24/07/2019

A transformação inglesa

"A Inglaterra tradicional em fins do século XVII está centrada na cidade e na bacia de Londres. A Inglaterra pré-industrial dos fins do século XVIII organiza-se à volta de dois eixos. Uma forte mancha à volta de Londres, uma bacia de Londres que se esvazia a favor da capital, uma zona de forte densidade industrial e demográfica a oeste. Vê-se, pois, aparecer, desde o fim do take off, a geografia humana da Inglaterra industrial do século XIX".

Fonte: P. Chaunu em "A Civilização da Europa das Luzes", 1985.

23/07/2019

Ensino e intolerância

A rede social YouTube começou já a impedir professores de História de publicarem vídeos com discursos pronunciados por Adolf Hitler.

Ou seja, pessoas que tentavam ensinar outras pessoas foram impedidas de o fazer.

Ora, deveria ser evidente que uma função didáctica não é um 'veículo' para a promoção de uma atitude social violenta e de ódio.

Acho, por isso, lamentável os algoritmos - e algumas pessoas - não perceberem tal coisa.

22/07/2019

D. João III e a Cultura

No já por mim citado volume III da "História de Portugal" coordenada por José Mattoso escreveu António Rosa Mendes o seguinte:

"É inquestionável que sob D. João III ganhou vulto um fenómeno de "investimento na cultura" que, tanto quantitativa quanto qualitativamente, não teve precedentes na nossa história. A modernização do aparelho cultural respondia, aliás, e a um tempo, a solicitações que se prendiam com a necessidade de acertar o passo pelo da Europa evoluída e com as exigências do processo de concentração, racionalização e secularização do Poder - portanto, da própria construção do Estado moderno".

No entanto, como é possível afirmar que esse monarca tenha feito um "investimento na cultura" sem paralelo em Portugal quando a Inquisição - cuja acção se revelaria 'cheia' de perseguições, repressões e censuras - foi criada pelo Papa, sim, mas sob pressão do próprio D. João III que se encarregou de a tornar, cada vez mais, de resto, num tribunal da coroa?


20/07/2019

A 'superioridade' e a 'inferioridade' civilizacionais

A editora Cosmos publicou em 1979 o livro escrito pelo sinólogo francês Jacques Gernet, "O Mundo Chinês".

Porque me parece sempre extraordinariamente importante rejeitar as aparências das chamadas inferioridade e superioridade civilizacionais opto por ‘fixar’ em texto algumas informações daí extraídas, por assim dizer.

Inovações técnicas

China
Europa
Tecelagem da seda
5000 Antes de Cristo (a. C.)
Século XII
Leme à popa
Século I
Século XII
Bússola marítima
Século X
Século XII
Utilização militar da pólvora para canhão
Século X
Século XIV
Fabrico do papel
Século II
Século XIII
Imprensa com caracteres móveis
Século XI
Século XV
Fundição do ferro
Século I a. C.
Século XIV

19/07/2019

A Batalha de Matapão

O lema da República da Turquia foi ‘retirado’ de um discurso proferido por Mustafa Kemal Atatürk (que aboliu o Império Otomano e estabeleceu a República Turca).

Durante muitos anos, a frase "Ne mutlu Türkün diyene!" ("Quão feliz é quem pode dizer que é Turca/o!", em português) figurou como o lema nacional turco.

Ora, também foi há muitos anos que o católico rei português D. João V interveio numa luta com a Turquia muçulmana.

De facto, segundo o "Dicionário de História de Portugal" dirigido por Joel Serrão:


"Perante nova ameaça dos Turcos, que conquistaram a Moreia [Península do Peloponeso, Sul da Grécia] e ameaçavam outros domínios venezianos, como Corfo e até a própria Itália, esta potência recorre ao papa, que apela para os reis de Portugal e da Espanha. D. João V mandou sair de Lisboa uma armada, a 5 de Julho de 1716, comandada pelo conde do Rio Grande – Lopo Furtado de Mendonça. Mas a armada voltou sem combater, devido à retirada do inimigo. Em 28 de Abril de 1717, saindo aquela outra vez para o Mediterrâneo, encontra os Turcos ao largo do cabo de Matapão, em 19 de Julho, e, colaborando com duas naus da Ordem de Malta e uma fragata veneziana, alcança uma brilhante vitória".

18/07/2019

A Europa do século XVII e o Próximo Oriente de hoje

Na crónica que Éric Zemmour assinou e foi publicada na edição digital do jornal francês Le Figaro no dia 10 de Julho de 2017, foi escrito o seguinte: "O Próximo Oriente vive, actualmente, uma situação parecida com aquela que a Europa viveu no século XVII já que a querela religiosa entre católicos e protestantes se transformou numa guerra total".

17/07/2019

A origem da fé

O médico psiquiatra austríaco Sigmund Freud – considerado o pai da psicanálise – escreveu várias cartas a James Jackson Putnam, neurologista norte-americano.

Cito, de facto, um excerto de uma delas (escrita no início de 1910):


"A religiosidade encontra-se biologicamente relacionada com o prolongado despojamento e a contínua necessidade de protecção do ser humano durante a infância; quando, mais tarde, o adulto reconhece o seu abandono real e a sua fraqueza perante as grandes forças da vida, reencontra-se numa situação semelhante à da infância e procura então desmentir essa situação sem esperança ressuscitando, pela via da regressão, as potências que o protegiam em pequeno".