqui escrevi uma e outra vez ainda que talvez utilizando outras palavras – sabemos aquilo que o Homem é capaz de fazer ao seu semelhante.

Adolf Hitler nasceu no dia 20 de Abril de 1889.





Adolf Hitler.






Post scriptum: teve início no dia 11 de Abril de 1961, em Jerusalém, o julgamento de um dos mais importantes desses sabujos – Adolf Eichmann. Lembro, apenas, que este julgamento terminou cerca de oito meses mais tarde com uma condenação à morte, a única sentença capital alguma vez imposta por um tribunal israelita.

18/04/2020

David Ricardo e "laissez faire"

No exacto dia em que se assinalam duzentos e quarenta e oito anos do nascimento do economista inglês de origem sefardita David Ricardo aventuro-me a escrever sobre Economia.

Efectivamente, nem a Portugal nem a nenhum outro país do continente europeu tinham chegado "inovações" da ciência económica em meados do século XVIII.

De facto, naqueles vigorava ainda o Antigo Regime socio-económico, por assim dizer: o senhorialismo na terra e o mercantilismo no comércio e na indústria.

Mas não demorou muito, no entanto, para se começarem a fazer sentir críticas ao ‘velho sistema’.

Alguns economistas começaram, pois, a propor a adopção de uma nova abordagem: a fisiocrática.

Esta advogava uma valorização das actividades agrícolas em detrimento do comércio e, de certo modo, da indústria.

Na verdade, o fisiocratismo sustentava que o comércio nada produzia uma vez que apenas se limitava a trocar alguns bens por outros e que a indústria se limitava a transformá-los sendo que somente a agricultura conseguia exactamente produzir bens.

Adoptando o lema "Laissez faire, laissez passer" (em português, "Deixai produzir, deixai circular"), a teoria fisiocrata defendia que ao Estado competiria, sobretudo, promover e garantir a liberdade económica.

17/04/2020

Fracasso na "Baía dos Porcos"

Centenas de dissidentes cubanos ‘apoiados’ (treinados…) pelas autoridades dos Estados Unidos da América, tentaram, no dia 17 de Abril de 1961, “derrubar” o líder do país, Fidel Castro, na "Baía dos Porcos".


Essa tentativa falhou.

16/04/2020

Chaplin e a película "desumana"

Talvez um crítico de cinema não o fizesse mas eu acho que "Tempos Modernos" está entre os melhores filmes da história do cinema.

E porquê?

Porque, em minha opinião, teve o mérito de, numa época "precoce" do cinema, aliar ao carácter lúdico da actuação dos actores numa narrativa específica a introdução à necessidade do espectador reflectir. Reflectir sobre a organização social e económica na sociedade moderna de então (o filme foi ‘lançado’ em 1936).

E foi exactamente essa proposta de reflexão que aceitei quando, há já alguns anos, o vi pela primeira vez.

De facto, tendo "Tempos Modernos" sido projectado em meados da década de 1930 – e realizado, produzido e protagonizado por um homem nascido em 1889 (em 16 de Abril desse ano…), Charles Chaplin –, a visão por ele proposta era, creio, esta: Tecnologia "versus" Humanidade.

No fundo, a Tecnologia como "agente" desumanizador.

No entanto, passados quase cem anos da acção do filme, a Tecnologia é, em muitíssimos contextos da vida humana, imprescindível.

Ainda que, julgo também, outras questões porventura de cariz mais filosófico, por assim dizer, continuem à espera de respostas.

15/04/2020

Abraham Lincoln

Assinalam-se hoje cento e cinquenta e cinco anos da morte do décimo sexto presidente dos Estados Unidos da América – Abraham Lincoln – após ter sido alvejado, na véspera, por John Wilkes Booth em plena sala de teatro na cidade de Washington, D. C..

Lembro somente que este assassinato foi concretizado já depois do fim efectivo da Guerra Civil Americana e do "papel" de Lincoln na emancipação dos escravos existentes no país.

Aproveito, assim, para citá-lo e, assim (desculpe-se-me a repetição), homenageá-lo:


"A melhor forma de prever o futuro é sermos nós mesmos a criá-lo".

14/04/2020

Garcia de Orta

Perdoe-se-me que me detenha, ainda que muito sucintamente, na ortografia de um nome: Garcia de Orta.

Há muito tempo que tenho vindo a ler e a ouvir (abstenho-me de indicar fontes) uma deturpação que, em minha opinião, embora não parecendo ser grave, é.

Porque revela, desde logo, um desconhecimento do nome de alguém que foi importante na História de Portugal e, depois, uma falta de rigor (para não dizer respeito…) para com a sua memória.

Ora, o nome do médico português nascido no início do século XVI e que passou trinta anos da sua vida na Índia era Garcia de Orta e não Garcia da Orta.
 
