19/01/2021

Renascimento e censura

"Não basta ao homem desafiar os mares e ir descobrindo o mundo. As certezas da Idade Média já não o satisfazem. Põe questões, interroga-se a si próprio. E sente, de novo, a alegria de ser homem: seguro da beleza do seu corpo e da força das suas capacidades. Na Antiguidade Clássica procura modelos, inspiração e apoios. Com essa antiga sabedoria renasce um homem novo que nada parece poder deter. Os próprios valores religiosos tradicionais são objecto do seu olhar crítico, do seu desejo de reforma".



Recordo que são estas as exactas palavras que um manual escolar em ‘circulação’ no início da década de 1990 utilizou para descrever o chamado Renascimento europeu que teve lugar nos séculos XV e XVI.


Ora, o lema "Ad fontes" (ou, em português, "Ir ao encontro dos clássicos") era o que norteava o humanismo do Renascimento europeu e Erasmo de Roterdão foi um dos seus maiores vultos.


No entanto, este humanismo renascentista tinha um inimigo poderosíssimo: uma das medidas tomadas pelo Concílio de Trento – que se iniciou em 1545 mas que apenas terminou em 1563 – foi a publicação do Índex.


Assim, a circulação e a leitura de obras de muitos pensadores e homens intelectualmente esclarecidos que pretendiam a erradicação da intolerância e da ignorância foram, pura e simplesmente, proibidas.


Autores como os franceses Voltaire e Rousseau viram títulos seus serem incluídos no Índex bem como o próprio Erasmo – ser amigo do português então considerado herege Damião de Góis terá contribuído para essa censura.


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