Um estudo recentemente disponibilizado pela publicação digital Nature Behavior revelou que uma inscrição que havia sido encontrada nas ruínas de uma antiga cidade maia mostrou que os vários reinos desta civilização da América do Sul faziam uso de violência 'extrema' em momentos de guerra destruindo completamente cidades inimigas e executando as famílias 'nobres' que nelas residiam.
De resto, os investigadores pensam que este uso da 'ultraviolência' bem como as secas e a erosão dos solos relacionada com a desflorestação terão sido determinantes para a extinção desta civilização há cerca de mil anos.
Recordo, aliás, que a civilização maia abrangia a região que se situa, actualmente, entre a parte mais a Sul do México e a parte mais a Norte da chamada América Central e 'durou', sensivelmente, desde o ano 250 até ao ano 900 (da chamada era cristã).
E pergunto: apesar de vivermos numa época em que existe tanto 'escrutínio' mediático e tantos tratados com disposições morais e éticas e, ainda, ameaças de penalizações criminais para colocar em prática em caso de conflito armado, será que uma barbaridade semelhante à dos maias de há um milénio não continua a existir?
21/08/2019
20/08/2019
O ladrão de espíritos
Não foi apenas ao nível material que o colonialismo (oficial, claro) que todos conhecemos espoliou os povos e as pessoas que o sofreram.
Na verdade, o dito colonialismo foi, antes de mais, um ladrão de espíritos e da(s) identidade(s) dessas pessoas.
Ora, o governo da Jamaica veio já exigir ao britânico British Museum a devolução de um conjunto de objectos que tinham sido 'retirados' (ou roubados?) do país há centenas de anos.
Exemplo que não é, feliz e infelizmente, único.
Felizmente porque alguns dos povos - ou melhor, os seus representantes políticos - 'interessados' parecem ter começado já a adquirir uma maior e melhor consciência de si próprios e da sua História.
E infelizmente porque tais exigências provam aquilo que escrevi há algumas linhas atrás: que o colonialismo foi, sobretudo, um ladrão de espíritos e de identidades.
Por tudo isto, apoio esta pretensão.
E todas as que se seguirem.
Na verdade, o dito colonialismo foi, antes de mais, um ladrão de espíritos e da(s) identidade(s) dessas pessoas.
Ora, o governo da Jamaica veio já exigir ao britânico British Museum a devolução de um conjunto de objectos que tinham sido 'retirados' (ou roubados?) do país há centenas de anos.
Exemplo que não é, feliz e infelizmente, único.
Felizmente porque alguns dos povos - ou melhor, os seus representantes políticos - 'interessados' parecem ter começado já a adquirir uma maior e melhor consciência de si próprios e da sua História.
E infelizmente porque tais exigências provam aquilo que escrevi há algumas linhas atrás: que o colonialismo foi, sobretudo, um ladrão de espíritos e de identidades.
Por tudo isto, apoio esta pretensão.
E todas as que se seguirem.
Post
scriptum:
O
Castelo de Powis, em Gales, no Reino Unido, está cheio de artefactos
roubados na Índia pela inglesa Companhia das Índias Orientais.
Na
verdade, mais do que aqueles que integram o espólio do Museu
Nacional do país (em Nova Deli) ...
19/08/2019
O compêndio do mundo
Viviam
em Maio de 2003, de acordo com a Direcção-Geral dos Assuntos
Consulares e Comunidades Portuguesas, cerca de 4.8 milhões de
portugueses e indivíduos de origem portuguesa em todo o mundo.
E, segundo dados compilados pelo Observatório da
Emigração (disponíveis em Setembro de 2009), esses milhões de
pessoas dispersavam-se por cento e quarenta dos então cento e
noventa países do mundo.
Ora,
poucos anos mais tarde residiam em Portugal representantes, por assim
dizer, de mais de cento e setenta nacionalidades (falando cerca de
cem idiomas).
Assim,
embora seja, talvez, possível encontrar uma ‘concentração’
maior desta diversidade cultural na zona de Lisboa, ela verifica-se
em todo o país.
E
ainda bem.
Seja como for, estou a lembrar-me das palavras de um poema do poeta português André
Falcão de Resende (1527-1599) ‘composto’ num contexto político,
social, cultural e económico muito diferente do de hoje: "É
Lisboa um mar profundo; de vária navegação; É um compêndio do
mundo; aonde tudo acharão; Ásia, África, Europa".
17/08/2019
O lago Baikal
Também
no Turismo foram precisos milhares de anos para que o Homem deixasse
para trás os locais que os seus antepassados sempre haviam conhecido
e desse, assim, um passo rumo ao desconhecido.
Mas
eis que, no entanto, cerca
de 95% dos actuais turistas ocupam apenas 5% do planeta.
