29/08/2019

Tão 'perto' e tão 'longe'

Segundo um texto que li há alguns anos, um estudo havia ‘descoberto’ que a maioria dos utilizadores de telemóveis "inteligentes" (os chamados "smartphones") residentes nos países considerados ricos em termos económicos interagia com esses mesmos aparelhos cerca de 2600 vezes em cada dia.
Concluí, assim, que essa maioria ‘mexia’ nos seus telefones portáteis 108 vezes por hora e quase duas vezes a cada segundo que passa.

Não pensei estar entre esta maioria de cidadãos mas, admitindo eu a validade científica de tal descoberta, o estudo provava, desde logo, o quão dependentes os habitantes dos países mais ricos estavam da tecnologia e, seguramente, viciados por ela.

Mas também provava uma outra ‘coisa’.

Por sinal, bem mais paradoxal e sinistra.

A de que, num momento histórico em que me parece que nunca existiram tantas oportunidades de contacto com o Outro – a época da chamada globalização – vivíamos (e vivemos) tão sós.

Ora, talvez a solidão seja mesmo o preço a pagar por tanto (ilusório...) conforto.

Sem comentários: