28/04/2020

Os culpados de sempre?

O escritor turco Orhan Pamuk escreveu um texto de opinião que a edição digital do jornal norte-americano The New York Times publicou no passado dia 23 de Abril (de 2020) com o título "What the Great Pandemic Novels Teach Us".

Já galardoado com o prémio Nobel, o literato está actualmente a trabalhar num romance que tem como "pano de fundo" uma epidemia.

Ora, a ‘construção’ daquele tem-no obrigado a pesquisar o que se escreveu no passado a propósito sobre "pragas".

Percebeu, assim, que aquelas foram (quase) sempre percepcionadas como tendo uma ‘origem’ oriental ou em grupos minoritários (étnicos, por exemplo): de facto, escreveu nesse texto que o imperador romano Marco Aurélio culpou os Cristãos que viviam no Império pela "praga de Antonino" (praga de varíola) uma vez que não aclamavam as divindades romanas.

E em pragas posteriores foram os Judeus: acusados de envenenarem os poços no Império Otomano e na chamada Europa Cristã, estes foram culpados de promoverem o ‘nascimento’ de doenças.

Ou seja, será que a 'identidade' das vítimas que pudessem servir perfeitamente como bodes expiatórios para a existência de epidemias é hoje muito diferente da que era há centenas ou milhares de anos?

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