Lembro-me
de ter visto (e ouvido) uma reportagem que uma estação televisiva
portuguesa emitiu, há alguns anos, sobre vários portugueses que
haviam sido expulsos dos Estados Unidos da América para as suas
terras de origem, nos Açores.
Pareceu-me
que os ‘entrevistados’ que participaram naquele trabalho de
investigação – todos eles – se "esqueceram" de dois
aspectos que eram (e são), para mim, fundamentais: o de que eram
estrangeiros naquelas novas terras e o de que havia regras sociais a
cumprir (tal como, claro está, existem em todo o lado).
Ou
seja, não conseguiram, por razões várias, conjugar
as "fronteiras" da sua identidade cultural com as da sociedade de
acolhimento.
Lembro-me,
também, da intervenção, na dita peça jornalística, de alguém
que trabalhava como sociólogo junto desses ‘repatriados’: estes
estavam, disse então, "perfeitamente
integrados"
quando foram ‘apropriados’ pelo sistema judicial.
"Perfeitamente
integrados"?
Ora,
como se poderá
considerar que alguém estava "perfeitamente
integrado"
numa dada sociedade se vivia uma existência à margem da lei
(admitida e pormenorizada, de resto, por todos os entrevistados…) e
que, depois, foi judicialmente condenado?