O lema da divisão de engenharia
do exército do Estados Unidos da América é "Essayons"
("Tentemos", em português).
Ora,
esta divisão foi, depois de tentar, claro, a responsável pela
construção e desenvolvimento da bomba atómica sendo que um
‘exemplar’ da mesma foi, há setenta e quatro anos (no dia 6 de Agosto de 1945), lançado por um
avião militar ao seu serviço sobre a cidade japonesa de Hiroshima.
Foi,
de facto, no dia 6 de Agosto de 1945 e a referida bomba tinha o nome
Little boy
("criança").
Que
cinismo.
Dar-se
um nome que significa "alegria" e, na verdade, "vida", a um
engenho que tinha sido concebido para aniquilar milhares de pessoas e
arrasar uma cidade.
Assim,
cerca de 80 mil pessoas morreram instantaneamente e mais de 110 mil
faleceriam, depois, vitimadas pelas radiações e pelas complicações
delas decorrentes.
Dias
depois – a 9 de Agosto – seria a vez da também nipónica cidade
de Nagasaki ser pulverizada por uma uma bomba vinda do ar (igualmente
nuclear) com um poder de destruição equivalente ao proporcionado
por 21 mil toneladas de TNT.
Levando
a morte, de forma instantânea, a mais de 70 mil pessoas.
Ou
seja, cerca de 270 mil mortos e duas cidades inteiramente reduzidas a
pó (ou quase…).
Mas,
para os senhores da guerra (ou da paz, dirão outros), tal destruição
tinha valido a pena: a 14 de Agosto de 1945, cinco dias após a bomba
sobre Nagasaki ter sido lançada, o imperador japonês Hirohito (avô
do actual imperador) anunciou a rendição do Japão (uma das três
potências que formavam o "Eixo") pondo, desse modo, fim à II
Guerra Mundial.
Recordo,
no entanto, um excerto do discurso proferido pelo presidente
norte-americano Franklin Delano Roosevelt em 8 de Dezembro de 1941 a
propósito do ataque, ocorrido na véspera, de navios e aviões
japoneses à base norte-americana de Pearl Harbor: "a
date which will live in infamy"
("uma
data infame").
Ora,
infame é, também, a palavra que escolho para caracterizar
cada um dos ataques norte-americanos.