06/06/2019

Obrigado pela Liberdade

Presto agora um sentido reconhecimento aos 156 mil e 115 soldados das tropas aliadas (oriundas de onze países) que em 6 de Junho de 1944 desembarcaram nas praias da Normandia, em França, naquela que foi a maior acção militar anfíbia (invasão) do mundo: a operação Overlord. 



Obrigado!

05/06/2019

Vasco da Gama: passado e presente

Não é ao jardim Vasco da Gama, em Lisboa, que, agora, me refiro.

Refiro-me, isso sim, a um navio: "Numa economia cada vez mais global, este gigantesco navio tem a capacidade de transportar quase 200 mil toneladas de bens de consumo entre mercados na Europa, no Médio Oriente e na Ásia" perfazendo 11 países.

De facto, o navio a que a citação se refere é o CMA CGM Vasco de Gama (construído em instalações pertencentes ao estaleiro chinês Shanghai Waigaoqiao Shipbuilding) que integra a frota de porta-contentores da companhia francesa CMA CGM e se tornou no primeiro "mega" navio porta-contentores a ser construído na China.

De facto – e numa altura em que cerca de 90% do comércio realizado mundialmente é assegurado por via marítima* –, o navio CMA CGM Vasco de Gama consegue, com os seus 399 metros de comprimento e 54 metros de ‘boca’, transportar 18 mil TEU (um TEU é uma unidade padrão de comprimento dos contentores que corresponde a um contentor com 20 pés/6 metros de comprimento).

Assim, se se pudessem alinhar todos esses milhares de contentores, verificar-se-ia uma espécie de linha com mais de cem quilómetros de extensão.

O colosso dos mares CMA CGM Vasco da Gama deve o seu nome ao explorador português dos séculos XV (e XVI) que descobriu o caminho marítimo para a Índia navegando por África e contornando o Cabo da Boa Esperança [Vasco da Gama partiu de Lisboa no início de Julho de 1497 e alcançou terra indiana em Maio de 1498]".

Tratou-se, pois, de uma muito oportuna e excelente homenagem ao grande navegador português!



* A grandeza da importância dos navios para o comércio mundial é equivalente à grandeza destes no nível de poluição da Terra pois tendem a consumir combustíveis de muito baixa qualidade, por assim dizer...

04/06/2019

Quantos são e quantos serão?

Uma recente edição de um atlas das relações internacionais refere que se assiste no mundo a um apagamento das identidades e que a emergência de referências à escala planetária – fruto da tantas vezes invocada globalizaçãonão seria incompatível, apesar de crispações identitárias e do desenvolvimento de diferenciações locais e/ou regionais, com o apoio ao Estado-nação como referência principal.

No entanto (poder-se-ia, talvez, acrescentar "uma vez mais"), a realidade parece estar a contrariar algumas das parcelas da teoria (no continente europeu mas não só).



Mas proponho que façamos um pequeno exercício mental: tentemos imaginar, apesar da defesa disponibilizada pelos governos centrais para a manutenção de uma unidade política e administrativa (fictícia, pois), que alguma destas regiões conseguia tornar-se independente, por assim dizer.

O que aconteceria?
Assistir-se-ia, desde logo, a uma ‘fragmentação’ de alguns Estados já que, noutras regiões, se colocaria necessariamente a questão política "se a/o ……….. pôde seguir o seu caminho, por que não nós?". Seria, pois, o início do fim da ‘configuração’ desses Estados e o "início do início" de outros.




Veja-se, por exemplo, o caso da Escócia: a primeira-ministra escocesa, Nicola Sturgeon, confirmou aos jornalistas, no rescaldo das eleições europeias, querer iniciar uma nova ‘ronda’ legislativa de modo a realizar um novo referendo a propósito da independência da Escócia e da sua separação política do Reino Unido.

Mas as movimentações independentistas não se têm limitado, na Europa, ao reino de Sua Majestade: no País Basco e na Catalunha, em Espanha; na Córsega, em França; na Flandres, na Bélgica; os húngaros que vivem na Roménia, os do Norte de Itália, ...

E, de facto, não apenas numa Europa que conta, actualmente, com cerca de 50 países (este é, apenas, um número aproximado já que a contagem da quantidade de países na entidade Europa está dependente de critérios geográficos, culturais e, até, religiosos…).

Na verdade, também os berberes do Norte de África (os amazighs), os sarauís, muitos habitantes da região nigeriana do Biafra (que declarou primeiramente a sua independência em Maio de 1967), alguns ‘dirigentes’ étnicos da região sudoeste dos Camarões, anglófona, sobretudo, que anunciaram já a independência, o chamado Curdistão iraquiano (onde se aprovou já, via referendo, a sua independência face ao Iraque), por exemplo, estão à espreita’.

03/06/2019

Atenas e a civilização helénica

O território de Atenas ocupou toda a península da Ática.

