A rede social YouTube começou já a impedir professores de História de publicarem vídeos com discursos pronunciados por Adolf Hitler.
Ou seja, pessoas que tentavam ensinar outras pessoas foram impedidas de o fazer.
Ora, deveria ser evidente que uma função didáctica não é um 'veículo' para a promoção de uma atitude social violenta e de ódio.
Acho, por isso, lamentável os algoritmos - e algumas pessoas - não perceberem tal coisa.
23/07/2019
22/07/2019
D. João III e a Cultura
No já por mim citado volume III da "História de Portugal" coordenada por José Mattoso escreveu António Rosa Mendes o seguinte:
"É inquestionável que sob D. João III ganhou vulto um fenómeno de "investimento na cultura" que, tanto quantitativa quanto qualitativamente, não teve precedentes na nossa história. A modernização do aparelho cultural respondia, aliás, e a um tempo, a solicitações que se prendiam com a necessidade de acertar o passo pelo da Europa evoluída e com as exigências do processo de concentração, racionalização e secularização do Poder - portanto, da própria construção do Estado moderno".
No entanto, como é possível afirmar que esse monarca tenha feito um "investimento na cultura" sem paralelo em Portugal quando a Inquisição - cuja acção se revelaria 'cheia' de perseguições, repressões e censuras - foi criada pelo Papa, sim, mas sob pressão do próprio D. João III que se encarregou de a tornar, cada vez mais, de resto, num tribunal da coroa?
"É inquestionável que sob D. João III ganhou vulto um fenómeno de "investimento na cultura" que, tanto quantitativa quanto qualitativamente, não teve precedentes na nossa história. A modernização do aparelho cultural respondia, aliás, e a um tempo, a solicitações que se prendiam com a necessidade de acertar o passo pelo da Europa evoluída e com as exigências do processo de concentração, racionalização e secularização do Poder - portanto, da própria construção do Estado moderno".
No entanto, como é possível afirmar que esse monarca tenha feito um "investimento na cultura" sem paralelo em Portugal quando a Inquisição - cuja acção se revelaria 'cheia' de perseguições, repressões e censuras - foi criada pelo Papa, sim, mas sob pressão do próprio D. João III que se encarregou de a tornar, cada vez mais, de resto, num tribunal da coroa?
20/07/2019
A 'superioridade' e a 'inferioridade' civilizacionais
A
editora Cosmos publicou em
1979 o livro escrito pelo sinólogo francês Jacques Gernet, "O Mundo Chinês".
Porque
me parece sempre extraordinariamente importante rejeitar as aparências das chamadas
inferioridade e superioridade civilizacionais opto por ‘fixar’ em
texto algumas informações daí extraídas, por assim dizer.
Inovações técnicas
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China
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Europa
|
Tecelagem da seda
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5000 Antes de Cristo (a. C.)
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Século XII
|
Leme à popa
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Século I
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Século XII
|
Bússola marítima
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Século X
|
Século XII
|
Utilização militar da pólvora para canhão
|
Século X
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Século XIV
|
Fabrico do papel
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Século II
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Século XIII
|
Imprensa com caracteres móveis
|
Século XI
|
Século XV
|
Fundição do ferro
|
Século I a. C.
|
Século XIV
|
19/07/2019
A Batalha de Matapão
O lema da República da Turquia
foi ‘retirado’ de um discurso proferido por Mustafa Kemal Atatürk
(que aboliu o Império Otomano e estabeleceu a República Turca).
Durante
muitos anos, a frase "Ne mutlu Türkün diyene!" ("Quão feliz
é quem pode dizer que é Turca/o!", em português) figurou como o
lema nacional turco.
Ora,
também foi há muitos anos que o católico rei português D. João V
interveio numa luta com a Turquia muçulmana.
De
facto, segundo o "Dicionário de História de Portugal" dirigido
por Joel Serrão:
"Perante nova ameaça dos
Turcos, que conquistaram a Moreia [Península do Peloponeso, Sul da
Grécia] e ameaçavam outros domínios venezianos, como Corfo e até
a própria Itália, esta potência recorre ao papa, que apela para os
reis de Portugal e da Espanha. D. João V mandou sair de Lisboa uma
armada, a 5 de Julho de 1716, comandada pelo conde do Rio Grande –
Lopo Furtado de Mendonça. Mas a armada voltou sem combater, devido à
retirada do inimigo. Em 28 de Abril de 1717, saindo aquela outra vez
para o Mediterrâneo, encontra os Turcos ao largo do cabo de Matapão,
em 19 de Julho, e, colaborando com duas naus da Ordem de Malta e uma
fragata veneziana, alcança uma brilhante vitória".
18/07/2019
A Europa do século XVII e o Próximo Oriente de hoje
Na
crónica que Éric Zemmour assinou e foi publicada na edição digital do jornal francês Le
Figaro no dia 10 de Julho de 2017, foi escrito o
seguinte: "O Próximo Oriente
vive, actualmente, uma situação parecida com aquela que a Europa
viveu no século XVII já que a querela religiosa entre católicos e
protestantes se transformou numa guerra total".
17/07/2019
A origem da fé
O
médico psiquiatra austríaco Sigmund Freud – considerado o pai da
psicanálise – escreveu várias cartas a James Jackson Putnam,
neurologista norte-americano.
Cito,
de facto, um excerto de uma delas (escrita no início de 1910):
"A
religiosidade encontra-se biologicamente relacionada
com o prolongado despojamento e a contínua necessidade de protecção
do ser humano durante a infância; quando,
mais tarde, o adulto reconhece o seu abandono real e a sua fraqueza
perante as grandes forças da vida, reencontra-se numa situação
semelhante à da infância e procura então desmentir essa situação
sem esperança ressuscitando, pela via da regressão, as potências
que o protegiam em pequeno".
16/07/2019
Guerras e misérias
Escreveu o prof. Charles Ralph Boxer no seu "O Império Marítimo Português 1415-1825" o seguinte:
"O povo da tribo Pende, que vivia na costa angolana no século XVI mas emigrou depois para o interior, junto do rio Kasaï, manteve uma interessante tradição oral da conquista feita por Portugal da sua terra natal.
"Um dia os homens brancos chegaram em navios com asas, que brilhavam como facas ao sol. Travaram duas batalhas com o N'gola e bombardearam-no. Conquistaram as suas salinas e o N'gola fugiu para o interior, para o rio Lucala. Alguns dos seus súbditos mais corajosos ficaram junto do mar e, quando os homens brancos vieram, trocaram ovos e galinhas por tecidos e contas. Os homens brancos voltaram outra vez ainda. Trouxeram-nos milho e mandioca, facas e enxadas , amendoim e tabaco. Desde então até aos nossos dias, os brancos não nos trouxeram nada senão guerras e misérias"".
"O povo da tribo Pende, que vivia na costa angolana no século XVI mas emigrou depois para o interior, junto do rio Kasaï, manteve uma interessante tradição oral da conquista feita por Portugal da sua terra natal.
"Um dia os homens brancos chegaram em navios com asas, que brilhavam como facas ao sol. Travaram duas batalhas com o N'gola e bombardearam-no. Conquistaram as suas salinas e o N'gola fugiu para o interior, para o rio Lucala. Alguns dos seus súbditos mais corajosos ficaram junto do mar e, quando os homens brancos vieram, trocaram ovos e galinhas por tecidos e contas. Os homens brancos voltaram outra vez ainda. Trouxeram-nos milho e mandioca, facas e enxadas , amendoim e tabaco. Desde então até aos nossos dias, os brancos não nos trouxeram nada senão guerras e misérias"".
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