"A identidade não é inata nem
se manifesta de surpresa. Resulta, pelo contrário, de um lento e
complexo processo de socialização".
Eis
algumas palavras que foram escritas em 1994 numa dissertação de
mestrado em Relações Interculturais.
Estou
inteiramente de acordo.
Quero
dizer, adquirimos algumas coisas a partir do momento do nosso
nascimento, claro, mas tudo o resto terá que ser adquirido pela
nossa vivência.
E
é nesta fase que ‘entra em acção’ um dos aspectos que
distingue os humanos dos outros animais: a linguagem.
Na
verdade, como refere o "Léxico das Ciências Sociais" que a
Porto
Editora
publicou em 2007, "por intermédio da linguagem, o indivíduo
assimila e apropria-se de todo um sistema e de codificações que lhe
permitem comunicar com os seus semelhantes, marcar a sua pertença a
grupos ou rejeitar a sua pertença a outros".
***
Assinalo
agora os setenta e um anos da morte de uma das mais importantes
figuras da Antropologia.
A
da norte-americana Ruth Benedict.
Ora,
assinalo a data do seu falecimento citando-a.
De
facto, escreveu Benedict numa das obras que considero fundamentais na
já referida ciência social – e, também, evidentemente, na esfera
das relações humanas –, "Patterns
of Culture" [ou, em língua portuguesa, "Padrões
de Cultura"], primeiramente publicada em 1934 mas
sucessivamente ‘republicada’, o seguinte:
"Nenhum Homem pode ser
verdadeiramente participante de uma cultura se não foi educado e
criado segundo as suas formas; mas pode reconhecer que as culturas
diferentes são tão significativas e racionais para quem nelas
comparticipa como a sua o é para si".
Post scriptum: aproveito o facto
de estar a referir-me a uma antropóloga para citar outro
antropólogo. Não de nacionalidade norte-americana mas sim
portuguesa: Jorge Dias.
Em "Antropologia Cultural", publicado em meados da década de 1950,
escreveu, também, o seguinte: "Padrão
ou modelo de cultura é a feição típica que os elementos ou
complexos tomam dentro de cada cultura. O padrão tem um certo
caracter compulsivo que resulta da pressão que a sociedade exerce
sobre os indivíduos, no sentido de obrigar a respeitar essa feição,
característica de cada cultura. A
compulsão não é de caracter moral, mas meramente de respeito pelo
que o costume estatuiu, e verifica-se em todos os aspectos da
cultura. As formas
de certos objectos, certas maneiras de agir ao realizar um culto, o
comportamento dos indivíduos em determinadas situações, obedecem
sempre a modelos legados pelo passado".