"se levantaram os povos noutros lugares, sendo grande a oposição entre os grandes e os pequenos, aos quais (...) chamavam naquele tempo arraia-miúda. Os pequenos, depois que ganharam coragem e se juntavam entre eles, chamavam, aos grandes, traidores (...) que seguiam o partido dos Castelhanos para darem o reino a quem não pertencia. E ninguém, por grande que fosse, se atrevia a contradizê-los, nem a falar coisa nenhuma, porque sabia que, se falasse, tinha logo morte má, sem ninguém lhe poder valer. Era maravilha ver que tanta coragem lhes dava Deus e tanta cobardia aos outros que os castelos que os antigos reis não conseguiam tomar pela força das armas, apesar de os cercarem durante muito tempo, os povos miúdos, mal armados e sem capitão, com os ventres ao sol, os tomavam pela força em menos de meio dia".
Fonte: "Crónica de D. João I" de Fernão Lopes.
29/06/2019
28/06/2019
O Tratado de Versalhes e a "culpa da guerra"
Assinado no dia 28 de Junho de 1919, o depois designado Tratado
de Versalhes procurou oficialmente pôr um fim à Primeira Guerra Mundial.
Esboçado durante a Conferência de Paz de Paris (ocorrida na
Primavera de 1919), o documento foi rubricado pelos representantes da Alemanha, "por um lado", e pelos representantes das chamadas potências aliadas, por
outro.
É claro que a generalidade do conteúdo desse tratado não surpreendeu
os emissários germânicos pois a Alemanha tinha já reconhecido que perdera (foi
só esse país que perdeu?) a guerra.
O que, efectivamente, os escandalizou (e, por extensão, a "maior
parte" do próprio povo alemão) foi a cláusula denominada "culpa da guerra": tendo
sido obrigados a reconhecê-la, os Alemães assumiram que a culpa directa da
guerra (o eclodir, sobretudo) havia sido exclusivamente sua.
Ora, tal assumpção foi muito desfavoravelmente, por assim
dizer, acolhida pela generalidade do ‘povo’ alemão e acabou mesmo por
transformar-se num dos ‘pilares’ fundamentais do programa político de que o
Partido Nacional-Socialista se serviria para ascender ao ‘topo’ do poder não
muitos anos depois.
Com as consequências que a História conheceria…
27/06/2019
O testamento de D. Afonso II
Com
data de 27 de Junho de 1214, o primeiro testamento de D. Afonso II – o
terceiro rei de Portugal – é, segundo alguns especialistas, o mais
antigo documento régio conhecido escrito em língua portuguesa.
![]() |
| Um dos testamentos de D. Afonso II. Este monarca faleceu em 1223 e deixou vários documentos testamentários. |
26/06/2019
Visado
Excerto
do discurso de António de Oliveira Salazar aquando da inauguração
do Secretariado de
Propaganda Nacional,
em 1933:
"Os
homens, os grupos, as classes vêem, observam as coisas, estudam os
acontecimentos à luz do seu interesse. Só uma entidade, por dever e
posição, tudo tem de ver à luz do interesse de todos".
25/06/2019
Biscoitos e Descobrimentos
Uma
das actividades ‘industriais’ que foi extraordinariamente
importante para a empresa dos chamados Descobrimentos iniciada
e desenvolvida por Portugal no século XVI, sobretudo, foi o fabrico
de biscoito.
Sim,
biscoito.
Produto
essencial para 'apetrechar' os "navios dos Descobrimentos",
a produção de biscoito, pertença da Coroa, foi então muito
desenvolvida a partir de Vale de Zebro (no Barreiro) e da própria
cidade de Lisboa (nos "Fornos da Porta da Cruz").
24/06/2019
Santa Hildegarda, a "Sibila do Reno"
Assinalam-se em 2019 oitocentos e quarenta anos da morte de Hildegard von Bingen.
Parece-me, por isso, o momento adequado para relembrar o seu último trabalho: "Liber Divinorum Operum" ("O Livro dos Trabalhos Divinos", em português).
Manuscrito teológico - como não poderia, talvez, deixar de ser sendo Hildegard abadessa... -, contém a descrição de visões divinas que afirmava ter recebido.
Canonizada, Hildegard foi proclamada doutora da Igreja Católica em 2012.
Parece-me, por isso, o momento adequado para relembrar o seu último trabalho: "Liber Divinorum Operum" ("O Livro dos Trabalhos Divinos", em português).
Manuscrito teológico - como não poderia, talvez, deixar de ser sendo Hildegard abadessa... -, contém a descrição de visões divinas que afirmava ter recebido.
Canonizada, Hildegard foi proclamada doutora da Igreja Católica em 2012.
22/06/2019
Arruda em Elvas e em Lisboa
Um
dos vários locais/pontos de interesse da cidade de Elvas é a Igreja
de Nossa Senhora da Assunção (que foi, nem mais, nem menos,
a antiga Sé da cidade).
Que,
recorde-se, está classificada como Monumento Nacional.
Eis
o que refere a ‘placa’ respectiva que identifica este local de
culto:
Construção
essencialmente Manuelina traçada pelo Arquitecto Francisco de
Arruda, cuja construção teve início em 1517, no mesmo local da
antiga e ruinosa matriz de Stª. Maria dos Açougues, sendo aberta
ao público em 1537. Em 1570, por bula do Papa Pio V, obteve a
proeminência de Catedral. A Capela Mor é de 1749. De salientar a
azulejaria dos Séc[s]. XVII e XVIII.
|
Ora,
Francisco de Arruda foi o mesmo arquitecto que projectou a Torre
de Belém, em Lisboa.
De
facto, Lisboa adquiriu, nos séculos XV e XVI, o estatuto de
importante plataforma giratória no aspecto comercial, na Europa e no
mundo, fruto das viagens marítimas portuguesas e suas
‘consequências’.
Assim,
para protecção e defesa da cidade, o monarca D. João II idealizou
um plano estratégico que passava por dotar o rio Tejo de estruturas
que pudessem permitir controlar o tráfego marítimo e,
simultaneamente, detectar a entrada de navios inimigos provenientes
do oceano.
Iniciada
a sua construção em 1514, a Torre de Belém veio ‘responder’
a estes anseios de maior segurança.
No
entanto, após a construção da Fortaleza de São Julião da
Barra e do Forte do Bugio, a Torre de Belém
começou a assistir à progressiva diminuição da sua função
defensiva de Lisboa tendo chegado a servir, por exemplo, como prisão
de Estado (e o consequente encarceramento de indivíduos opositores ao poder político vigente) e como ponto de apoio ao
estabelecimento e posterior melhoria da rede de comunicações.
Símbolo
de Lisboa – e de Portugal –, a Torre
de Belém
foi, em 1983, classificada como património da Humanidade pela
UNESCO (juntamente
com o Mosteiro
dos Jerónimos).
21/06/2019
Machado de Assis
"Memórias póstumas de Brás Cubas" e "Dom Casmurro" foram
algumas das obras escritas por uma pessoa que nasceu no Rio de Janeiro (Brasil)
no dia 21 de Junho de 1839 e que se tornaria num dos ‘grandes’ escritores que
esse país – e o mundo, claro – já havia tido (e teria): Joaquim Maria Machado
de Assis.
19/06/2019
Windsor e Londres
Se a
distância geográfica entre Windsor e Londres não chega a cinquenta
quilómetros, a distância histórica entre o Tratado de Windsor
e o Tratado de Londres (o ‘primeiro’) é bem maior.
Desde
logo porque o Tratado de Windsor foi assinado em 1386 e o de
Londres em 1839. Mas também nos intervenientes: o primeiro selou a
aliança diplomática entre Portugal e o reino de Sua Majestade (que
ainda hoje está em vigor) enquanto que o de Londres (assinado em
1839) garantiu não somente o suposto reconhecimento internacional
(já que apenas algumas ditas potências europeias o subscreveram…)
da independência da recém-formada Bélgica – e também da do
Luxemburgo – mas também a observância, por parte desta, de
neutralidade em possíveis futuros conflitos bélicos.
18/06/2019
A Torre de S. Sebastião da Caparica
Nunca
li o livro "Portugal em ruínas" de Gastão de Brito e Silva.
No
entanto, a preservação do património português é uma ‘causa’
que sempre defendi, que defendo e que defenderei.
Ora,
a Torre de S. Sebastião da Caparica (ou Torre Velha) –
construída há mais de 530 anos (em 1481) no lugar de Porto Brandão,
em Almada – foi uma das primeiras construções militares para
defesa da barra do rio Tejo e encontra-se classificada como "monumento nacional".
No
entanto, também se encontra, actualmente, em avançado estado de
degradação física.
Será,
talvez, apropriado colocar-se, uma vez mais, a seguinte questão: se, como "monumento nacional" se encontra nesse estado, como estaria se
não estivesse assim classificada?
Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.
Post scriptum : a imperatriz indiana Mumtaz Mahal morreu no dia 17 de Junho de 1631 ao dar à luz. Desgostoso, o imperador Shah Jahan mandou construir o Taj Mahal em sua memória.
17/06/2019
Espaço e planos quinzenais
Assinalam-se em 2019
os cinquenta anos da chegada do Homem à Lua.
E assinalaram-se
ontem também cinquenta e seis anos da viagem da primeira mulher ao
Espaço: foi, de facto, em 16 de Junho de 1963 que Valentina
Tereshkova se tornou na primeira astronauta comandando a nave
espacial Vostok VI da então União Soviética.
Uma pioneira.
***
Não
escondo que fiquei negativamente admirado quando ouvi, num
documentário transmitido há dias num dos canais da televisão
pública – paga por todos os consumidores de electricidade em
Portugal (em que, feliz e infelizmente, me incluo) – a expressão "planos quinzenais" para se referir a uma ‘faceta’ da
economia (e, enfim, da sociedade) da acima referida União
Soviética.
Ora,
recordo-me de nos meus tempos de estudante no então designado "ensino secundário" me terem explicado o que eram os planos
quinquenais.
Assim,
planos quinzenais são planos feitos para duas semanas (isto
é, 15 dias) e planos quinquenais são planos feitos para
cinco anos (isto é, cerca de 1825 dias).
Creio,
pois, que teria sido perfeitamente compreensível se a/o tradutora(r)
de tal documentário (e até mesmo quem fez a locução portuguesa)
tivesse colocado a ela/ele própria/o uma simples questão: será
possível que uma verdadeira potência (neste caso, a União
Soviética) planificasse a sua economia de quinze em quinze dias?
Penso
sinceramente que a resposta só poderia ter sido não.
E,
se assim tivesse, de facto, sido, não acho que a posterior consulta
de alguns manuais de História ou, até, uma simples pesquisa na
"Internet" tivesse sido em vão.
Que pena que tal assim não se tenha passado.
15/06/2019
O gótico e o Mosteiro da Batalha
Associar
o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao
desenvolvimento da Cidade não é, para mim, estranho.
Creio
que foi, efectivamente, este quem ‘motivou’ a substituição, por
exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.
A
arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a
primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral
de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.
Já
em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é
um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a
sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’
representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.
Por
exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória –
começou a ser construído em 1386:
"O
mosteiro foi fundado por D. João I (r. 1385-1433), em 1386, em
agradecimento à Virgem pela vitória na Batalha de Aljubarrota
(1385). Atribuído à ordem Dominicana, assumiu-se como símbolo da
independência portuguesa legitimando a dinastia de Avis, finda a
crise de sucessão ao trono desencadeada pela morte do rei D.
Fernando (1383) e pela possibilidade de integração de Portugal nos
domínios de Castela. O projecto, de dimensão pouco habitual na
arquitectura portuguesa medieval, é de Afonso Domingues (1386-1402).
Após a sua morte, sucederam-lhe Huguet (1402-1438) e Martim Vasques
(1438-1442)".
14/06/2019
Qual pureza?
Numa
altura em que também no Reino Unido parecem estar a ganhar ‘terreno’
as forças políticas designadas por populistas (ou
demagógicas) – também defensoras de uma suposta "pureza
étnica" –, penso ser pertinente lembrar um pequeníssimo
trecho de uma entrevista radiofónica feita ao historiador João
Gouveia Monteiro há pouco mais de um ano:
"Eu,
hoje, quando olho para um inglês (…) vejo o rosto de um saxão,
com um cabelo de um dinamarquês. Se olhar para os pés se calhar
vejo as sandálias de um romano. Não há nada em estado puro".
