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08/05/2023

Que rei? (parte III)

Um dos actos subjacentes à cerimónia de coroação do rei "Carlos III" foi o juramento a Deus de que iria reinar de acordo com a Lei. Mas não só. Jurou também, com efeito, proteger a fé e defender a Igreja de Inglaterra. No entanto, fez esta proclamação junto de representantes das religiões judaica, sikh, hindu, muçulmana e budista. Que responderam com palavras comprometidas com o respeito – e, portanto, um espírito ecuménico – perante todas as outras crenças religiosas. Para além de que muitas das palavras pronunciadas na cerimónia de entronização de "Carlos III" o foram nas línguas das quatro nações que ‘compõem’ o Reino Unido: a inglesa (de Inglaterra), o galês (do País de Gales), o gaélico escocês (da Escócia) e o gaélico irlandês (da Irlanda do Norte). Ora, pelo menos oralmente, espírito plural e democrático!

07/05/2023

Que rei? (parte II)

Ascendeu ontem ao trono britânico um novo monarca. Ora, não é apenas o Reino Unido que, na Europa e no mundo, tem um regime político monárquico (por assim dizer): existem, actualmente, quarenta e três regimes monárquicos em "vigor" no mundo. Sendo que são cinco as monarquias constitucionalmente absolutas (isto é, em que todo o poder político está concentrado numa só pessoa): a do Brunei Darussalam, a de Omã, a da Arábia Saudita, a do Vaticano e a de Eswatini (antes, a "Suazilândia"). ------------------ "Carlos III" – o 40.º monarca a ser coroado na abadia de "Westminster", bem como o mais velho a ser coroado "rei" – não é apenas o novo rei do Reino Unido. É-o, na verdade, noutros catorze países. Mas, continuarão a ser quatorze no fim do seu reinado? Ora, foi em Novembro de 2021 que "Barbados" cessou a sua ligação à coroa britânica (o que faz deste pequeno país caribenho a mais recente república no mundo). E a "Jamaica" e o "Belize" já vieram também anunciar a sua vontade de desvinculação do sistema britânico.

06/05/2023

Que rei? (parte I)

Talvez seja geopoliticamente importante para a monarquia britânica - e para o próprio rei Carlos III (que irá ser coroado hoje, dia 6 de Maio) - 'aproximar-se' mais da "Commonwealth" (espécie de comunidade política, social e cultural em torno da língua inglesa) do que os anteriores monarcas. "Talvez", pois, já que não sou nem analista político, nem comentador. Ora, se for este o "caminho" escolhido, não creio ser muito provável que o rei Carlos III tenha como modelo institucional o reinado de Ricardo I já que este não chegou a passar sequer um ano dos dez em que foi "Rei de Inglaterra" (entre 1189 e 1199) em....Inglaterra, precisamente. -------------- Parece-me, no dia desta coroação, ser oportuno lembrar as palavras que escrevi aqui no blogue no passado dia 19 de Setembro de 2022 - em "O rei Carlos e a firma inglesa": "Num momento em que os restos mortais de Isabel II estão prestes a ser sepultados, volto a escrever a instituição monárquica britânica para lembrar o seguinte: a) eis o que sublinhou o discurso pronunciado pelo então "príncipe Carlos" na reunião de chefes de governo dos países membros da "Commonwealth" ocorrida na capital do Ruanda, Kigali, já em 2022: "quero reconhecer que as raízes da nossa associação [a "Commonwealth", precisamente] podem ser encontradas no período mais sombrio da nossa história [o da escravatura]. Já que não sou capaz de descrever a envergadura do meu arrependimento, continuarei a aprofundar o meu entendimento sobre o impacto da escravatura"; b) "A Firma" foi a expressão inventada pelo rei "Jorge VI" - pai de Isabel II e avô do actual "Carlos III" - para descrever a gestão empresarial da já então imensa riqueza material da família real britânica ("auto-gestão", por assim dizer): por exemplo, com um acervo de cerca de duzentas mil peças, a realeza britânica é a "maior" coleccionadora privada de arte em todo o mundo".

19/09/2022

O rei Carlos e a firma inglesa

Num momento em que os restos mortais de Isabel II estão prestes a ser sepultados, volto a escrever a instituição monárquica britânica para lembrar o seguinte: a) eis o que sublinhou o discurso pronunciado pelo então "príncipe Carlos" na reunião de chefes de governo dos países membros da "Commonwealth" ocorrida na capital do Ruanda, Kigali, já em 2022: "quero reconhecer que as raízes da nossa associação [a "Commonwealth", precisamente] podem ser encontradas no período mais sombrio da nossa história [o da escravatura]. Já que não sou capaz de descrever a envergadura do meu arrependimento, continuarei a aprofundar o meu entendimento sobre o impacto da escravatura"; b) "A Firma" foi a expressão inventada pelo rei "Jorge VI" - pai de Isabel II e avô do actual "Carlos III" - para descrever a gestão empresarial da já então imensa riqueza material da família real britânica ("auto-gestão", por assim dizer): por exemplo, com um acervo de cerca de duzentas mil peças, a realeza britânica é a "maior" coleccionadora privada de arte em todo o mundo.

15/09/2022

O ouro do Brasil em Inglaterra

Foi já há alguns - poucos - anos que, no Reino Unido, foram descobertas várias dezenas de moedas de ouro em uso nos séculos XVII e XVIII. Na sequência de trabalhos de construção civil numa casa (também ela centenária). Ora, uma dessas moedas era uma "moeda brasileira" que 'circulou' em Inglaterra na segunda década do século XVIII. Recordo que o Brasil desse tempo (por assim dizer) era uma entidade sem qualquer autonomia que não, pois, no 'aspecto' territorial já que era colónia de Portugal - em que reinava D. João V. Post scriptum: já referi num texto publicado aqui no blogue "Carlos III". Aproveito, por isso, para lembrar que, quer "Carlos I", quer "Carlos II", reinaram em Inglaterra no século XVII: o primeiro entre 1625 e 1649 e o segundo entre 1660 e 1685. Foi, de resto, "Carlos II" quem casou, em 21 de Maio de 1662, com D. Catarina de Bragança (filha do monarca português D. João IV).

09/09/2022

"A rainha morreu. Viva o rei!"

Morreu ontem a monarca do Reino Unido. Rainha desde 1952: durante sete décadas, portanto. Ou seja, Isabel II reinou cerca de sete por cento do tempo total de vigência de um regime - o monárquico - com um milénio de existência. Sete décadas que correspondem, aliás, a um "jubileu". Festejado já em 2022. Foi também em 2022 que a banda musical britânica "Sex Pistols" assinalou já os quarenta e cinco anos do 'lançamento' do álbum "God save the Queen" reeditando-o. Apesar de o seu título corresponder ao do hino nacional do Reino Unido, o álbum foi - e é, pois - uma espécie de clamor antimonárquico. Para além de os seus intérpretes terem, entretanto, sublinhado o carácter não-humano de Isabel II. Ora, a sua morte veio provar que não… Post scriptum: é o seu filho Carlos - que reinará com o nome "Carlos III" - quem assegurará a continuidade temporal de um regime que, desde 1689 com a "Bill of Rights" (ou a "Declaração dos Direitos", se se preferir), é uma "monarquia parlamentar" (e "hereditária" também): é a/o monarca que reina mas é a/o primeira/o-ministra/o (indigitada/o pela/o rainha/rei tendo em consideração a maioria parlamentar) quem governa.