18/02/2020

O destruidor fiel

O lema do estado alemão da Baviera antes do termo da I Guerra Mundial era "In Treue fest" (ou, em português, "Firme na Lealdade").

Embora não tenha a (absoluta) certeza se era este ou não o lema na Alemanha na "segunda metade" do século XVI, o livro que o historiador Joel Harrington na Universidade de Vanderbilt (no estado norte-americano Tennessee) publicou há cerca de seis anos sobre a vida de um carrasco de profissão, Frantz Schmidt, oriundo desse estado germânico, não hesitou em classificá-lo de fiel: "The Faithful Executioner: Life and Death, Honor and Shame in the Turbulent Sixteenth Century" (livro não traduzido em português).

Ora, a exposição "Instrumentos Europeus de Tortura e Pena Capital – Desde a Idade Média até ao Século XIX" que o Palácio das Galveias, em Lisboa, acolheu no fim da década de 1990 permitiu aos visitantes perceberem melhor uma dimensão dessa firmeza e dessa lealdade e terá também permitido, sobretudo, colocarem uma só questão a si próprios: como é que o espírito humano pode inventar instrumentos para, fisicamente, torturar o Outro e, espiritualmente, destrui-lo inteiramente?

De facto, como escreveu o astrofísico canadiano Hubert Reeves no seu "Malicorne": "No pequeno Homo Sapiens tudo é excessivo. Nele, intimamente misturados, estão o sublime e o horrível. Há nele, em potência, Wolfgang Amadeus Mozart e Adolf Hitler".

Sem comentários: