26/07/2019

Que Educação?

De acordo com um estudo que o francês Ministére de L’Éducation Nationale levou a efeito, em 2016, 22.5% dos 760 mil participantes (com idades entre os 16 e os 25 anos) que nele foram "auscultados" tinham capacidades de leitura muito deficientes.

De facto, 11.7% foram considerados leitores medíocres, 5.7% como tendo muito fracas capacidades de leitura e 5.1% como possuidores de sérias dificuldades para fazê-lo.

No ano seguinte - em 2017, portanto -, uma docente da disciplina de francês chamada a corrigir provas do Baccalauréat do país (o Baccalauréat é um exame escrito cujos objectivos, tais como as provas portuguesas feitas no 12.º ano de escolaridade, são sintetizar a matéria aprendida e, ao mesmo tempo, servir de base, por assim dizer, para uma eventual candidatura ao chamado ensino superior), lamentou-se, num "post" publicado na rede social Facebook com o título "Désolation d’une correctrice du bac en détresse...", da qualidade intelectual presente na maioria dos exemplares que tinha que corrigir e, mais do que isso, que as próprias classificações tivessem que ser aumentadas artificialmente por forma a corresponder às "expectativas" que o Sistema ambicionava.

"Pobre França"… "Pobre educação", comentou.

Ora, o que tais dados revelaram também foi uma muito reduzida capacidade de muitos desses alunos para interpretarem o mundo que os rodeava e, claro, para, partindo do passado, retirarem ensinamentos para o presente e para o futuro, por assim dizer.

Mas proponho que se faça um exercício mental e se lhe associe uma pergunta: será que se substituísse, nesta (triste) situação, tudo o que diz respeito à França por professores e alunos portugueses, sistema de ensino português e provas escritas em português, por exemplo, seria muito disparatado escrever "Pobre educação"… "Pobre Portugal"?

25/07/2019

Sócrates e a Liberdade

Ano 399 antes da era de Cristo (a.C.).

Atenas.

Acusado de corromper a juventude e de não prestar homenagem às divindades da cidade, prenderam-no.

Mas isso não o impediu de continuar a receber alunos com quem discutia, por exemplo, a imortalidade da alma.

Ora, para ele a Morte não seria mais do que uma passagem para o outro lado da Vida.

Seria, por isso, uma libertação já que o corpo impediria que o Ser pudesse atingir a plenitude da sua existência terrestre.

Por ser denso, enganador e demasiadamente exigente.

Assim, em 399 a. C., o filósofo Sócrates bebeu veneno e libertou-se.




24/07/2019

A transformação inglesa

"A Inglaterra tradicional em fins do século XVII está centrada na cidade e na bacia de Londres. A Inglaterra pré-industrial dos fins do século XVIII organiza-se à volta de dois eixos. Uma forte mancha à volta de Londres, uma bacia de Londres que se esvazia a favor da capital, uma zona de forte densidade industrial e demográfica a oeste. Vê-se, pois, aparecer, desde o fim do take off, a geografia humana da Inglaterra industrial do século XIX".

Fonte: P. Chaunu em "A Civilização da Europa das Luzes", 1985.

23/07/2019

Ensino e intolerância

A rede social YouTube começou já a impedir professores de História de publicarem vídeos com discursos pronunciados por Adolf Hitler.

Ou seja, pessoas que tentavam ensinar outras pessoas foram impedidas de o fazer.

Ora, deveria ser evidente que uma função didáctica não é um 'veículo' para a promoção de uma atitude social violenta e de ódio.

Acho, por isso, lamentável os algoritmos - e algumas pessoas - não perceberem tal coisa.

22/07/2019

D. João III e a Cultura

No já por mim citado volume III da "História de Portugal" coordenada por José Mattoso escreveu António Rosa Mendes o seguinte:

"É inquestionável que sob D. João III ganhou vulto um fenómeno de "investimento na cultura" que, tanto quantitativa quanto qualitativamente, não teve precedentes na nossa história. A modernização do aparelho cultural respondia, aliás, e a um tempo, a solicitações que se prendiam com a necessidade de acertar o passo pelo da Europa evoluída e com as exigências do processo de concentração, racionalização e secularização do Poder - portanto, da própria construção do Estado moderno".

No entanto, como é possível afirmar que esse monarca tenha feito um "investimento na cultura" sem paralelo em Portugal quando a Inquisição - cuja acção se revelaria 'cheia' de perseguições, repressões e censuras - foi criada pelo Papa, sim, mas sob pressão do próprio D. João III que se encarregou de a tornar, cada vez mais, de resto, num tribunal da coroa?


20/07/2019

A 'superioridade' e a 'inferioridade' civilizacionais

A editora Cosmos publicou em 1979 o livro escrito pelo sinólogo francês Jacques Gernet, "O Mundo Chinês".

Porque me parece sempre extraordinariamente importante rejeitar as aparências das chamadas inferioridade e superioridade civilizacionais opto por ‘fixar’ em texto algumas informações daí extraídas, por assim dizer.

Inovações técnicas

China
Europa
Tecelagem da seda
5000 Antes de Cristo (a. C.)
Século XII
Leme à popa
Século I
Século XII
Bússola marítima
Século X
Século XII
Utilização militar da pólvora para canhão
Século X
Século XIV
Fabrico do papel
Século II
Século XIII
Imprensa com caracteres móveis
Século XI
Século XV
Fundição do ferro
Século I a. C.
Século XIV

19/07/2019

A Batalha de Matapão

O lema da República da Turquia foi ‘retirado’ de um discurso proferido por Mustafa Kemal Atatürk (que aboliu o Império Otomano e estabeleceu a República Turca).

Durante muitos anos, a frase "Ne mutlu Türkün diyene!" ("Quão feliz é quem pode dizer que é Turca/o!", em português) figurou como o lema nacional turco.

Ora, também foi há muitos anos que o católico rei português D. João V interveio numa luta com a Turquia muçulmana.

De facto, segundo o "Dicionário de História de Portugal" dirigido por Joel Serrão:


"Perante nova ameaça dos Turcos, que conquistaram a Moreia [Península do Peloponeso, Sul da Grécia] e ameaçavam outros domínios venezianos, como Corfo e até a própria Itália, esta potência recorre ao papa, que apela para os reis de Portugal e da Espanha. D. João V mandou sair de Lisboa uma armada, a 5 de Julho de 1716, comandada pelo conde do Rio Grande – Lopo Furtado de Mendonça. Mas a armada voltou sem combater, devido à retirada do inimigo. Em 28 de Abril de 1717, saindo aquela outra vez para o Mediterrâneo, encontra os Turcos ao largo do cabo de Matapão, em 19 de Julho, e, colaborando com duas naus da Ordem de Malta e uma fragata veneziana, alcança uma brilhante vitória".