20/07/2019

A 'superioridade' e a 'inferioridade' civilizacionais

A editora Cosmos publicou em 1979 o livro escrito pelo sinólogo francês Jacques Gernet, "O Mundo Chinês".

Porque me parece sempre extraordinariamente importante rejeitar as aparências das chamadas inferioridade e superioridade civilizacionais opto por ‘fixar’ em texto algumas informações daí extraídas, por assim dizer.

Inovações técnicas

China
Europa
Tecelagem da seda
5000 Antes de Cristo (a. C.)
Século XII
Leme à popa
Século I
Século XII
Bússola marítima
Século X
Século XII
Utilização militar da pólvora para canhão
Século X
Século XIV
Fabrico do papel
Século II
Século XIII
Imprensa com caracteres móveis
Século XI
Século XV
Fundição do ferro
Século I a. C.
Século XIV

19/07/2019

A Batalha de Matapão

O lema da República da Turquia foi ‘retirado’ de um discurso proferido por Mustafa Kemal Atatürk (que aboliu o Império Otomano e estabeleceu a República Turca).

Durante muitos anos, a frase "Ne mutlu Türkün diyene!" ("Quão feliz é quem pode dizer que é Turca/o!", em português) figurou como o lema nacional turco.

Ora, também foi há muitos anos que o católico rei português D. João V interveio numa luta com a Turquia muçulmana.

De facto, segundo o "Dicionário de História de Portugal" dirigido por Joel Serrão:


"Perante nova ameaça dos Turcos, que conquistaram a Moreia [Península do Peloponeso, Sul da Grécia] e ameaçavam outros domínios venezianos, como Corfo e até a própria Itália, esta potência recorre ao papa, que apela para os reis de Portugal e da Espanha. D. João V mandou sair de Lisboa uma armada, a 5 de Julho de 1716, comandada pelo conde do Rio Grande – Lopo Furtado de Mendonça. Mas a armada voltou sem combater, devido à retirada do inimigo. Em 28 de Abril de 1717, saindo aquela outra vez para o Mediterrâneo, encontra os Turcos ao largo do cabo de Matapão, em 19 de Julho, e, colaborando com duas naus da Ordem de Malta e uma fragata veneziana, alcança uma brilhante vitória".

18/07/2019

A Europa do século XVII e o Próximo Oriente de hoje

Na crónica que Éric Zemmour assinou e foi publicada na edição digital do jornal francês Le Figaro no dia 10 de Julho de 2017, foi escrito o seguinte: "O Próximo Oriente vive, actualmente, uma situação parecida com aquela que a Europa viveu no século XVII já que a querela religiosa entre católicos e protestantes se transformou numa guerra total".

17/07/2019

A origem da fé

O médico psiquiatra austríaco Sigmund Freud – considerado o pai da psicanálise – escreveu várias cartas a James Jackson Putnam, neurologista norte-americano.

Cito, de facto, um excerto de uma delas (escrita no início de 1910):


"A religiosidade encontra-se biologicamente relacionada com o prolongado despojamento e a contínua necessidade de protecção do ser humano durante a infância; quando, mais tarde, o adulto reconhece o seu abandono real e a sua fraqueza perante as grandes forças da vida, reencontra-se numa situação semelhante à da infância e procura então desmentir essa situação sem esperança ressuscitando, pela via da regressão, as potências que o protegiam em pequeno".

16/07/2019

Guerras e misérias

Escreveu o prof. Charles Ralph Boxer no seu "O Império Marítimo Português 1415-1825" o seguinte:

"O povo da tribo Pende, que vivia na costa angolana no século XVI mas emigrou depois para o interior,  junto do rio Kasaï, manteve uma interessante tradição oral da conquista feita por Portugal da sua terra natal.

"Um dia os homens brancos chegaram em navios com asas, que brilhavam como facas ao sol. Travaram duas batalhas com o N'gola e bombardearam-no. Conquistaram as suas salinas e o N'gola fugiu para o interior, para o rio Lucala. Alguns dos seus súbditos mais corajosos ficaram junto do mar e, quando os homens brancos vieram, trocaram ovos e galinhas por tecidos e contas. Os homens brancos voltaram outra vez ainda. Trouxeram-nos milho e mandioca, facas e enxadas , amendoim e tabaco. Desde então até aos nossos dias, os brancos não nos trouxeram nada senão guerras e misérias"".

15/07/2019

A queda da Bastilha

A França assinalou ontem o seu dia nacional.

Foi, de facto, em 14 de Julho de 1789 que o povo de Paris assaltou e tomou a Bastilha (que acabou depois por ser demolida) que, durante muito tempo, havia sido utilizada como prisão política.

Assim, a sua inutilização foi encarada como a destruição de um dos mais flagrantes símbolos do poder absoluto da monarquia francesa e, enfim, como uma espécie de presságio para o que aconteceria, poucos anos depois, ao rei Luís XVI e à rainha Maria Antonieta.

13/07/2019

As fortalezas abaluartadas

A Fortaleza de Valença assinala hoje, dia 13 de Julho de 2019, os duzentos e dez anos da segunda invasão francesa de Portugal.

Aproveito, assim, para lembrar que membros da agremiação francesa Association Vauban, especialistas em fortificações arquitecturalmente abaluartadas, visitaram, em Setembro de 2016, uma das infra-estruturas que integram o património da cidade minhota de Valença: a fortaleza.

Antiga estrutura militar com uma extensão de cerca de 5.5 quilómetros, a fortaleza de Valença, que conta com cerca de sete séculos de existência, foi uma das mais importantes no seio da estrutura defensiva portuguesa.

Nos dias de hoje, porém, a fortaleza de Valença não é já um equipamento que procura impedir o acesso de visitas "indesejáveis" mas, sim, conquistar visitantes: a fortaleza de Valença integra, juntamente com as fortificações de Almeida, de Elvas e de Marvão, a candidatura das ‘Fortalezas abaluartadas’ a património mundial da UNESCO (sigla inglesa para designar a United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization, a organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Na verdade, a cidade de Elvas é, em todo o mundo, aquela com o maior sistema de fortificações abaluartadas tendo, inclusivamente, sido distinguida pela UNESCO como "Cidade-Quartel Fronteiriça de Elvas e suas Fortificações" no final de Junho de 2012.

Ora, uma funcionária da edilidade de Elvas explicou-me, entretanto, que a cerimónia de apresentação de tal candidatura teve lugar no Forte da Graça, em Elvas, em Junho de 2016, e contou com a presença dos presidentes dos municípios envolvidos.

Adiantou-me, também, que todos os processos de candidatura de bens a património da humanidade eram acompanhados pela Comissão Nacional da UNESCO (organismo intermediário entre o Estado português e a UNESCO) e era esta que, de acordo com as directrizes definidas pelo Comité do Património Mundial da UNESCO, organizava todo o "calendário" do processo de candidatura.

Recordou-me, ainda, que Portugal só poderia apresentar candidaturas a partir de 2018 uma vez que o mandato de Portugal como membro do Comité do Património Mundial terminaria no fim do ano de 2017.

Ora, dado o meu interesse pelo património português e por todas as acções que poderão contribuir, na minha opinião, para a dinamização do mesmo - e, no fundo, para a sua protecção (e preservação)... - já que o entendo como uma parte importantíssima da chamada cultura portuguesa, só posso manifestar o meu contentamento por mais esta candidatura à Convenção do Património Mundial, Cultural e Natural adoptada pela UNESCO em 1972.