23/01/2019

"Paine pour joie" e a história pública

Talvez não sejam poucos a saber que, na História de Portugal, nem só uma pessoa – D. Nuno Álvares Pereira – ocupou o cargo de "Condestável". Foram vários, de facto, aqueles que ostentaram esse título sendo que o primeiro foi D. Álvaro Pires de Castro, durante o reinado do rei D. Fernando. Na verdade, ser-se "Condestável de Portugal" significava que se era chefe do exército português e, portanto, uma das mais importantes personalidades da hierarquia do Estado. Assim, e praticamente em meados do século XV, foi nomeado para ocupar esse cargo D. Pedro, filho do Infante D. Pedro e neto de D. João I (o primeiro mestre de Avis). Ora, o Condestável D. Pedro adoptou como lema a expressão francesa "paine pour joie" ("A alegria depois do sofrimento", em português). Tal quereria reforçar que o momento presente se encontraria cheio de situações tristes e desagradáveis mas que os dias vindouros proporcionariam uma intensa 'luminosidade' e, enfim, alegria. Tendo, no entanto, em consideração o facto de D. Pedro ter sido vítima, anos depois, de envenenamento (tal como, de resto, alguns dos seus irmãos), será seguro afirmar que somente a "1.ª parte" desse lema – "paine" – descreveu a sua vida. *** Poucos dias depois de ter visitado a exposição referente a Fernão Lopes, "Guardador das Escrituras que estom na Torre do Castello de Lisboa", patente no edifício do Arquivo Nacional Torre do Tombo (ANTT, em Lisboa), soube que havia sido encontrado para venda num portal digital dedicado a transacções comerciais (OLX, no caso) um documento importante para a História de Portugal: em suporte pergaminho, o documento registando a escritura da entrega do Castelo de Lisboa ao Conde de Barcelos em Janeiro de 1383. Confirmada a sua autenticidade, decidiu o referido ANTT adquiri-lo para lhe dar, depois, uma 'utilidade' pública. Assim, em vez da sua compra por um qualquer particular permitir, apenas e só, uma utiliza ção privada, por assim dizer, o Estado português optou por, ao garantir a sua posse, proporcionar a todos a informação, certamente preciosa, nele presente. Sábia decisão!

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