23/07/2019

Ensino e intolerância

A rede social YouTube começou já a impedir professores de História de publicarem vídeos com discursos pronunciados por Adolf Hitler.

Ou seja, pessoas que tentavam ensinar outras pessoas foram impedidas de o fazer.

Ora, deveria ser evidente que uma função didáctica não é um 'veículo' para a promoção de uma atitude social violenta e de ódio.

Acho, por isso, lamentável os algoritmos - e algumas pessoas - não perceberem tal coisa.

22/07/2019

D. João III e a Cultura

No já por mim citado volume III da "História de Portugal" coordenada por José Mattoso escreveu António Rosa Mendes o seguinte:

"É inquestionável que sob D. João III ganhou vulto um fenómeno de "investimento na cultura" que, tanto quantitativa quanto qualitativamente, não teve precedentes na nossa história. A modernização do aparelho cultural respondia, aliás, e a um tempo, a solicitações que se prendiam com a necessidade de acertar o passo pelo da Europa evoluída e com as exigências do processo de concentração, racionalização e secularização do Poder - portanto, da própria construção do Estado moderno".

No entanto, como é possível afirmar que esse monarca tenha feito um "investimento na cultura" sem paralelo em Portugal quando a Inquisição - cuja acção se revelaria 'cheia' de perseguições, repressões e censuras - foi criada pelo Papa, sim, mas sob pressão do próprio D. João III que se encarregou de a tornar, cada vez mais, de resto, num tribunal da coroa?


20/07/2019

A 'superioridade' e a 'inferioridade' civilizacionais

A editora Cosmos publicou em 1979 o livro escrito pelo sinólogo francês Jacques Gernet, "O Mundo Chinês".

Porque me parece sempre extraordinariamente importante rejeitar as aparências das chamadas inferioridade e superioridade civilizacionais opto por ‘fixar’ em texto algumas informações daí extraídas, por assim dizer.

Inovações técnicas

China
Europa
Tecelagem da seda
5000 Antes de Cristo (a. C.)
Século XII
Leme à popa
Século I
Século XII
Bússola marítima
Século X
Século XII
Utilização militar da pólvora para canhão
Século X
Século XIV
Fabrico do papel
Século II
Século XIII
Imprensa com caracteres móveis
Século XI
Século XV
Fundição do ferro
Século I a. C.
Século XIV

19/07/2019

A Batalha de Matapão

O lema da República da Turquia foi ‘retirado’ de um discurso proferido por Mustafa Kemal Atatürk (que aboliu o Império Otomano e estabeleceu a República Turca).

Durante muitos anos, a frase "Ne mutlu Türkün diyene!" ("Quão feliz é quem pode dizer que é Turca/o!", em português) figurou como o lema nacional turco.

Ora, também foi há muitos anos que o católico rei português D. João V interveio numa luta com a Turquia muçulmana.

De facto, segundo o "Dicionário de História de Portugal" dirigido por Joel Serrão:


"Perante nova ameaça dos Turcos, que conquistaram a Moreia [Península do Peloponeso, Sul da Grécia] e ameaçavam outros domínios venezianos, como Corfo e até a própria Itália, esta potência recorre ao papa, que apela para os reis de Portugal e da Espanha. D. João V mandou sair de Lisboa uma armada, a 5 de Julho de 1716, comandada pelo conde do Rio Grande – Lopo Furtado de Mendonça. Mas a armada voltou sem combater, devido à retirada do inimigo. Em 28 de Abril de 1717, saindo aquela outra vez para o Mediterrâneo, encontra os Turcos ao largo do cabo de Matapão, em 19 de Julho, e, colaborando com duas naus da Ordem de Malta e uma fragata veneziana, alcança uma brilhante vitória".

18/07/2019

A Europa do século XVII e o Próximo Oriente de hoje

Na crónica que Éric Zemmour assinou e foi publicada na edição digital do jornal francês Le Figaro no dia 10 de Julho de 2017, foi escrito o seguinte: "O Próximo Oriente vive, actualmente, uma situação parecida com aquela que a Europa viveu no século XVII já que a querela religiosa entre católicos e protestantes se transformou numa guerra total".

17/07/2019

A origem da fé

O médico psiquiatra austríaco Sigmund Freud – considerado o pai da psicanálise – escreveu várias cartas a James Jackson Putnam, neurologista norte-americano.

Cito, de facto, um excerto de uma delas (escrita no início de 1910):


"A religiosidade encontra-se biologicamente relacionada com o prolongado despojamento e a contínua necessidade de protecção do ser humano durante a infância; quando, mais tarde, o adulto reconhece o seu abandono real e a sua fraqueza perante as grandes forças da vida, reencontra-se numa situação semelhante à da infância e procura então desmentir essa situação sem esperança ressuscitando, pela via da regressão, as potências que o protegiam em pequeno".

16/07/2019

Guerras e misérias

Escreveu o prof. Charles Ralph Boxer no seu "O Império Marítimo Português 1415-1825" o seguinte:

"O povo da tribo Pende, que vivia na costa angolana no século XVI mas emigrou depois para o interior,  junto do rio Kasaï, manteve uma interessante tradição oral da conquista feita por Portugal da sua terra natal.

"Um dia os homens brancos chegaram em navios com asas, que brilhavam como facas ao sol. Travaram duas batalhas com o N'gola e bombardearam-no. Conquistaram as suas salinas e o N'gola fugiu para o interior, para o rio Lucala. Alguns dos seus súbditos mais corajosos ficaram junto do mar e, quando os homens brancos vieram, trocaram ovos e galinhas por tecidos e contas. Os homens brancos voltaram outra vez ainda. Trouxeram-nos milho e mandioca, facas e enxadas , amendoim e tabaco. Desde então até aos nossos dias, os brancos não nos trouxeram nada senão guerras e misérias"".