29/03/2019

O "Brexit" e a falta de visão

Declarou, há dias, no seu programa televisivo "GPS" (transmitido pela 'cadeia' CNN), o escritor e jornalista norte-americano (de ascendência indiana) Fareed Zakaria, o seguinte:


"O Brexit [a saída, por assim dizer, do Reino Unido da União Europeia] ditará o fim do país como uma grande potência. E pergunto a mim mesmo também se o seu fim não significará igualmente o princípio do fim do próprio 'Ocidente' como entidade política e estratégica.".


Ora, creio que a esmagadora maioria dos 'actores' políticos actuais - no Reino Unido e não só - não conseguiria responder assertivamente a estas inquietações já que não me parece de todo que se tenham apercebido de que o que poderá estar em causa com o "Brexit" é a própria 'manutenção' de um certo tipo de ordenamento geopolítico que governou o mundo nos últimos séculos.

E é esta 'falta de visão' o único motivo para a minha apreensão.

28/03/2019

O Museu da Literatura Portuguesa

Uma proposta oriunda de um partido político há dias apresentada numa reunião da autarquia portuense recomendou ao executivo da cidade a compra da casa onde há 220 anos nasceu o escritor e político João Baptista da Silva Leitão de Almeida Garrett com o intuito de a transformar num pólo museológico.

Relembro que tal casa se localiza actualmente na rua Dr. Barbosa de Castro.

De facto, não creio que também a casa onde, em Setúbal, nasceu Manuel Maria Barbosa du Bocage - outra incontornável figura do 'universo' literário português - seja um pólo museológico (ou que tivesse sequer sido alguma vez apresentada a proposta de o ser): existe um "Museu Bocage", sim, mas nada mais é do que uma secção (de zoologia e de antropologia, por sinal) do Museu Nacional de História Natural em homenagem a um zoólogo (José Vicente Barbosa du Bocage)...

Ora, penso que seria igualmente um excelente modo para homenagear Almeida Garrett e Bocage - para além de muitas outras personalidades (e o seu trabalho, claro) - a construção de um Museu da Literatura Portuguesa.

27/03/2019

Recuar no tempo

Zaya S. Younan, empresário norte-americano (de ascendência iraniana) dono de uma 'cadeia' hoteleira, afirmou, há alguns anos, que "todos merecem, pelo menos uma vez, ficar alojados num castelo, recuar no tempo e viver como a realeza".

Autopromoção, portanto.

Seja como for - e não tendo eu a mínima pretensão de falar por todos -, limito-me a dizer, escrevendo, que estou constantemente a, apenas e só, "recuar no tempo"...

26/03/2019

Jack, o Estripador

A partir de fragmentos de ADN (ácido desoxirribonucleico) e de estudos genéticos, cientistas britânicos pensam ter conseguido desvendar um mistério com mais de cem anos: quem era Jack, o Estripador.

Ora, o famoso assassino 'em série' do bairro londrino de Whitechapel seria, assim, Aaron Kosminski, emigrante polaco (barbeiro de profissão) com pouco mais de 20 anos de idade à data dos factos.

No entanto, estes resultados - recentemente publicados no "Journal of Forensic Sciences" - nada mais são do que prováveis pois algumas pistas obtidas através da Genética já não permitem ensaiar conclusões definitivas, passe a redundância.

Mas, de facto, mais de um século passado sobre os crimes em causa, que "força" terá a descoberta da verdadeira identidade de um indivíduo para alterar uma determinada interpretação da História e, até, para condicionar aquela que o será?


25/03/2019

Difícil e lenta

Pela segunda vez no espaço temporal de cinco anos a redução dos preços do petróleo nos mercados financeiros internacionais 'sugeriu' aos produtores membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (a OPEP) a conclusão de que seria necessário baixar a quantidade disponível de "ouro negro" nesses mesmos mercados mundiais para garantir uma espécie de estabilização dos preços em questão.

