14/06/2019

Qual pureza?

Numa altura em que também no Reino Unido parecem estar a ganhar ‘terreno’ as forças políticas designadas por populistas (ou demagógicas) – também defensoras de uma suposta "pureza étnica" –, penso ser pertinente lembrar um pequeníssimo trecho de uma entrevista radiofónica feita ao historiador João Gouveia Monteiro há pouco mais de um ano:

"Eu, hoje, quando olho para um inglês (…) vejo o rosto de um saxão, com um cabelo de um dinamarquês. Se olhar para os pés se calhar vejo as sandálias de um romano. Não há nada em estado puro".

Penso até que tal observação, por assim dizer, não ‘serve’ só para o Reino Unido.

Creio que, de facto, uma vez que existe, apenas, uma raça que é a humana, tais palavras ‘assentam’ perfeitamente a todos quantos se consideram racialmente puros sejam ingleses, alemães, suecos, noruegueses, norte-americanos, coreanos, dinamarqueses, polacos, holandeses, portugueses, chineses ou quaisquer outros.

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