03/07/2019

História para venda

O lema "Sic Parvis Magna" (ou, em português, "De Pequeno Se Fez Grande") foi atribuído ao corsário Francis Drake pela própria rainha inglesa Isabel para aludir ao seu humilde ‘começo’ de vida.

Assim, o corsário ao serviço da Coroa inglesa e que se tornaria enquanto tal no segundo homem, depois do português Fernão de Magalhães, a fazer a circum-navegação do globo terrestre, e um dos principais obreiros da derrota infligida à Invencível Armada espanhola, obteve o reconhecimento maior.

Mas, muitos séculos após a sua morte, talvez a sua memória não fique maior se nos lembrarmos que, há cerca de um ano, no Reino Unido evidentemente, foi 'colocada' para venda...uma ilha: a ilha de Drake.

Portando o apelido do famoso navegador e corsário inglês Francis Drake, assim se chamava a ilha britânica (localizada no Sudoeste de Inglaterra) que então se encontrava para venda.

Ou, como dizem por esses lados, "for sale".

Assim, desde que desembolsasse perto de sete milhões de euros, qualquer pessoa poderia adquirir um pouco da história do país já que esta ilha (com uma dimensão pouco maior do que dois hectares) havia sido um importante bastião (fortificada no século XVII) na defesa da costa britânica.

‘Converteu-se’, mais tarde, numa prisão de Estado.

Ora, admito a minha perplexidade ao ler aquela ‘notícia’.

Que não era tributária, no entanto, do facto de ser uma novidade na Europa (ou no mundo…).

Tal deveu-se, na verdade, ao facto de que, em minha opinião evidentemente, tal venda extravasava a simples venda de património físico: era, sim, a venda de uma parte da História de um país. E de pessoas.

Compreendo que, numa época em que tudo parece ter um preço e, assim, se pode vender e comprar (como escreveu o sociólogo norte-americano Immanuel Wallerstein, "A razão de ser do capitalismo é a eterna acumulação de capital"), a alienação de património histórico e cultural mais não seja do que uma venda de um bem como qualquer outro.

Percebo mas desprezo este tipo de atitude pelo que não abdico de pensar que o mundo precisa urgentemente de verdadeiros líderes que, por serem isto mesmo, respeitem a História como um dos ‘pilares’ identitários essenciais do ser humano.

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