 

 

13/04/2020

Espaço II

Se, há meses, aqui fiz referência ao facto de Valentina Tereshkova se ter tornado, em Junho de 1963, na primeira mulher a fazer a viagem para o Espaço (a bordo da nave espacial Vostok VI), "ao serviço" da então União Soviética, parece-me de elementar justiça que, também aqui, faça referência ao primeiro homem a realizar uma viagem espacial: Yuri Gagarin.

Foi exactamente há cinquenta e nove anos, algures no (vastíssimo...) território da União Soviética, que tal se verificou. 12 de Abril de 1961.

11/04/2020

A diplomacia

Quem, como eu, procura ‘acompanhar’ (lendo e ouvindo, sobretudo) a geopolítica do mundo, depara-se – muitas vezes, seguramente – com o conceito diplomacia. E mais: o quão esta é importante para, também, reduzir (ou impedir) o "Choque de Civilizações" proposto por Samuel Huntington.

Ora, creio que a definição de diplomacia subscrita pelo jornalista britânico David Frost (1939-2013) pode ajudar: "Diplomacia, substantivo. Arte de deixar alguém fazer o que tu queres".

09/04/2020

"La Lys" e a III Guerra Mundial

Passam hoje cento e dois anos de um dos mais tristes acontecimentos da existência do Exército português.

Aquele em que milhares de soldados lusos integrando as fileiras do Corpo Expedicionário Português perderam as suas vidas às mãos de uma ofensiva alemã no 'contexto' da I Guerra Mundial.

"Triste" por dois motivos.

O primeiro: a perda de vidas.

O segundo (que decorre do primeiro): a II Guerra Mundial veio demonstrar que nada se aprendeu após o sangue derramado (por parte dos soldados portugueses e de soldados de tantas nacionalidades) e, portanto, a sua vida foi perdida em vão.

E, aproveito, pergunto: estarei prestes a invocar um terceiro motivo, quase igual ao acabado de escrever?

É que os 'sinais', aparentemente diferentes, que deram origem à I e à II guerras mundiais parecem "estar todos cá"...


08/04/2020

Londres

Mantenho-me em terras de Sua Majestade.

Se, um dia, tivesse a oportunidade (e o privilégio) de poder visitar Londres, não quereria deixar de visitar dois ‘sítios’ (entre muitos outros, claro): um é o “Speaker’s Corner” (no “HidePark”) e o outro o museu de cera “Madame Tussaud”.

Assim, se no primeiro poderia ser um orador sem nutrir receio de poder ser perseguido por um qualquer delito de opinião, poderia, no museu, imaginar-me noutro tempo e noutro espaço*, por assim dizer.

Na verdade, a ‘fundadora’ do museu “Madame Tussaud” nasceu com o nome Marie Grosholtz e só o casamento lhe daria o apelido Tussaud.

Em 1761, em França.

Foi, no entanto, na Suíça, onde a mãe trabalhava em casa de um anatomista e modelador de cera, que desenvolveu a sua personalidade.

Ora, quando aquele decidiu estabelecer-se em Paris como “criador” de cera, Marie seguiu-o e às suas ‘pisadas’ artísticas.

Mas, apanhados na turbulência da Revolução Francesa, tiveram de limitar a imaginação da sua arte e fazer bustos de algumas das suas vítimas.

Já casada, conseguiu optar por um novo caminho: inicialmente sozinha e, depois, com a colaboração dos filhos, decidiu expor os seus trabalhos, de forma itinerante, em Inglaterra, sendo que apenas depois do estrondoso sucesso obtido se fixaram em Londres.

Apesar de ter falecido em Abril de 1850 – há exactamente cento e setenta anos –, o seu legado mantém-se.




* Aproveito para lembrar que existem, em todo o mundo, mais de vinte museus “Madame Tussaud”.

07/04/2020

O Dia Mundial da Saúde

Assinala-se hoje o Dia Mundial da Saúde.




Ocasião perfeita para fazer duas citações:



"Muito antes destas descobertas científicas [feitas, sobretudo, a partir do século XVIII] pensava-se que as doenças eram causadas pelos deuses que as criavam para castigar os humanos quando estes se portavam mal!
Mais tarde, a mitologia greco-romana criou um deus dedicado à medicina e à cura para proteger os humanos".






Fonte: Museu da Saúde




***




Hipócrates (nascido no ano 460 antes do suposto nascimento de Jesus Cristo e falecido em 370 antes do mesmo) é hoje considerado o pai da medicina moderna.



Disse, entre muitas outras coisas, o seguinte: "Todas as doenças têm origem nas entranhas".



Estaria errado?

06/04/2020

Vítimas atómicas

Assinalaram-se ontem sessenta e nove anos da condenação judicial do casal norte-americano Julius e Ethel Rosenberg à morte por ter ‘passado’ à União Soviética informações secretas acerca da ‘máquina’ atómica dos Estados Unidos da América (EUA).

Foi, efectivamente, no dia 5 de Abril de 1951 que ambos foram sentenciados.

