O
escritor turco Orhan Pamuk escreveu um texto de opinião que a edição
digital do jornal norte-americano The
New York Times
publicou no passado dia 23 de Abril (de
2020) com o título "What the Great
Pandemic Novels Teach Us".
Já
galardoado com o prémio Nobel, o literato está actualmente a
trabalhar num romance que tem como "pano de fundo" uma epidemia.
Ora,
a ‘construção’ daquele tem-no obrigado a pesquisar o que se
escreveu no passado a propósito sobre "pragas".
Percebeu,
assim, que aquelas foram (quase) sempre percepcionadas como tendo uma
‘origem’ oriental ou em grupos minoritários (étnicos, por
exemplo): de facto, escreveu nesse texto que o imperador romano Marco
Aurélio culpou os Cristãos que viviam no Império pela "praga de
Antonino" (praga de varíola) uma vez que não aclamavam as
divindades romanas.
E
em pragas posteriores foram os Judeus: acusados de envenenarem os
poços no Império Otomano e na chamada Europa Cristã, estes foram
culpados de promoverem o ‘nascimento’ de doenças.
Ou
seja, será que a 'identidade' das vítimas que pudessem servir perfeitamente
como bodes expiatórios para a existência de epidemias é hoje muito diferente da que era há
centenas ou milhares de anos?
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