O território de Atenas ocupou toda a península da Ática.
Ou seja, cerca de 2650 km2.
Tal dimensão tornou-a na maior das Cidades-Estados da Grécia.
Mas a sua grandeza não foi apenas territorial.
De facto, Atenas conseguiu tornar-se na mais importante das pólis gregas porque a sua organização política - e social - foi 'seguida' por muitos outros Estados*.
A Atenas dos séculos V e IV a.C. logrou também tornar-se no maior centro de Cultura (na Europa, claro).
Não creio, de resto, que seja 'obra' do acaso que Keramikos, em Atenas, tenha sido já considerada a mais extensa necrópole da Antiguidade grega já que terá sido 'utilizada' entre 3000 anos a.C. e o sexto século depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo.
Por tudo isto, julgo que é justo qualificar Atenas como o "modelo de civilização helénica"!
* Muitos dos próprios Atenienses teriam consciência da influência que a 'sua' Cidade exercia sobre outras Cidades do 'mundo' grego: Péricles, um dos 'grandes' políticos de Atenas, chegou a afirmar num dos seus discursos ser "a nossa Cidade a escola da Grécia".
03/06/2019
Atenas e a civilização helénica
01/06/2019
D. Dinis e a fronteira de Portugal
Dizia
um pequeno texto que há algum tempo encontrei no Museu do
Dinheiro, em Lisboa, o seguinte:
"Com
apenas 17 anos, D. Dinis (1261-1325)
iniciou um longo reinado que o consagrou como um dos monarcas de
maior relevância na sua época. Fixou
as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da
Europa, e impulsionou estrategicamente o comércio nacional e
internacional. A ele se deveu a grande importância dada, nesta
época, ao ensino, à língua portuguesa e à cultura – merece
destaque o vasto legado trovadoresco da sua autoria".
Ora,
devo relembrar que a este interesse pela cultura e pela língua
portuguesa não foi seguramente alheio o facto de D. Dinis ter sido o
primeiro rei português que sabia ler…
Mas
quero dizer, também, algumas coisas em relação à frase "Fixou
as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da
Europa".
Fixou,
efectivamente, a fronteira de Portugal nos últimos anos do século
XIII mas tal não significa que a sua configuração seja a mais
antiga da Europa.
Ou
seja, isso não será, pura e
simplesmente, exacto.
Se,
de facto, o tratado de Zamora, assinado, em Outubro de 1143, por D.
Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, levou
ao "nascimento" daquele
que pode ser, actualmente, considerado um dos mais antigos
Estados-nação do mundo, o tratado de Alcanizes, por sua vez, tendo
sido assinado em 1297 por D. Dinis e por D. Fernando de Leão e
Castela "definiu os limites do território continental português,
que não tiveram alteração posterior, à exceção da perda de
Olivença em 1801", como refere um artigo de apoio do portal
Infopédia.
Ou
seja, o facto de se 'encarar' a configuração fronteiriça
portuguesa como a mais antiga da Europa só é válido se se considerar que os quinhentos e quatro anos que mediaram 1297 e 1801 era a ‘duração’, em 1801,
mais antiga na Europa relativamente à configuração fronteiriça de
um dado país não sendo, pois, correcto nem verdadeiro considerar-se
que Portugal tem as fronteiras mais bem definidas – no que se
refere à sua antiguidade – no continente europeu (de 1297 até
hoje, 1 de Junho de 2019) "esquecendo-se" o roubo e a não
devolução (com ou sem aspas) de Olivença…
31/05/2019
Quem foi melhor?
O
presidente norte-americano Abraham Lincoln foi já considerado pela
maioria dos indivíduos que responderam a uma sondagem (ou inquérito)
como o melhor presidente de sempre dos Estados Unidos da América.
Ora,
creio que nunca participaria em votações deste género porque
reconheço as minhas imensas dificuldades para, por exemplo, dizer
que, em Portugal, a/o rainha/rei X foi a/o melhor monarca
portuguesa/português de sempre ou que Y foi a/o pior monarca
portuguesa/português (ou presidente da República) de ‘todos os
tempos’.