Resultado: menos 1,2 milhões de barris de petróleo para o mundo, por assim dizer, consumir todos os dias.

Para além daqueles que também foram, entretanto, 'cortados' por países não-membros da OPEP (como a Rússia, por exemplo).

De qualquer modo, segundo dados disponibilizados pela agência norte-americana de Administração de Informação de Energia, a China tornou-se, em 2017, o maior importador mundial de petróleo com 8,4 milhões de barris diários 'ultrapassando' os Estados Unidos da América que, nesse ano, consumiram, todos os dias, 7,9 milhões de barris de petróleo.

Ou seja, apenas dois países importaram (ou melhor, consumiram), num ano, mais de 16 milhões de barris de petróleo diariamente.

Ora, se se pensar que a capacidade de um barril é de cerca de cento e cinquenta litros, 16 milhões de barris correspondem a 2400 milhões de litros de petróleo gastos a cada dia por estes dois países.

Mas há mais países...

Tais dados permitirão, assim, creio, ensaiar duas conclusões imediatas: a primeira é a de que quaisquer mudanças de hábitos de consumo e, enfim, de vida dos seres humanos, serão sempre extremamente difíceis de introduzir e a segunda é a de que esta introdução será sempre muito lenta.

Infelizmente.



***



Há precisamente vinte anos – em 24 de Março de 1999 –, aviões pertencentes à Organização do Tratado do Atlântico Norte (a OTAN, em língua portuguesa, e a NATO, em língua inglesa) começaram a bombardear a capital da Sérvia, Belgrado, argumentando com a situação então vivida pelo Kosovo. Em consequência, terão morrido duas mil e quinhentas pessoas.
 

23/03/2019

O Iluminismo

Não foi há muito tempo que aqui evoquei um 'episódio' a propósito da Enciclopédia (primeiramente publicada em 1751).

Ora, o filósofo francês Denis Diderot escreveu, precisamente na Enciclopédia, o seguinte:


" Nenhum homem recebeu da Natureza o direito de dirigir os outros. A liberdade é um presente do céu e cada indivíduo tem o direito de a utilizar como quiser tal como utiliza a razão. (...) A autoridade provém, geralmente, de duas fontes: da força e da violência dos que dela se apoderaram ou do consentimento daqueles que a ela se submeteram. (...) O poder que se baseia na violência não é mais do que uma usurpação e só durará enquanto durar a força do usurpador e a submissão dos dominados. Quando estes sacodem o jugo do tirano e o expulsam fazem uso de um direito legítimo (...). O poder que deriva do consentimento do povo pressupõe a existência de regras que o tornam legítimo (...). O príncipe recebe dos seus súbditos a autoridade que exerce sobre eles e esta autoridade é limitada pelas leis da Natureza e do Estado.".



O rei Frederico II de pé e o filósofo Voltaire sentado... ("Frederico e Voltaire numa Sessão de Estudo em Sanssouci"; gravura de N. A. Monsiau e P. C. Baquoy).

22/03/2019

O Motim das Maçarocas

Porto, 1628.

Foi exactamente nesta cidade e nesta data que se verificou uma revolta contra um imposto criado pelo governo que então mandava em Portugal - o do espanhol Filipe III.

Uma revolta contra o imposto sobre a fiação do linho.

De facto, as mulheres que, no Porto, se 'dedicavam' a este ofício rebelaram-se não apenas contra este imposto mas, também, contra a pessoa que detinha a força legal para o cobrar - um tal de Francisco de Lucena: "sofreu um desaire quando foi encarregado de ir ao Porto para pôr em execução um novo imposto, pois este provocou tumultuosa arruaça das regateiras que, tendo-o encontrado, o obrigaram a fugir." (Fonte: "Dicionário de História de Portugal" com a direcção de Joel Serrão).




Post scriptum: Francisco de Lucena foi, mais tarde, julgado e condenado à morte acabando por ser degolado em Abril de 1643.