31/10/2019

Poupança e abundância

Assinalando-se hoje o Dia Mundial da Poupança parece-me perfeitamente oportuno transcrever uma pequena parte de um texto publicado pelo economista canadiano John Kenneth Galbraith – em língua portuguesa, "A sociedade da abundância" (foi 1984 o ano da edição portuguesa).

"A experiência que as nações têm do bem-estar é demasiado curta. Quase todas, através da História, foram muito pobres. A excepção, quase insignificante em relação ao total da existência humana, foram as gerações recentes neste relativamente pequeno canto do mundo habitado pelos Europeus. Aí e principalmente nos Estados Unidos, tem havido uma grande abundância, praticamente sem precedentes. (…). Não seria de esperar que as preocupações com a pobreza fossem importantes num país em que o individuo comum tem acesso a coisas agradáveis – comidas, divertimentos, transporte pessoal, canalização nas casas – que há um século nem os ricos podiam ter. A mudança foi tão grande que muitos dos desejos do indivíduo nem sequer são evidentes para ele próprio. Só se tornam evidentes quando elaborados e alimentados pela propaganda e pela técnica de vendas".

30/10/2019

As ordens religiosas militares

As ordens religiosas militares eram essencialmente constituídas por monges cavaleiros 'ligados' às Cruzadas e simultaneamente crentes nas virtudes da arte equestre.

Distinguiram-se, em Portugal, as de Calatrava, a de Santiago, a do Hospital e a dos Templários. 

29/10/2019

A Peste Negra

Foi em meados do século XIV que a chamada Peste Negra (epidemia de peste bubónica) se 'espalhou' por toda a Europa.

Com origem, talvez, na Crimeia, no Sul da Rússia, a Peste Negra 'aproveitou-se', efectivamente, dos circuitos comerciais existentes no continente para aqui contaminar milhões de pessoas: doença infectocontagiosa provocada pelo vírus depois 'baptizado' Yersinia pestis, deixava manchas negras em todo o corpo e terá dizimado cerca de 50-60% da população residente na Europa (ou seja, mais do que o 'valor' geralmente referido, "um terço").

Portugal, esse, foi 'atingido' em 1348 e terá também perdido cerca de metade da sua população.

Refiro, ainda, dois aspectos que, em minha opinião, são importantes: o primeiro incide no facto de que a população da Europa e do Mundo nesse tempo estaria (talvez de forma surpreendente, segundo alguns), (muito) melhor preparada para 'lidar' com este tipo de epidemias/pandemias uma vez que, em muitas dimensões dimensões da vida, era autónoma e independente não estando 'sujeita' aos "ditames" da chamada globalização (em termos do consumo de bens alimentares, por exemplo); o segundo - e último - nada mais é do que uma espécie de lembrete de que a Peste Negra (e o vírus Yersinia pestis, claro) está ainda entre nós sendo que os relativamente recentes surtos no continente americano provaram isso mesmo...








A Peste Negra 'ceifou' milhões de vidas em todo o mundo.




28/10/2019

O Zodíaco Lusitano

Assinalam-se em 2019 os duzentos e setenta anos da publicação daquele que foi o primeiro periódico impresso no Porto: o "Zodíaco Lusitano".

26/10/2019

Benavente e o Arco de Trajano

Uma das palavras de que habitualmente me 'sirvo' sempre que me refiro a Benavente (sede de concelho pertencente ao distrito de Santarém) é antiga: de facto, segundo a própria edilidade ribatejana, "Em 1199, a fixação de colonos estrangeiros na margem sul do Tejo, conduziu ao surgimento da povoação de Benavente".

Assim, embora antiga, esta vila não é tão antiga como a sua homónima italiana que acolhe o Arco de triunfo de Trajano...

25/10/2019

Roma e os "Bárbaros"

Escreveu o eclesiástico grego Sinésio na sua obra "Da Realeza" (do século IV da chamada Era Cristã) o seguinte:


"O imperador Teodósio [...] tratou os Bárbaros com demasiada indulgência e deu-lhes o título de aliados; concedeu-lhes direitos políticos e ofereceu-lhes boas terras. Mas eles [...] viram neste procedimento uma fraqueza da nossa parte, passando a comportar-se de forma arrogante".


Na verdade, na sequência de invasões destes povos, foi, em 476, deposto o último imperador romano acabando assim o Império Romano do Ocidente.

24/10/2019

O 'maior' embaixador de Portugal

Não foi há muito tempo que pude 'percorrer' uma espécie de lista enumerando as dez personalidades portuguesas que mais se tinham destacado, ao longo da História de Portugal, no "engrandecimento" do nome do país enquanto emigrantes.

Essa lista – como, de resto, qualquer lista – é subjectiva.

Isto é, são elaboradas por um indivíduo (ou por vários) condicionado(s), claro, pelas suas ideias e, enfim, pelos seus próprios valores.

Que são necessariamente diferentes das ideias e dos valores de outro qualquer indivíduo.

Como eu.

Não tenho, todavia, capacidades académicas para elaborar uma lista citando muitas personalidades da história portuguesa.

Mas tenho, sim, capacidade para dizer qual me parece ser, neste momento – e desde há alguns anos seguramente – o melhor "embaixador" de Portugal.

Não é um presidente, nem um primeiro-ministro, um diplomata ou um dirigente empresarial.

É, na verdade, um desportista.

Mais concretamente, um futebolista.

O seu nome?

Cristiano Ronaldo.

Porque, sendo emigrante, tem conseguido fazer com que o nome Portugal seja tão conhecido em França como no Uganda ou na Mongólia, por exemplo.

Talvez depois de Eusébio – outro desportista... – tenha, até aos dias de hoje, sido o português mais conhecido lá fora, se se quiser dizer assim.

Beneficiando, naturalmente, de todo um conjunto de 'instrumentos' mediáticos, desportivos e tecnológicos, a sua qualidade como desportista e como futebolista tornou-se, com o passar do tempo, indissociável do país em que nasceu.

Reconheço-lhe, pois, este mérito independentemente de todas as críticas que possa fazer – e faço – ao 'mundo' do futebol (em que Ronaldo se 'movimenta', de facto) internacional actual com os seus contratos, os salários, os benefícios associados, as cláusulas ou a violência. 

Ora, quem dera a um qualquer país ter verdadeiros 'representantes positivos' de alcance planetário.