De
acordo com um estudo que o francês Ministére
de L’Éducation Nationale
levou a efeito, em 2016, 22.5% dos 760 mil participantes (com idades
entre os 16 e os 25 anos) que nele foram "auscultados" tinham
capacidades de leitura muito deficientes.
De
facto, 11.7% foram considerados leitores
medíocres, 5.7% como tendo muito fracas capacidades de
leitura e 5.1% como possuidores de sérias dificuldades para fazê-lo.
No ano seguinte - em 2017, portanto -, uma docente da disciplina de francês chamada a corrigir
provas do Baccalauréat
do país (o Baccalauréat
é um exame escrito cujos objectivos, tais como as provas portuguesas
feitas no 12.º ano de escolaridade, são sintetizar a matéria aprendida e, ao mesmo
tempo, servir de base, por assim dizer, para uma eventual candidatura
ao chamado ensino superior), lamentou-se, num "post" publicado na rede social Facebook
com
o título "Désolation
d’une correctrice du bac en détresse...", da qualidade intelectual presente na
maioria
dos exemplares que tinha que corrigir e, mais do que isso, que as
próprias
classificações
tivessem que ser aumentadas artificialmente por forma a corresponder
às "expectativas" que o Sistema
ambicionava.
"Pobre
França"… "Pobre
educação"…,
comentou.
Ora,
o que tais dados revelaram também foi uma muito reduzida capacidade
de muitos desses alunos para interpretarem o mundo que os rodeava e,
claro, para, partindo
do passado, retirarem ensinamentos para o presente e para o futuro,
por assim dizer.
Mas
proponho
que se faça um exercício mental e se lhe associe uma pergunta: será
que se substituísse, nesta (triste) situação, tudo o que diz
respeito à França por professores e alunos portugueses, sistema de
ensino português e provas escritas em português, por exemplo,
seria
muito disparatado escrever "Pobre
educação"… "Pobre
Portugal"?