Ou seja, cerca de 2650 km2.

Tal dimensão tornou-a na maior das Cidades-Estados da Grécia.

Mas a sua grandeza não foi apenas territorial.

De facto, Atenas conseguiu tornar-se na mais importante das pólis gregas porque a sua organização política - e social - foi 'seguida' por muitos outros Estados*.

A Atenas dos séculos V e IV a.C. logrou também tornar-se no maior centro de Cultura (na Europa, claro).

Não creio, de resto, que seja 'obra' do acaso que Keramikos, em Atenas, tenha sido já considerada a mais extensa necrópole da Antiguidade grega já que terá sido 'utilizada' entre 3000 anos a.C. e o sexto século depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo.

Por tudo isto, julgo que é justo qualificar Atenas como o "modelo de civilização helénica"!




* Muitos dos próprios Atenienses teriam consciência da influência que a 'sua' Cidade exercia sobre outras Cidades do 'mundo' grego: Péricles, um dos 'grandes' políticos de Atenas, chegou a afirmar num dos seus discursos ser "a nossa Cidade a escola da Grécia".

01/06/2019

D. Dinis e a fronteira de Portugal

Dizia um pequeno texto que há algum tempo encontrei no Museu do Dinheiro, em Lisboa, o seguinte:


"Com apenas 17 anos, D. Dinis (1261-1325) iniciou um longo reinado que o consagrou como um dos monarcas de maior relevância na sua época. Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa, e impulsionou estrategicamente o comércio nacional e internacional. A ele se deveu a grande importância dada, nesta época, ao ensino, à língua portuguesa e à cultura – merece destaque o vasto legado trovadoresco da sua autoria".


Ora, devo relembrar que a este interesse pela cultura e pela língua portuguesa não foi seguramente alheio o facto de D. Dinis ter sido o primeiro rei português que sabia ler…

Mas quero dizer, também, algumas coisas em relação à frase "Fixou as fronteiras de Portugal, cuja configuração é a mais antiga da Europa".

Fixou, efectivamente, a fronteira de Portugal nos últimos anos do século XIII mas tal não significa que a sua configuração seja a mais antiga da Europa.

Ou seja, isso não será, pura e simplesmente, exacto.

Se, de facto, o tratado de Zamora, assinado, em Outubro de 1143, por D. Afonso Henriques e o seu primo Afonso VII de Leão e Castela, levou ao "nascimento" daquele que pode ser, actualmente, considerado um dos mais antigos Estados-nação do mundo, o tratado de Alcanizes, por sua vez, tendo sido assinado em 1297 por D. Dinis e por D. Fernando de Leão e Castela "definiu os limites do território continental português, que não tiveram alteração posterior, à exceção da perda de Olivença em 1801", como refere um artigo de apoio do portal Infopédia.

Ou seja, o facto de se 'encarar' a configuração fronteiriça portuguesa como a mais antiga da Europa só é válido se se considerar que os quinhentos e quatro anos que mediaram 1297 e 1801 era a ‘duração’, em 1801, mais antiga na Europa relativamente à configuração fronteiriça de um dado país não sendo, pois, correcto nem verdadeiro considerar-se que Portugal tem as fronteiras mais bem definidas – no que se refere à sua antiguidade – no continente europeu (de 1297 até hoje, 1 de Junho de 2019) "esquecendo-se" o roubo e a não devolução (com ou sem aspas) de Olivença…

31/05/2019

Quem foi melhor?

O presidente norte-americano Abraham Lincoln foi já considerado pela maioria dos indivíduos que responderam a uma sondagem (ou inquérito) como o melhor presidente de sempre dos Estados Unidos da América.

Ora, creio que nunca participaria em votações deste género porque reconheço as minhas imensas dificuldades para, por exemplo, dizer que, em Portugal, a/o rainha/rei X foi a/o melhor monarca portuguesa/português de sempre ou que Y foi a/o pior monarca portuguesa/português (ou presidente da República) de ‘todos os tempos’.

Reconheço, por isso, que tais "rankings" são – como quase todos, aliás – muito subjectivos e (muito) pouco objectivos…

Limito-me, assim, a relembrar as e os 33 monarcas portugueses (e seus respectivos reinados) após, claro, ter recorrido a alguns manuais que me acompanharam enquanto estudante para não correr o risco de que alguma personalidade ficasse esquecida.


