29/01/2019

Voltarão?

De origem germânica, os Visigodos estabeleceram um império no ‘flanco’ Sul da Europa Ocidental no século V: de facto, na segunda metade do século VI, a Península Ibérica era já o centro do poder visigótico (Leovigildo, rei deste povo, fez mesmo da cidade espanhola de Toledo a sua capital).

Mas, no século VIII, a Península Ibérica foi uma vez mais invadida.

Desta feita por um outro povo vindo do Sul: o Muçulmano (ou Mouro).

Ora, o ano de 2019 marca os oitocentos e trinta anos da conquista de Silves por tropas fiéis ao rei D. Sancho I.

Foi, de facto,  em 1189 que a conquista cristã da cidade até então na posse dos Mouros ocorreu.

Mas não se tratou de uma conquista duradoura pois cerca de dois anos depois, em 1191, os Mouros reconquistaram Silves (a que se lhe 'juntaram' Alcácer do Sal,  Palmela e Almada).

Efectivamente, a totalidade da região do Algarve apenas seria completamente dominada pelos Cristãos - através do rei D. Afonso III - em 1249.

Na verdade, ainda hoje a presença muçulmana se faz sentir e nem sempre traz consigo efeitos positivos: grupos islâmicos da actualidade - como o autoproclamado Estado Islâmico - reivindicam o restabelecimento da referida presença islâmica na Península Ibérica (em que Portugal se inclui, claro) com base naquele seu estabelecimento (antigo, nalgumas áreas da Península, de meio milénio) - o Al-Andaluz.


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Creio que nunca é demais falar na presença muçulmana em Portugal. Peço, por isso, auxílio às instrutivas e sábias explicações do Professor José Hermano Saraiva num programa televisivo por si apresentado (salvo erro, da série "A Alma e a Gente"):


"Como todos sabem, os árabes [eram sobretudo muçulmanos do Norte de África. Árabes vindos da zona do Próximo Oriente eram poucos] iniciam a sua invasão no ano 711 [da chamada era cristã]. Bom, vão rapidamente até ao Norte da Península [Ibérica] porque em 722 (portanto onze anos depois) já é a batalha de Covadonga – Covadonga é a primeira batalha entre cristãos e mouros para a Reconquista. Isso quer dizer que eles em dez anos chegaram de cá de baixo até lá cima. E depois os cristãos tentam reconquistar a Península. Mas não demoraram dez anos. Demoraram setecentos e setenta porque só acabaram a Reconquista com a conquista do Reino de Granada que foi em 1492. (…) Como é que os mouros demoram dez anos a ‘apanhar’ a terra toda e os cristãos demoram setecentos e setenta a recuperá-la? (…) Há uma fábula – a fábula do avarento e dos ladrões – o avarento levava um burro com as albardas pesadíssimas com todo o seu ouro, e nessa altura vinham lá os ladrões e o avarento disse ao burro: "foge, foge, que vêm lá os ladrões". E o burro perguntou: "mas vou fugir… o que é que eles me fazem?". "Opá, põem-te umas albardas…". "Assim como estas?". "Sim, como essas!". "Então tanto me faz. Albarda por albarda tanto me faz ser burro de um ladrão como burro de um avarento...".
Ora, é isso que acontece com a invasão árabe: quando os árabes chegam as populações não são livres. Não se pense isso. Estão sob o domínio pesadíssimo dos senhores visigóticos que são sustentados pelas populações (têm pesados tributos) – são os visigodos a origem da nobreza … –. Ora bem, os árabes são muito menos exigentes: cobram um tributo mais leve.
(…) Então e a religião? Eles passam assim do Cristianismo para o Islamismo? Não, não passam coisa nenhuma porque os invasores tinham inteligência de ser tolerantes: quem quisesse continuar cristão continuava cristão, a igreja continuava aberta, os sacerdotes continuavam a dizer missa. Era preciso, é claro, era pagar um impostozito...o que fazia com que as autoridades árabes até preferissem que a população continuasse cristã que era maneira de guardarem o imposto (de outra maneira não ganhavam nada). Bom, isso é que explica que as populações aceitaram como uma libertação a vinda dos árabes. E, depois, quando os senhores visigodos voltaram aceitaram isso – a Reconquista – como um regresso à opressão. E há inúmeras revoltas dos povos que os visigodos diziam que libertavam mas que, realmente, se revoltavam contra os seus senhores. (…) Contra os seus próprios senhores.
Bom, é isso que explica que, realmente, há regiões da Península onde a dominação árabe durou muito tempo – no Sul durou mais de sete séculos; no Norte durou poucas dezenas de anos"....


Portugal esteve sob a 'influência' muçulmana desde o ano 711 até 1249.




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Assim, séculos depois de um manuscrito ter previsto a conquista da Europa pela "espada do Islão", parece que uma nova era da "jihad" internacional despontou pois Portugal faz parte dos planos do Estado Islâmico com a pretendida recuperação do "Al-Andaluz" de antanho.


E há dúvidas de que caso o Estado Islâmicooriginal’ desapareça um outro qualquer Estado Islâmico irá ocupar o seu lugar e adoptar o conceito expresso no seu lema "البقية والتتعماد" ("Resistência e Expansão", em português)?





 

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