De acordo com o historiador grego Diodorus Sículos, o faraó Ramsés
II havia ordenado a colocação da inscrição "Σπίτι
της Θεραπείας για την Ψυχή" ("Casa
para a Cura da Alma", em português).
Mas foi apenas em 1994
que a UNESCO preparou um manifesto sobre as bibliotecas públicas: "A
liberdade, a prosperidade e o desenvolvimento da sociedade e dos
indivíduos são valores humanos fundamentais. Só serão atingidos
quando os cidadãos estiverem na posse da informação que lhes
permita exercer os seus direitos democráticos e ter um papel activo
na sociedade. A participação construtiva e o desenvolvimento da
democracia dependem tanto de uma educação satisfatória, como de um
acesso livre e sem limites ao conhecimento, ao pensamento, à cultura
e à informação".
Assim, "A
biblioteca pública - porta de acesso local ao conhecimento - fornece
as condições básicas para uma aprendizagem contínua, para uma
tomada de decisão independente e para o desenvolvimento cultural dos
indivíduos e dos grupos sociais".
Concluindo: "Este
Manifesto proclama a confiança que a UNESCO deposita na Biblioteca
Pública, enquanto força viva para a educação, a cultura e a
informação, e como agente essencial para a promoção da paz e do
bem-estar espiritual nas mentes dos homens e das mulheres".
Já em Portugal, foi
apenas em 1987 que se institucionalizou a Rede Nacional de
Bibliotecas Públicas assumindo o Estado, pois, que aquelas se
constituíam como potenciadoras, ao nível local, da divulgação da
informação e do desenvolvimento da literacia.
Ou seja, até 1987, as
'nossas' raras bibliotecas designadas como públicas eram
instituições centenárias, algumas com colecções de grande
raridade e valor histórico, provenientes de instituições
religiosas ou conventos extintos, mas que não correspondiam aos
interesses e necessidades de leitura e informação do público em
geral, tal como há muito eram conhecidas nos países desenvolvidos.
Podia, assim, há poucos
anos, ler-se no sítio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e
das Bibliotecas o seguinte: "A
Rede Nacional de Bibliotecas Públicas,
criada em 1987 e que assinalou no ano passado 30 anos de existência,
integra atualmente 220 Municípios que cobrem globalmente todo o
território, incluindo Portugal Continental, Açores e Madeira".
Ora, creio que qualquer
cidadão português sentirá uma espécie de orgulho sempre que sabe
que Portugal alberga, no seu território, algumas das bibliotecas
consideradas "mais belas do mundo".
Algumas, com efeito,
construídas há séculos como a Biblioteca Joanina (em Coimbra).
No que se refere às
características arquitecturais, sobretudo.
Mas, sendo espaços de
Cultura e de Educação, será importante que esse mesmo cidadão
português orgulhoso se não esqueça "que as pessoas residentes
em Portugal tinham, no ano 2000, uma escolaridade semelhante à dos
residentes na Alemanha do ano 1930 ou na Roménia de 1970" como
o estudo "Benefícios do Ensino Superior" (elaborado pela
Fundação Francisco Manuel dos Santos) concluiu há alguns (poucos)
anos.
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