Dinastia Afonsina

- D. Afonso Henriques (de 1143 a 1185);

- D. Sancho I (de 1185 a 1211);

- D. Afonso II (de 1211 a 1223);

- D. Sancho II (de 1223 a 1248);

- D. Afonso III (de 1248 a 1279);

- D. Dinis (de 1279 a 1325);

- D. Afonso IV (de 1325 a 1357);

- D. Pedro I (de 1357 a 1367);

- D. Fernando (de 1367 a 1383);


Período de turbulência política (e social)


Dinastia de Avis (ou Aviz)

- D. João I (de 1385 a 1433);

- D. Duarte (de 1433 a 1438);

- D. Afonso V (de 1438 a 1481)
Como só tinha seis anos de idade, a regência do Reino foi assegurada, primeiro, por sua mãe, D. Leonor, e, depois, pelo seu tio, D. Pedro;

- D. João II (de 1481 a 1495);

- D. Manuel I (de 1495 a 1521);

- D. João III (de 1521 a 1557);

- D. Sebastião (de 1557 a 1578)
Como tinha só três anos de idade, a regência do Reino foi assegurada, primeiro, por sua avó, D. Catarina, e, depois, pelo seu tio-avô cardeal D. Henrique;

- Cardeal D. Henrique (de 1578 a 1580);


Período de turbulência política (e social)


Dinastia Filipina (ou castelhana)

- Filipe II de Espanha (o I.º de Portugal) (de 1581 a 1598);

- Filipe III de Espanha (o II.º de Portugal) (de 1598 a 1621);

- Filipe IV de Espanha (o III.º de Portugal) (de 1621 a 1640);


Período de turbulência política (e social): restauração da independência de Portugal


Dinastia de Bragança

- D. João IV (de 1640 a 1656);

- D. Afonso VI (de 1656 a 1683)
Como só tinha treze anos de idade, a regência do Reino foi assegurada por sua mãe, D. Luísa de Gusmão;

- D. Pedro II (de 1683 a 1706);

- D. João V (de 1706 a 1750);

- D. José I (de 1750 a 1777);

- D. Maria I (de 1777 a 1816)
No entanto, em virtude de ter enlouquecido, foi o seu filho D. João quem assumiu, a partir de certo momento, a regência do Reino;

- D. João VI (de 1816 a 1826);

- D. Pedro IV (1826)


Período de turbulência política (e social): estando D. Pedro IV no Brasil, nomeou como regente de Portugal a sua irmã, Infanta Isabel Maria. Para além do mais, abdicou D. Pedro IV a favor da sua filha, D. Maria II, que havia casado com o seu tio, D. Miguel, através de uma procuração. Este acabou por proclamar-se "rei absoluto" desencadeando uma guerra civil;

- D. Maria II (de 1834 a 1853);

- D. Pedro V (de 1853 a 1861)
Como era menor de idade, por assim dizer, a regência do Reino foi assegurada por seu pai, D. Fernando;

- D. Luís (de 1861 a 1889);

- D. Carlos (de 1889 a 1908);

- D. Manuel II (de 1908 a 1910, ano da implantação da República em Portugal).

30/05/2019

Joana d'Arc e Antónia Rodrigues

Com cerca de dezoito anos de idade, Joana d’Arc foi executada em 30 de Maio de 1431 em Rouen (na região francesa da Normandia).

A vida – e a morte – de Joana não podem, na verdade, ser ‘separadas’ do contexto geopolítico da época: combatente, pela França, no sentido de expulsar os soldados ingleses na Guerra dos Cem Anos, foi presa e, depois, sentenciada na base de inúmeras acusações convenientemente construídas pela Igreja Católica (através, por exemplo, do próprio bispo de Beauvais).

Ora, a sentença que a condenou à morrer na fogueira acabou por ser, mais de vinte anos depois da sua morte, anulada pelo representante do Estado francês – Carlos VII – com o apoio da referida Igreja Católica e mesmo canonizada em 1920 (ou seja, por quem quase quinhentos anos antes a havia condenado).

E foi também o rei Carlos VII quem – cerca do ano 1429 – atribuiu o brasão à família dessa jovem.

E o respectivo lema: "Consilio firmatei Dei" (ou, em português, "Iremos permanecer Fiéis").

Mas quem também permaneceu fiel – sobretudo a si mesma – foi uma outra figura que, noutra latitude, teve igualmente um outro destino apesar de, claro, estar igualmente sujeita ao ‘jogo’ geopolítico (e religioso).

Efectivamente, Antónia Rodrigues (que terá nascido por volta de 1580) decidiu, em certo momento da sua vida, disfarçar-se de homem e, assim, embarcar com militares portugueses para o Norte de África para combater os então designados infiéis (muçulmanos). Depois de revelada a sua verdadeira identidade – feminina –, foi recompensada por Filipe II (III em Espanha) com uma tença por actos heróicos a favor de Portugal.

Assim, se, hoje, talvez não seja injusto recordar que Joana d’Arc representa, enfim, a resistência e a valentia francesas, também não será injusto desejar que Antónia Rodrigues pudesse ser lembrada como um símbolo da luta feminista quando ainda se não falava de feminismo.





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A única imagem que existe da guerreira francesa do século XV é um desenho da autoria de um funcionário do Supremo Tribunal de Paris com data de Maio de 1429.