21/02/2020

Paris e André de Gouveia

Saber ler e escrever era, na chamada Idade Média europeia, privilégio de poucos: o único grupo social com acesso à Cultura era o clero.

No entanto, a partir do século XII, e a pouco e pouco, as coisas foram mudando: a crescente complexificação da actividade social, económica e cultural das cidades implicava a necessidade de saber cada vez mais.

Assim surgiram as Universidades.

A primeira surgiu em Itália mas depressa se espalharam por praticamente todos os países da Europa.

A de Paris, por exemplo.

Que cresceu, naturalmente.

De facto, se a França é o país mais visitado do mundo, a Universidade de Paris acolhe hoje cerca de cento e vinte mil estudantes: não terá sido por mero acaso que o lema daquela tenha sido, até há não muitos anos, "Hic et Ubique Terrarum" (ou, em português, "Aqui e em Todo O Lado Na Terra").

Hoje, o lema já não é o mesmo mas o conceito é: "Hic et Ubique Mundi" ("Aqui e em Todo O Lado No Universo", em português).

Ora, foi de Portugal, precisamente, que, no século XVI, o então estudante André de Gouveia se dirigiu para Paris para aí prosseguir os seus estudos.

Para se tornar, anos depois, no reitor da Universidade de Paris.

Mas, cinco séculos passados, não é apenas o seu nome que a Casa de Portugal que se situa no "campus" da Cidade Universitária Internacional de Paris evoca – Casa de Portugal André de Gouveia.

É, também, o seu exemplo.

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