31/07/2020

"O Teu (verdadeiro) Mundo"

Quando Portugal aderiu à Organização das Nações Unidas (a ONU), as características geopolíticas do mundo de então não eram assim tão diferentes das do mundo de hoje.

De facto, ainda que Portugal tenha ‘entrado’ em Dezembro de 1955 – cerca de dez anos volvidos da criação da ONU – na organização mundial de nações, o lema desta – "It’s Your World" (em língua inglesa, uma das seis oficiais. "Este É O Teu Mundo", em português) – continua a ser substancialmente o mesmo, mais de sete décadas passadas.

Embora os desafios sejam aparentemente diferentes.

Talvez tenha sido isso mesmo a motivar a John Bolton, então o representante norte-americano junto da referida ONU, o discurso de algumas palavras sobre a ordem mundial vigente e da organização:


"O ponto que quero deixar convosco nesta breve alocução é (…) que não existe uma Organização das Nações Unidas. Existe, sim, uma comunidade internacional que pode, ocasionalmente, ser dirigida pela única e verdadeira potência mundial existente no mundo hoje em dia – os Estados Unidos da América [EUA] – sempre que tal nos seja conveniente e sempre que consigamos contar com o apoio de outros"; "o edifício sede da ONU conta 38 andares. Se, porventura, 10 andares se ‘perdessem’ hoje isso não teria qualquer importância"; "os EUA deixam que a ONU funcione sempre que o querem. E é essa a única maneira correcta porque o único ponto que importa salientar é o do interesse dos EUA e se, pura e simplesmente, esta audiência não concorda tenho imensa pena mas é essa a verdade".

30/07/2020

As Monarquias Nacionais

O conflito do papa Bonifácio VIII com o rei Filipe IV de França, no século XIII, acabou por originar o "stop" à influência espiritual do papado nas ‘casas’ reais europeias e 'levar', assim, ao surgimento das chamadas Monarquias Nacionais.

Nalguns casos, até hoje.

29/07/2020

A arraia-miúda medieval

Eis algo que descobri quando andava na escola: "Segundo alguns historiadores, os personagens conhecidos da história medieval, ou seja, aqueles poderosos (imperadores, reis, papas, bispos, condes, abades, cavaleiros, cruzados, grandes comerciantes e famosos guerreiros), não ultrapassam 5% da população total da Europa nesse período. Os outros 95% restantes são o povo, a massa anónima, que na Idade Média praticamente significava os camponeses".

28/07/2020

A morte do assassino


Um ano e alguns dias depois após o assassinato, enquanto tomava banho, de Jean-Paul Marat foi a vez de outro líder da Revolução Francesa perder a vida: Maximilien Robespierre.

Aquele que havia sido responsável por milhares de mortes acabou por ser ele próprio vítima do seu radicalismo sendo guilhotinado em 28 de Julho de 1794.

Assim, apesar de já aqui ter escrito o epitáfio da sepultura de Robespierre, aproveito, justamente, para o relembrar: "Passante, não chores a minha morte porque se eu vivesse tu morrerias" (em francês, no original).




27/07/2020

Acusar até ao fim

Bruno Dey, um jovem que cresceu sob o nacional-socialismo, trabalhou, como tantos alemães, num campo de concentração.

O de "Stutthof".

Ora, um tribunal germânico decidiu, na passada semana, acusá-lo de 5230 crimes de auxílio ao homicídio (crime que não está 'contemplado' no sistema jurídico português) representando, precisamente, 5230 pessoas que foram assassinadas sob a sua guarda.

Dey é, aos noventa e três anos de idade, um dos últimos colaboradores vivos do Holocausto.


25/07/2020

O Canal do Suez

O presidente egípcio Gamal Abdel Nasser decretou a nacionalização do Canal do Suez no dia 26 de Julho de 1956.

Ao fazê-lo, precipitou a invasão militar desse ‘ponto’ estratégico por forças de Israel, da Grã-Bretanha e de França.

No entanto, por pressão da Organização das Nações Unidas, essas forças foram obrigadas a retirar-se deixando ao Egipto o “caminho livre”.

24/07/2020

D. António, o prior do Crato


Nasceu em 1531 o filho bastardo (ilegítimo) do infante D. Luís – que, por sua vez, foi um dos filhos do rei D. Manuel I –, D. António foi educado por perceptores ‘ligados’ à Igreja Católica e "amantes" das chamadas Artes e Humanidades.

Mas, apesar de ter sido ‘presenteado’ com o priorado do Crato, recusou-se a ‘seguir’ a "vida" eclesiástica.

De facto, participante, anos depois, em combates no Norte de África (onde, de resto, chegou a ser governador de Tânger) e ao lado do rei D. Sebastião na batalha de Alcácer Quibir, assistiu à derrota.

Vencidos os soldados – e a estratégia portuguesa… –, D. António teve, ainda assim, um destino melhor: não perdeu a vida e conseguiu escapar do cativeiro muçulmano.

Regressado a Lisboa, pressentiu o perigo que pairava em torno da independência de Portugal.

Contrariando a ideia de uma espécie de União Ibérica, D. António alinhou ao lado dos independentistas e tentou mesmo tornar-se rei de Portugal.

Mas não conseguiu: depois de derrotado na batalha de Alcântara (em Agosto de 1580), optou por se exilar na ilha Terceira, no arquipélago dos Açores.

Aí tentou, até ao fim dos seus dias – em 1595 – restaurar a independência de Portugal.

Não o conseguiu.