Penso
até que tal observação, por assim dizer, não ‘serve’ só para
o Reino Unido.
Creio
que, de facto, uma vez que existe, apenas, uma raça que é a humana,
tais palavras ‘assentam’ perfeitamente a todos quantos se
consideram racialmente puros sejam ingleses, alemães, suecos,
noruegueses, norte-americanos, coreanos, dinamarqueses, polacos,
holandeses, portugueses, chineses ou quaisquer outros.
13/06/2019
O foral
Penafiel começou a celebrar oficialmente há pouquíssimos dias os 500 anos da posse de carta de foral.
Com a realização de uma conferência e a inauguração de uma exposição (que teve lugar no Museu Municipal com o 'título' "Portugal. História e Cultura"), recordo.
Se bem que, por exemplo, Abrantes, recebeu foral por parte de D. Afonso Henriques há mais tempo: 840 anos (em 1179, portanto)...
Ora, o foral atribuía aos aglomerados populacionais - e, por extensão, a quem o habitava - uma espécie de regulamentação dos seus direitos e deveres.
De facto, como explica a página na Internet da edilidade de Arruda dos Vinhos:
"Carta de Foral foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra "foral" deriva da palavra portuguesa "foro", que por sua vez provém da latina "forum".
Os Forais foram concedidos entre os séculos XII e XVI. Eram a base da fundação do município e, desse modo, o acontecimento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como o aumento da área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real.
(...)
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida a sua reforma pelos procuradores dos concelhos, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal.
Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832".
Assim, o facto de se poder hoje consultar um documento histórico como o foral é extraordinário porque, creio, nos ajuda a obter informações credíveis sobre o modo de vida das populações por ele abrangidas, por assim dizer: os seus mestéres, as actividades comerciais e industriais aí desenvolvidas, a sua indumentária e a sua alimentação, por exemplo.
Com a realização de uma conferência e a inauguração de uma exposição (que teve lugar no Museu Municipal com o 'título' "Portugal. História e Cultura"), recordo.
Se bem que, por exemplo, Abrantes, recebeu foral por parte de D. Afonso Henriques há mais tempo: 840 anos (em 1179, portanto)...
Ora, o foral atribuía aos aglomerados populacionais - e, por extensão, a quem o habitava - uma espécie de regulamentação dos seus direitos e deveres.
De facto, como explica a página na Internet da edilidade de Arruda dos Vinhos:
"Carta de Foral foi um documento real utilizado em Portugal, que visava estabelecer um Concelho e regular a sua administração, deveres e privilégios. A palavra "foral" deriva da palavra portuguesa "foro", que por sua vez provém da latina "forum".
Os Forais foram concedidos entre os séculos XII e XVI. Eram a base da fundação do município e, desse modo, o acontecimento mais importante da história da vila ou da cidade. Era determinante para assegurar as condições de fixação e prosperidade da comunidade, assim como o aumento da área cultivada, pela concessão de maiores liberdades e privilégios aos seus habitantes.
O Foral tornava um concelho livre do controlo feudal transferindo o poder para um concelho de vizinhos (concelho) com a sua própria autonomia municipal. Por conseguinte, a população ficava direta e exclusivamente sob o domínio e jurisdição da Coroa, excluindo o senhor feudal da hierarquia do poder.
O Foral garantia terras públicas para o uso da comunidade, regulava impostos, pedágios e multas e estabelecia direitos de proteção e deveres militares dentro do serviço real.
(...)
Os forais entraram em decadência no século XV, tendo sido exigida a sua reforma pelos procuradores dos concelhos, o que viria a acontecer no reinado de D. Manuel I de Portugal.
Foram extintos por Mouzinho da Silveira em 1832".
Assim, o facto de se poder hoje consultar um documento histórico como o foral é extraordinário porque, creio, nos ajuda a obter informações credíveis sobre o modo de vida das populações por ele abrangidas, por assim dizer: os seus mestéres, as actividades comerciais e industriais aí desenvolvidas, a sua indumentária e a sua alimentação, por exemplo.
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