Ou
seja, a esmagadora maioria dos turistas opta por visitar somente uma
ínfima parte da Terra.
Ora,
na verdade, é precisamente devido ao excesso de Turismo que
as autoridades do Sul da região russa da Sibéria pretendem impor
uma espécie de travão ao número de turistas que tem anualmente
vindo a visitar o mais antigo, profundo e maior (com cerca de 630
quilómetros de diâmetro) lago de água doce do mundo – e aquele
que, na língua mongol, significa "Natureza": o lago Baikal.
Recordo,
de resto, que, quer a ilha filipina de Boracay, quer a ilha indonésia
de Komodo (‘casa’ dos famosos "dragões de Komodo"), impôs
(no caso da primeira, em 2018) ou imporá (no caso da segunda, a
partir de 2020) "restrições turísticas".
Restará,
apenas, saber, no caso russo, se o actor norte-americano – e
defensor do Ambiente com ascendência russa – Leonardo DiCaprio
ajudará as autoridades e alguns dos ambientalistas do país a
defenderem o lago Baikal.
16/08/2019
Estudos (pouco) credíveis
Um
dos mais conceituados centros de pesquisa norte-americanos, o Pew
Research Center,
divulgou, no início de Agosto de 2017, um estudo – "Globally,
People Point to ISIS and Climate Change as Leading Security Threats"
– que teve por base as respostas de 41 953 pessoas espalhadas por
38 países em todo o mundo (na América: Argentina, Brasil, Chile,
Estados Unidos da América, Colômbia, Canadá, Venezuela, México e
Peru; em África: Tunísia, Gana, Quénia, Tanzânia, África do Sul,
Senegal e Nigéria; na Europa: França, Alemanha, Grécia, Hungria,
Itália, Países Baixos, Polónia, Espanha, Suécia, Reino Unido,
Rússia e Turquia; na Ásia: Japão, Filipinas, Israel, Líbano,
Índia, Indonésia, Vietname, Coreia do Sul e Jordânia; na Oceânia:
Austrália).
Concluiu-se,
então, que "de
entre oito possíveis ameaças à segurança dos países em que
vivia, a maior parte dos habitantes do planeta ‘elegeu’ o Estado
Islâmico e as alterações climáticas".
Lembro-me de, de facto, ter concordado com a justeza desta ‘eleição’.
No
entanto, e embora não fosse um especialista em estudos de opinião
ou, se se quiser, em sondagens, consegui formular a minha própria opinião
acerca da metodologia utilizada por este estudo.
Assim, e segundo
as contas que então fiz, os trinta e oito países escolhidos contavam cerca
de 3 biliões, 828 milhões e 293 mil habitantes.
Ora,
as 41 953 pessoas seleccionadas pelos autores da pesquisa para
darem as suas respostas correspondiam, em termos percentuais, a
0.001% do ‘valor’ populacional que apurei.
Considerei,
por isso, que não era possível fazer-se qualquer juízo sério a
partir desta percentagem e, muito menos, extrapolar para uma parte da
humanidade a opinião de alguns milhares de pessoas (não que não
seja, evidentemente, passível de ser ‘escutada’) já que a
margem de erro era ínfima.
15/08/2019
A França, o Egipto, a Inglaterra e a Índia
A França ocupou o Egipto entre 1789 e 1805.
Napoleão esperava, desse 'modo', pôr um ponto final ao comércio inglês com a Índia.
Napoleão esperava, desse 'modo', pôr um ponto final ao comércio inglês com a Índia.
14/08/2019
"O povo é sereno"
Foi
há já alguns anos que o
jornal digital
Nature
Human Behaviour
publicou um estudo levado a cabo por quatro investigadores em
economia comportamental.
Ora,
nas linhas introdutórias desse estudo – "Behavioural economics:
Preserving rank as a social norm" – escreveu-se o seguinte: "os
testes realizados permitem afirmar que as pessoas não gostam da
desigualdade de rendimentos. Será que, no entanto, estão dispostas
a alterar a hierarquia social estabelecida para eliminar essa mesma
desigualdade? Uma ampla experiência de cariz multicultural permite
mostrar que, desde jovens, a maior parte das pessoas recusa a
alteração da ‘configuração’ social como forma de remover as
diferenças entre ricos e pobres. Tal é, pois, uma norma social".
Ou
seja, as pessoas – quaisquer que sejam a sua idade e o seu país de
origem – recusam desencadear processos que possam levar a mudanças
na hierarquia social.
Não
estou,
por
isso,
a conseguir
deixar de me lembrar,
à medida que vou escrevendo
estas linhas, de uma frase proferida pelo almirante José Pinheiro de
Azevedo em Novembro de 1975 no Terreiro do Paço, em Lisboa: "o
povo é sereno".
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