"Os fidalgos, a quem o soberano fazia doações
de vilas e outros lugares, não só não guardavam aos moradores os seus usos e
costumes, os seus foros e liberdades, evitando por todos os modos que as
queixas dos oprimidos chegassem aos ouvidos do Rei, mas com a numerosa e
insolente comitiva que os acompanhava, cometiam toda a casta de violência.
Tomavam as roupas alheias, e serviam-se delas até as inutilizarem; roubavam as
galinhas, a palha e a lenha; forçavam as mulheres e filhas dos habitantes dos
lugares; praticavam, enfim, malfeitorias de tal ordem que os moradores, diz o
povo, queriam antes que os vendessem a mouros, do que os deixassem ficar na
sujeição em que se encontravam".
Esta não é uma citação que ‘retirei’ do livro de
Luís Sá (dirigente do Partido Comunista Português), publicado no ano
2000, "Traição Dos Funcionários? Sobre a Administração Pública
Portuguesa" mas uma citação que li ‘retirada’ do livro escrito por
Henrique da Gama Barros em 1885 "História da Administração Pública dos
sécs. XII a XV".
Mas será que descendentes dos fidalgos de outrora e
muitos dos seus costumes aqui descritos, apesar de ‘adaptados’ ao tempo de
hoje, não continuam a existir em Portugal?