06/05/2023

Que rei? (parte I)

Talvez seja geopoliticamente importante para a monarquia britânica - e para o próprio rei Carlos III (que irá ser coroado hoje, dia 6 de Maio) - 'aproximar-se' mais da "Commonwealth" (espécie de comunidade política, social e cultural em torno da língua inglesa) do que os anteriores monarcas. "Talvez", pois, já que não sou nem analista político, nem comentador. Ora, se for este o "caminho" escolhido, não creio ser muito provável que o rei Carlos III tenha como modelo institucional o reinado de Ricardo I já que este não chegou a passar sequer um ano dos dez em que foi "Rei de Inglaterra" (entre 1189 e 1199) em....Inglaterra, precisamente. -------------- Parece-me, no dia desta coroação, ser oportuno lembrar as palavras que escrevi aqui no blogue no passado dia 19 de Setembro de 2022 - em "O rei Carlos e a firma inglesa": "Num momento em que os restos mortais de Isabel II estão prestes a ser sepultados, volto a escrever a instituição monárquica britânica para lembrar o seguinte: a) eis o que sublinhou o discurso pronunciado pelo então "príncipe Carlos" na reunião de chefes de governo dos países membros da "Commonwealth" ocorrida na capital do Ruanda, Kigali, já em 2022: "quero reconhecer que as raízes da nossa associação [a "Commonwealth", precisamente] podem ser encontradas no período mais sombrio da nossa história [o da escravatura]. Já que não sou capaz de descrever a envergadura do meu arrependimento, continuarei a aprofundar o meu entendimento sobre o impacto da escravatura"; b) "A Firma" foi a expressão inventada pelo rei "Jorge VI" - pai de Isabel II e avô do actual "Carlos III" - para descrever a gestão empresarial da já então imensa riqueza material da família real britânica ("auto-gestão", por assim dizer): por exemplo, com um acervo de cerca de duzentas mil peças, a realeza britânica é a "maior" coleccionadora privada de arte em todo o mundo".

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