01/09/2020

Um espião em Lisboa

Juan de la Cosa, súbdito dos Reis Católicos Isabel de Castela e Fernando II de Aragão, foi cartógrafo e navegador.

Mas teve também outras ocupações.

Chegou, por exemplo, a ser recrutado pela referida rainha para obter, de forma ilícita, informações em Lisboa.

Ou para, em apenas duas palavras: ser espião.

De facto, ao desempenhar tal missão, conseguiu não apenas colher informações mas também o próprio espírito do lema do seu ‘patrão’: "Tanto Monta" (ou, em português, "É Igual").

Até porque foi, por seu lado, a rainha (filha do rei espanhol João II e da sua segunda mulher, Isabel de Portugal) quem interveio para o livrar da prisão (e de mais embaraços para Espanha…).

Ora, tal actividade ilegal terá permitido, baseando-nos na ‘visão’ de hoje (de 2020, claro) demonstrar duas coisas: a primeira era a importância geopolítica de Portugal (e de Lisboa, evidentemente) no século XVI – recorde-se, por exemplo, as linhas de um poema de um dos mais conceituados poetas portugueses de então, André Falcão de Resende (1527 - 1599) – "É Lisboa um mar profundo; de vária navegação; É um compêndio do mundo; aonde tudo acharão; Ásia, África, Europa"; A segunda era a de que a espionagem e a geopolítica eram, talvez, ‘artes’ inseparáveis.
 
 
 
"Lisboa, compêndio do mundo"
 
 
 

 

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