16/04/2019

A identidade étnica

O filósofo norte-americano William James afirmou, há muitos anos, que "quando duas pessoas se encontram há, na verdade, seis pessoas presentes: cada pessoa como se vê a si mesma, cada pessoa como a outra a vê e cada pessoa como realmente é".


Ora, creio que estando ainda em fase de ponderação pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) a inclusão, no próximo recenseamento populacional, de uma questão sobre a pertença étnica dos respondentes, penso que também a 'validade' científica das respostas obtidas deveria ser bastante ponderada e, enfim, relativizada, em virtude do facto de que elas dependerão sempre das características sociais, económicas e, sobretudo, psicológicas e culturais de quem as der.


Ou seja, de um ser humano. 


Não sendo eu um especialista, resta-me colocar questões: se eu,  português autóctone, me 'classificar' como branco - comparando-me com alguém com um fenótipo (a cor da pele) mais escuro do que o meu, por assim dizer -, continuará esta auto-classificação a ser cientificamente rigorosa se me comparar com alguém cujo 'tom' de pele é mais 'claro' do que o meu?


Ou existirão hipóteses de respostas do tipo "cor branca, grau 1", "cor branca, grau 2" ou "cor branca, grau 3", por exemplo? 


E "cor negra, grau 1", "cor negra, grau 2" ou "cor negra, grau 3", também por exemplo? 


E como responderia também alguém nascido na Ásia: "cor amarela, grau 1", "cor amarela, grau 2" ou "cor amarela, grau 3", ainda como exemplo?


Ou seja, não me parece que as limitações científicas fossem poucas...

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