Reconheço,
por isso, que tais "rankings"
são – como quase todos, aliás – muito subjectivos e (muito)
pouco objectivos…
Limito-me,
assim, a relembrar as e os 33 monarcas portugueses (e seus respectivos
reinados) após, claro, ter recorrido a alguns manuais que me
acompanharam enquanto estudante para não correr o risco de que
alguma personalidade ficasse esquecida.
Dinastia
Afonsina
-
D. Afonso Henriques (de 1143 a 1185);
-
D. Sancho I (de 1185 a 1211);
-
D. Afonso II (de 1211 a 1223);
-
D. Sancho II (de 1223 a 1248);
-
D. Afonso III (de 1248 a 1279);
-
D. Dinis (de 1279 a 1325);
-
D. Afonso IV (de 1325 a 1357);
-
D. Pedro I (de 1357 a 1367);
-
D. Fernando (de 1367 a 1383);
Período
de turbulência política (e social)
Dinastia
de Avis (ou Aviz)
-
D. João I (de 1385 a 1433);
-
D. Duarte (de 1433 a 1438);
-
D. Afonso V (de 1438 a 1481)
Como
só tinha seis anos de idade, a regência do Reino foi assegurada,
primeiro, por sua mãe, D. Leonor, e, depois, pelo seu tio, D. Pedro;
-
D. João II (de 1481 a 1495);
-
D. Manuel I (de 1495 a 1521);
-
D. João III (de 1521 a 1557);
-
D. Sebastião (de 1557 a 1578)
Como
tinha só três anos de idade, a regência do Reino foi assegurada,
primeiro, por sua avó, D. Catarina, e, depois, pelo seu tio-avô
cardeal D. Henrique;
-
Cardeal D. Henrique (de 1578 a 1580);
Período
de turbulência política (e social)
Dinastia
Filipina (ou castelhana)
-
Filipe II de Espanha (o I.º de Portugal) (de 1581 a 1598);
-
Filipe III de Espanha (o II.º de Portugal) (de 1598 a 1621);
-
Filipe IV de Espanha (o III.º de Portugal) (de 1621 a 1640);
Período
de turbulência política (e social): restauração da independência
de Portugal
Dinastia
de Bragança
-
D. João IV (de 1640 a 1656);
-
D. Afonso VI (de 1656 a 1683)
Como
só tinha treze anos de idade, a regência do Reino foi assegurada
por sua mãe, D. Luísa de Gusmão;
-
D. Pedro II (de 1683 a 1706);
-
D. João V (de 1706 a 1750);
-
D. José I (de 1750 a 1777);
-
D. Maria I (de 1777 a 1816)
No
entanto, em virtude de ter enlouquecido, foi o seu filho D. João
quem assumiu, a partir de certo momento, a regência do Reino;
-
D. João VI (de 1816 a 1826);
-
D. Pedro IV (1826)
Período
de turbulência política (e social): estando D. Pedro IV no Brasil,
nomeou como regente de Portugal a sua irmã, Infanta Isabel Maria.
Para além do mais, abdicou D. Pedro IV a favor da sua filha, D.
Maria II, que havia casado com o seu tio, D. Miguel, através de uma
procuração. Este acabou por proclamar-se "rei absoluto"
desencadeando uma guerra civil;
-
D. Maria II (de 1834 a 1853);
-
D. Pedro V (de 1853 a 1861)
Como
era menor de idade, por assim dizer, a regência do Reino foi
assegurada por seu pai, D. Fernando;
-
D. Luís (de 1861 a 1889);
-
D. Carlos (de 1889 a 1908);
-
D. Manuel II (de 1908 a 1910, ano
da implantação da República em
Portugal).
30/05/2019
Joana d'Arc e Antónia Rodrigues
Com cerca de dezoito anos de
idade, Joana d’Arc foi executada em 30 de Maio de 1431 em Rouen (na
região francesa da Normandia).
A
vida – e a morte – de Joana não podem, na verdade, ser
‘separadas’ do contexto geopolítico da época: combatente, pela
França, no sentido de expulsar os soldados ingleses na Guerra dos
Cem Anos, foi presa e, depois, sentenciada na base de inúmeras
acusações convenientemente construídas pela Igreja Católica
(através, por exemplo, do próprio bispo de Beauvais).