No entanto, só cerca de dois anos mais tarde – perante a recusa do presidente Dwight Eisenhower em assinar uma ordem de perdão: "Posso apenas dizer que em virtude de ter aumentado exponencialmente a hipótese da ocorrência de um conflito nuclear, o casal Rosenberg poderá ter sido o carrasco de milhões de inocentes em todo o mundo. Se, na verdade, é indesmentível a gravidade de se executarem dois seres humanos, mais grave ainda é o facto de milhões de pessoas poderem perder a vida em resultado do que estes dois espiões fizeram" – os Rosenberg foram executados tornando-se, desse modo, nos primeiros civis norte-americanos a serem, em "tempo de paz", mortos por tal crime.

Ora, lamento profundamente que o também presidente norte-americano Harry Truman não se tenha ele próprio ‘lembrado’ dos "milhões de inocentes em todo o mundo" que, em 1945, por exemplo, poderiam ser vítimas do ‘génio’ atómico dos EUA...

04/04/2020

O perigo da apatia


"A tirania de um príncipe numa oligarquia não é tão perigosa para o bem-estar geral como a apatia de um cidadão numa democracia".



Charles de Montesquieu (1689-1755), filósofo político francês



03/04/2020

A televisão

Num momento em que mais de três mil milhões de pessoas são obrigadas a permanecer em casa, parece-me oportuno lembrar algumas 'definições' de Televisão:


"A televisão não é a Verdade. A televisão é um maldito parque de diversões. A televisão é um circo, um corso carnavalesco, um conjunto de acrobatas, de contadores de histórias, de dançarinos, de cantores, de malabaristas, de "aberrações", de domadores de leões e de jogadores de futebol.
Nós representamos o negócio do "anti-tédio".

(...)

Dizemos-lhe o que quer que queira ouvir. ‘Negociamos’ em ilusões. Nada é verdadeiro. Mas a audiência senta-se aqui, dia após dia e noite após noite, de todas as idades, cores, credos. Nós somos tudo o que conhece. Começa, de facto, a acreditar nas ilusões que criamos aqui. Começa mesmo a acreditar que a televisão é a realidade e a sua própria vida é que é a ficção. Faz o que a televisão lhe diz para fazer: veste-se como vê na televisão, come como vê na televisão, cria os filhos como vê na televisão e, até, pensa como a televisão lhe ‘diz’ para pensar. Ora, isto é loucura em massa, seus loucos. Em nome de Deus, vocês são a realidade. Nós é que somos a fantasia".


Fonte: Howard Beale (personagem interpretada pelo actor Peter Finch) no filme "Network" (de 1976); Tradução própria a partir da língua inglesa.




***




"Sou uma caixa, sou um écrã
Sou pesadelo, sou sonho
Sou a janela sob a tua terra
Então, liga-me, vem pegar na minha mão
Não me provoques
Ofereço-te escândalo, ofereço-te violência
Um perigo para a tua saúde
Dou a visão de como a vida deveria ser
Escolho os teu heróis
Segue-me
Segue-me"


Fonte: Tema musical "The box" da banda "Annihilator" (do álbum "King of the Kill" de 1994); Tradução própria a partir da língua inglesa.

02/04/2020

Independência e grindadráp

Não existem, em todo o mundo, mais do que dois países cujos calendários oficiais assinalem um Dia da Independência – ou Dia Nacional: o Reino Unido e a Dinamarca*.



* A página oficial da Dinamarca na "Internet" (em língua inglesa, originalmente) refere o seguinte: "Outrora fomos os brutais Vikings. Mas somos, actualmente, uma das sociedades mais pacíficas do mundo".

Ora, ocorre-me perguntar a mim mesmo até que ponto é possível ‘conciliar’ a expressão "uma das sociedades mais pacíficas do mundo" com o assassinato anual de dezenas (ou mais) baleias-piloto algures nas Ilhas Feroé – que integram, por assim dizer, a Dinamarca?

01/04/2020

O Museu Vasa

Mantenho-me como visitante (ainda que, por vezes, apenas virtual) dos museus.

O Vasa Museet localiza-se em Estocolmo, na Suécia, e é, actualmente, o espaço museológico mais visitado em toda a região escandinava*.

Ora, a razão por que o é deve-se exclusivamente ao facto de ‘acolher’ o navio Vasa: este navio de guerra foi mandado construir pelo rei Gustavo II Adolfo (no século XVII) e estava, à época, equipado com a mais moderna ‘tecnologia’ (isto é, armamento) disponível no mundo.

Escrevi, há pouco, que este museu acolhe o "navio Vasa" já que não é uma réplica. É o original, por assim dizer.

Porque apesar de estar sepultado há mais de três séculos na baía que banha a capital sueca – essa verdadeira "máquina de guerra flutuante" não navegou mais do que breves minutos –, o mar Báltico, menos inclemente do que outras águas (menos teor de sal) poupou grande parte da madeira do navio (quase a totalidade, na verdade…).







* Recordo que a Escandinávia é uma região situada no Norte do continente europeu e que compreende três países: Suécia, Noruega e Dinamarca.