Ainda
não há muito tempo me referi ao facto de um determinado manual
escolar actualmente "em vigor" em Portugal não ser
cientificamente rigoroso no que à Inquisição se referia.
Não
querendo, efectivamente, generalizar essa ‘insuficiência’ aos
manuais escolares ‘dedicados’ à História ou sequer aos manuais
escolares de apoio a outras disciplinas, pretendo invocar o que
parece ter sido um perfeito exemplo dessa ‘insuficiência’ que
‘recebi’, enquanto estudante do então ensino preparatório
(no 6.º ano de escolaridade, se não estou em erro), em relação a
Macau.
Ora,
o manual escolar que me serviu de apoio no início da década de 1990
na disciplina de História ‘forneceu’ um mapa em que se indicavam
os principais locais de fixação e de comércio dos portu-
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| Veja-se, por exemplo, a localização geográfica de Macau... |
-gueses na
costa oriental africana e no Oriente (na Ásia, pois) à data da morte do rei D.
Manuel I, em 1521. Penso, até, que a falta de rigor com que
assinalou a localização geográfica de Macau poderá ter
contribuído para a crítica que, em 2004, o então subdirector dos
Serviços de Turismo daquele território chinês teceu: Portugal
nunca teve a exacta noção do que era Macau.
Creio,
de resto, que só este desconhecimento podia – e pode – explicar
o facto de em Portugal alguns invocarem palavras como compreensão
e entendimento para descreverem a relação secular entre
portugueses e chineses em Macau: a verdade é que, em quase cinco
séculos de presença portuguesa em Macau, portugueses – e
chineses, claro – raramente se ‘cruzaram’ com os modos de ser e
estar do Outro uma vez que, salvo raríssimas excepções, nem
sequer tinham aprendido a cumprimentar-se nas suas línguas
‘maternas’.

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