Ora,
a sentença que a condenou à morrer na fogueira acabou por ser, mais
de vinte anos depois da sua morte, anulada pelo representante do
Estado francês – Carlos VII – com o apoio da referida Igreja
Católica e mesmo canonizada em 1920 (ou seja, por quem quase
quinhentos anos antes a havia condenado).
E
foi também o rei Carlos VII quem – cerca do ano 1429 – atribuiu
o brasão à família dessa jovem.
E
o respectivo lema: "Consilio firmatei Dei" (ou, em português, "Iremos permanecer Fiéis").
Mas
quem também permaneceu fiel – sobretudo a si mesma – foi uma
outra figura que, noutra latitude, teve igualmente um outro destino
apesar de, claro, estar igualmente sujeita ao ‘jogo’ geopolítico
(e religioso).
Efectivamente,
Antónia Rodrigues (que terá nascido por volta de 1580) decidiu, em
certo momento da sua vida, disfarçar-se de homem e, assim, embarcar
com militares portugueses para o Norte de África para combater os
então designados infiéis (muçulmanos). Depois de revelada a sua
verdadeira identidade – feminina –, foi recompensada por Filipe
II (III em Espanha) com uma tença por actos heróicos a favor de
Portugal.
Assim,
se, hoje, talvez não seja
injusto recordar que Joana
d’Arc representa, enfim, a resistência e a valentia francesas,
também não será injusto
desejar que Antónia
Rodrigues pudesse ser lembrada como um símbolo da luta feminista
quando ainda se não falava de feminismo.
![]() |
A única imagem que
existe da guerreira francesa do século XV é um desenho da autoria
de um funcionário do Supremo Tribunal de Paris com data de Maio de
1429.
|
29/05/2019
Rússia, um gigante na Eurásia
Assinala-se
hoje o 5.º aniversário da constituição da União Económica
Euro-Asiática.
Efectivamente,
esta organização conta, cinco anos passados desde a sua fundação,
com precisamente cinco Estados-membros: Rússia, Arménia,
Bielorrússia, Cazaquistão e Quirguistão.
Todos
países integrantes da então União Soviética.
A
Rússia, principal ‘herdeira’ desta, continua a ser, actualmente,
o país com a maior dimensão territorial do mundo – com mais de
dezassete milhões de quilómetros quadrados (mais de cento e oitenta
vezes maior do que o território português se se não considerar a
extensão da sua plataforma continental…): por exemplo, a costa
russa banhada pelo Ártico* estende-se por cerca de vinte e quatro
mil quilómetros desde Murmansk (perto da Noruega) até
Petropavlovsk-Kamchatsky (perto do Japão).
De
facto, o presidente do conselho de supervisão do Instituto
Demográfico, Migrações e Desenvolvimento Regional da Rússia
(então Yury Krupnov) veio também propor, entretanto, a adopção de
uma série de medidas no sentido de ‘aproximar’ o seu país do
que muitos têm vindo a apelidar há anos de "verdadeiro centro
geopolítico do mundo" – o Extremo Oriente: propunha, desde
logo, a mudança territorial da capital russa – Moscovo – para
uma localização mais ‘consentânea’ com o referido centro
geopolítico. Ou seja, (muito) mais para Leste do que aquela de hoje**.
Se,
na verdade, a Rússia é o ‘maior’ país do mundo, "congrega" não mais do que cerca de cento e quarenta e dois milhões de
habitantes sendo que, de entre estes, mais ou menos vinte e oito
milhões (vinte por cento do total) vivem em Moscovo e nas áreas
circundantes…
Ora,
mesmo que esta e outras mudanças não venham a ter lugar, penso ser
necessário nunca perder de vista a noção de equilíbrio entre as
‘vertentes’ geopolítica e económica da União Económica
Euro-Asiática e o que o presidente russo Vladimir Putin enunciou no
discurso que fez na última reunião do "Projecto Uma Faixa, Um Caminho" que teve lugar na capital chinesa entre os dias 25 e 27 de
Abril último: "a preservação da cultura e da identidade
espiritual" das nações envolvidas.
