01/08/2019

Uma canção portuguesa

A vitória da canção interpretada por Salvador Sobral no Festival Eurovisão da Canção de 2017 representou muito mais do que a consagração internacional de um artista e de um país.

É que apesar de estar em competição (é mesmo esta a palavra) com melodias oriundas de diversas nações do chamado Velho Continente – e de outras partes do mundo –, não é possível ignorar o papel do meio "televisão" e de outras plataformas (Youtube, por exemplo) que, ainda antes do festival organizado na Ucrânia, ajudaram a catapultar a canção de Salvador Sobral (escrita pela sua irmã, Luísa) para um nível planetário.

Representou, por isso, para além da enorme capacidade da canção interpretada pelo jovem músico, o reconhecimento da língua portuguesa no mundo.

Não terão, efectivamente, a edição de 2017 Festival Eurovisão da Canção e o "desempenho" do artista e da canção portugueses feito mais pela divulgação da língua portuguesa do que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e o Camões – Instituto da Cooperação e da Língua fizeram em anos e anos de actividade?

31/07/2019

Paz e prisioneiros

O pacifista germânico Carl von Ossietzky foi, no final da década de 1930, preso pelos chamados nazis e acabou por morrer encarcerado.

Tornou-se, assim, na primeira pessoa agraciada com o prémio Nobel da Paz a morrer numa prisão.

Ora, foram precisos quase setenta anos para que um outro activista e galardoado por um prémio Nobel da Paz (em 2010) falecesse na prisão (estava preso desde Dezembro de 2008): o chinês Liu Xiabo foi o segundo.

30/07/2019

Uma nova colonização?

O estudo que a publicação científica Proceedings of the National Academy of Sciences divulgou, há poucos anos – "Biological annihilation via the ongoing sixth mass extinction signaled by vertebrate population losses and declines" – demonstrou, efectivamente, que estava em curso uma nova extinção em massa de espécies animais no planeta. 

Um dos factores apontados como estando na sua origem foi, precisamente, a sobrepopulação humana.

Ora, há muitos anos que me venho colocando uma pergunta: não serão as viagens científicas a outros planetas do sistema solar (como a Marte, por exemplo) feitas, "em última análise", com um objectivo que é o de analisar se existem – ou se poderão vir a ser criadas – condições para que, sendo necessário (se se verificasse, por exemplo, caos militar, social e económico generalizado no planeta Terra), algumas centenas ou milhares de pessoas (possuidoras de determinadas "características" financeiras, evidentemente...) pudessem ir viver para esses planetas como os colonos de outrora?

29/07/2019

O Museu Sidónio Pais

Já aqui citei uma frase sobre o assassinato de Sidónio Pais.

Ora, se essa frase qualificou como trágico tal acontecimento foi porque Sidónio foi uma ‘personagem’ importante na História de Portugal.

Desde logo porque foi presidente da República.

Creio, por isso mesmo, que seria também importante que o município de Caminha concretizasse o que havia anunciado há pelo menos três anos junto à casa onde nasceu e viveu: "Aqui vai nascer o Museu Sidónio Pais".

27/07/2019

Ameaça neutralizada

Escreveu o escritor norte-americano Chuck Palahniuk, no romance "Lullaby" (de 2002), o seguinte:


"O velho George Orwell entendeu tudo ao contrário. O Big Brother não está a ver. Ele está, sim, a cantar e a dançar. Ele está a tirar coelhos de uma cartola. O Big Brother está a captar a tua atenção a partir do momento em que estás acordado. Ele quer assegurar que estarás, sempre, distraído. Ele quer ter a certeza de que estarás, sempre, imerso em distracções… e isto é pior do que ser observado. Com qualquer coisa sempre a distrair-te ninguém tem que se preocupar com o que estás a pensar. A partir do momento em que a imaginação de todos está atrofiada, a certeza de que nunca ninguém se irá tornar numa ameaça para o mundo".

26/07/2019

Que Educação?

De acordo com um estudo que o francês Ministére de L’Éducation Nationale levou a efeito, em 2016, 22.5% dos 760 mil participantes (com idades entre os 16 e os 25 anos) que nele foram "auscultados" tinham capacidades de leitura muito deficientes.

De facto, 11.7% foram considerados leitores medíocres, 5.7% como tendo muito fracas capacidades de leitura e 5.1% como possuidores de sérias dificuldades para fazê-lo.

No ano seguinte - em 2017, portanto -, uma docente da disciplina de francês chamada a corrigir provas do Baccalauréat do país (o Baccalauréat é um exame escrito cujos objectivos, tais como as provas portuguesas feitas no 12.º ano de escolaridade, são sintetizar a matéria aprendida e, ao mesmo tempo, servir de base, por assim dizer, para uma eventual candidatura ao chamado ensino superior), lamentou-se, num "post" publicado na rede social Facebook com o título "Désolation d’une correctrice du bac en détresse...", da qualidade intelectual presente na maioria dos exemplares que tinha que corrigir e, mais do que isso, que as próprias classificações tivessem que ser aumentadas artificialmente por forma a corresponder às "expectativas" que o Sistema ambicionava.

"Pobre França"… "Pobre educação", comentou.

Ora, o que tais dados revelaram também foi uma muito reduzida capacidade de muitos desses alunos para interpretarem o mundo que os rodeava e, claro, para, partindo do passado, retirarem ensinamentos para o presente e para o futuro, por assim dizer.

Mas proponho que se faça um exercício mental e se lhe associe uma pergunta: será que se substituísse, nesta (triste) situação, tudo o que diz respeito à França por professores e alunos portugueses, sistema de ensino português e provas escritas em português, por exemplo, seria muito disparatado escrever "Pobre educação"… "Pobre Portugal"?

25/07/2019

Sócrates e a Liberdade

Ano 399 antes da era de Cristo (a.C.).

Atenas.

Acusado de corromper a juventude e de não prestar homenagem às divindades da cidade, prenderam-no.

Mas isso não o impediu de continuar a receber alunos com quem discutia, por exemplo, a imortalidade da alma.

Ora, para ele a Morte não seria mais do que uma passagem para o outro lado da Vida.

Seria, por isso, uma libertação já que o corpo impediria que o Ser pudesse atingir a plenitude da sua existência terrestre.

Por ser denso, enganador e demasiadamente exigente.

Assim, em 399 a. C., o filósofo Sócrates bebeu veneno e libertou-se.