24/09/2019

Um artista plástico

Quem ouviu já a canção "A Morte Saiu à Rua" que Zeca Afonso compôs e interpretou no início da década de 1970 ter-se-á, talvez, apercebido das palavras que este utilizou para, num concerto, a apresentar, por assim dizer: uma espécie de homenagem ao pintor Dias Coelho.

No entanto, a placa toponímica referente à Rua José Dias Coelho que se pode encontrar na cidade de Lisboa ‘classifica-o’ como escultor.

Assim, se o resistente ao Fascismo (assassinado por agentes da PIDE…) foi, para alguns, pintor, para outros foi escultor.

Ora, eu limito-me a ‘designá-lo’ artista plástico.

23/09/2019

O liberalismo em Portugal

A Constituição de 1822 – o mais antigo texto constitucional português – foi aprovada no dia 23 de Setembro desse ano.

Este texto não teve, contudo, vida longa: em Maio de 1823 deu-se a Vilafrancada e, em Abril de 1824, a Abrilada.

Ora, tais movimentos pretendiam a restauração do regime absolutista em Portugal e o fim da monarquia constitucional.

Embora tenham fracassado, a morte do rei D. João VI, em 1826, veio trazer ainda mais confusão política a Portugal: o herdeiro legítimo do trono era o seu filho Pedro – que viria a ser aclamado rei com o nome D. Pedro IV – mas este era já também o imperador do Brasil.

Então, uma vez que não podia ocupar os dois ‘cargos’ em simultâneo, o que fez?

Abdicou do trono português em favor da sua filha Maria mas aceitou que esta se casasse com o tio – e irmão de D. Pedro, D. Miguel – que, em virtude da sua idade – 7 anos – assumiria a regência.

Este, que desde a Abrilada havia estado exilado na capital austríaca, aceitou as condições mas, após a sua chegada a Portugal, acabou por as renegar e instalar um regime político absolutista e repressivo.

Mas, como sempre acontece, houve resistência: o próprio D. Pedro acabou por abdicar do título de imperador do Brasil e passou a dirigir pessoalmente a luta para a reinstauração do liberalismo em Portugal.

No ‘meio’ de uma guerra civil, o movimento de D. Pedro – que contou com um forte apoio da população e com a oposição de uma "parte" substancial da Igreja – acabou por derrotar as tropas absolutistas. Após a assinatura da paz na Convenção de Évora Monte, D. Miguel foi novamente obrigado a exilar-se e o liberalismo foi definitivamente implantado em Portugal.


Nesta caricatura, a luta entre os irmãos D. Pedro e D. Miguel foi indicada como sendo o resultado da pressão e do incitamento de potências estrangeiras: enquanto a Áustria apoiava D. Miguel (à direita), a Inglaterra incitava contra ele D. Pedro (à esquerda).

21/09/2019

O padre Himalaya

"O Padre Himalaya (1868-1933), o primeiro a conceber e realizar uma construção de aproveitamento da energia solar teve esta como primeiro prémio/medalha de ouro na Exposição Universal de St. Louis (E.U.A.). Foi uma personagem de dimensão mundial, sendo considerado o primeiro ecologista e primeiro naturopata português. No cemitério de Arcos de Valdevez (Concelho onde nasceu e onde está sepultado) existe um destacado monumento funerário em sua honra".

Fonte: exposição na Biblioteca Nacional de Portugal, 2018

20/09/2019

O primeiro auto-de-fé em Portugal


No dia em que se assinalam cinco séculos do início da viagem de Fernão de Magalhães - que se tornaria, de resto, na primeira circum-navegação do globo terrestre -, opto agora por ‘destacar’ um outro acontecimento.

Muitíssimo ‘sombrio’, por sinal.

De facto, Heinrich Heine, poeta alemão do século XIX, escreveu que "Quem começa por queimar livros, acaba por queimar homens".
Ora, não sei se estava a pensar nalguma situação particular quando escreveu esta frase.
O que sei é que se assinalam hoje, também, 479 anos daquele que foi o primeiro auto-de-fé em Portugal: foi, precisamente, no dia 20 de Setembro (outros dirão "26 de Setembro"… ) de 1540 que, na sequência de um processo religioso, foi queimada a primeira pessoa em Portugal.

Foi no largo do Rossio, em Lisboa, que essa sentença foi executada.

Mais um ‘gesto’ infame.

19/09/2019

A felicidade e a liberdade de Péricles

Terá afirmado o político grego Péricles no seu tempo de vida – no século V antes do suposto nascimento de Cristo – o seguinte:


"O segredo da felicidade está na liberdade.
O segredo da liberdade está na coragem!"

18/09/2019

Escolaridade em Portugal

"Sabia que as pessoas residentes em Portugal tinham, no ano 2000, uma escolaridade semelhante à dos residentes na Alemanha do ano de 1930 ou na Roménia de 1970"?



Fonte: Estudo "Benefícios do Ensino Superior" [Fundação Francisco Manuel dos Santos].

17/09/2019

A identidade, Ruth Benedict e Jorge Dias

"A identidade não é inata nem se manifesta de surpresa. Resulta, pelo contrário, de um lento e complexo processo de socialização".

Eis algumas palavras que foram escritas em 1994 numa dissertação de mestrado em Relações Interculturais.

Estou inteiramente de acordo.

Quero dizer, adquirimos algumas coisas a partir do momento do nosso nascimento, claro, mas tudo o resto terá que ser adquirido pela nossa vivência.

E é nesta fase que ‘entra em acção’ um dos aspectos que distingue os humanos dos outros animais: a linguagem.

Na verdade, como refere o "Léxico das Ciências Sociais" que a Porto Editora publicou em 2007, "por intermédio da linguagem, o indivíduo assimila e apropria-se de todo um sistema e de codificações que lhe permitem comunicar com os seus semelhantes, marcar a sua pertença a grupos ou rejeitar a sua pertença a outros".

     *** 


Assinalo agora os setenta e um anos da morte de uma das mais importantes figuras da Antropologia.

A da norte-americana Ruth Benedict.

Ora, assinalo a data do seu falecimento citando-a.

De facto, escreveu Benedict numa das obras que considero fundamentais na já referida ciência social – e, também, evidentemente, na esfera das relações humanas –, "Patterns of Culture" [ou, em língua portuguesa, "Padrões de Cultura"], primeiramente publicada em 1934 mas sucessivamente ‘republicada’, o seguinte:


"Nenhum Homem pode ser verdadeiramente participante de uma cultura se não foi educado e criado segundo as suas formas; mas pode reconhecer que as culturas diferentes são tão significativas e racionais para quem nelas comparticipa como a sua o é para si".





Post scriptum: aproveito o facto de estar a referir-me a uma antropóloga para citar outro antropólogo. Não de nacionalidade norte-americana mas sim portuguesa: Jorge Dias.
Em "Antropologia Cultural", publicado em meados da década de 1950, escreveu, também, o seguinte: "Padrão ou modelo de cultura é a feição típica que os elementos ou complexos tomam dentro de cada cultura. O padrão tem um certo caracter compulsivo que resulta da pressão que a sociedade exerce sobre os indivíduos, no sentido de obrigar a respeitar essa feição, característica de cada cultura. A compulsão não é de caracter moral, mas meramente de respeito pelo que o costume estatuiu, e verifica-se em todos os aspectos da cultura. As formas de certos objectos, certas maneiras de agir ao realizar um culto, o comportamento dos indivíduos em determinadas situações, obedecem sempre a modelos legados pelo passado".