*
Cerca de um quinto do território continental da Rússia ‘integra’
a região ártica. Ora, um estudo divulgado pelo gabinete geológico
norte-americano em 2008 estimou que o Ártico albergava cerca de 13%
das reservas mundiais de petróleo e cerca de 30% das reservas
mundiais de gás natural (para além de ouro, de urânio, de diamantes e de outros metais e elementos preciosos e raros e de peixe). Não é certamente por acaso que a Rússia tenha posto recentemente ao serviço da sua frota o terceiro navio quebra-gelo - o Ural - nem que detenha cerca de 96% de todos os recursos naturais de que o seu
‘tecido’ industrial e humano necessita. E também não me
custaria nada acreditar que, sendo o ‘maior’ país do mundo, a
Rússia reunisse alguns dos mais de cento e dezassete milhões de
lagos que ‘polvilham’ a superfície do planeta Terra (e que
cobrem, lembro, cerca de quatro por cento dos ‘terrenos úteis’)...
** O czar Pedro, o Grande tinha já estabelecido a cidade 'ocidental' de São Petersburgo como a nova capital da Rússia em Maio de 1703.
** O czar Pedro, o Grande tinha já estabelecido a cidade 'ocidental' de São Petersburgo como a nova capital da Rússia em Maio de 1703.
***
Disputa-se
hoje o jogo final da edição 2018/2019 da Liga Europa.
Sem um dos jogadores ‘fundamentais’ para uma das equipas envolvidas: Henrikh Mkhitaryan (pelo Arsenal).
O jogador, nascido na Arménia, recusa-se a participar no referido encontro uma vez que este se ‘desenrola’ no Azerbaijão, país com o qual a Arménia tem um diferendo (que já causou milhares de mortos) a propósito da região de Nagorno-Karabakh que, recordo, "foi atribuída pela URSS ao Azerbaijão mas os habitantes, pouco mais de 130 mil, não abdicam da sua identidade arménia, posta em causa quando uma declaração unilateral, embora sem reconhecimento internacional, transformou o enclave num estado independente".
Ora, tudo isto me leva a concluir que também esta situação mostra exemplarmente como um evento desportivo consegue alcançar uma dimensão que em muito transcende a mera reunião para competição de resultados e classificações.
28/05/2019
De perpétua memória?
Diz
um dicionário da História de Portugal o seguinte a propósito do
navegador João Rodrigues Cabrilho:
"Dos poucos dados biográficos que foi possível apurar sobre João Rodrigues Cabrilho, antes da viagem marítima que lhe perpetuaria a memória, apenas se sabe que era de nacionalidade portuguesa".
"Dos poucos dados biográficos que foi possível apurar sobre João Rodrigues Cabrilho, antes da viagem marítima que lhe perpetuaria a memória, apenas se sabe que era de nacionalidade portuguesa".
Ora,
apesar de ter participado "na conquista e pacificação da
Guatemala" e comandado a armada responsável por efectuar a "primeira viagem de exploração da costa da Califórnia", tenho
dúvidas que esta lhe tenha, efectivamente, perpetuado a memória
pois eu, pelo menos, nunca dele tinha ‘ouvido’ falar até me
deparar com uma imponente estátua que existe em Montalegre.
De
facto, tal estátua refere que:
"Navegador
do Séc. XVI
que
ao serviço dos Reis de Espanha
descobriu
a costa da Califórnia
Natural
de Lapela – Cabril – Montalegre
e
figura notável da História do Mundo"
Novamente
admito que até ler esta indicação não sabia que tinha vivido um "João Rodrigues Cabrilho".
Mas
seria o único português a ignorá-lo?
27/05/2019
O Duque de Palmela
O
Marquês de La Fayette, um dos heróis da Revolução Americana,
morreu em Maio de 1834.
Foi
um ‘campeão’ da Liberdade e ainda hoje a sua figura e atitude é
respeitada por causa disso mesmo.
Ora,
foi precisamente em Maio mas do ano 1781 que nasceu, em Itália,
Pedro de Sousa Holstein. Veio a tornar-se no primeiro Duque de
Palmela e a ele muito se deve pelo triunfo das ideias liberais em
Portugal.
Também
eu continuo, por isso mesmo, a respeitar a sua figura.
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