22/11/2019

Fidalgos intemporais

"Os fidalgos, a quem o soberano fazia doações de vilas e outros lugares, não só não guardavam aos moradores os seus usos e costumes, os seus foros e liberdades, evitando por todos os modos que as queixas dos oprimidos chegassem aos ouvidos do Rei, mas com a numerosa e insolente comitiva que os acompanhava, cometiam toda a casta de violência. Tomavam as roupas alheias, e serviam-se delas até as inutilizarem; roubavam as galinhas, a palha e a lenha; forçavam as mulheres e filhas dos habitantes dos lugares; praticavam, enfim, malfeitorias de tal ordem que os moradores, diz o povo, queriam antes que os vendessem a mouros, do que os deixassem ficar na sujeição em que se encontravam".


Esta não é uma citação que ‘retirei’ do livro de Luís Sá (dirigente do Partido Comunista Português), publicado no ano 2000, "Traição Dos Funcionários? Sobre a Administração Pública Portuguesa" mas uma citação que li ‘retirada’ do livro escrito por Henrique da Gama Barros em 1885 "História da Administração Pública dos sécs. XII a XV".

Mas será que descendentes dos fidalgos de outrora e muitos dos seus costumes aqui descritos, apesar de ‘adaptados’ ao tempo de hoje, não continuam a existir em Portugal?



21/11/2019

O muro alemão

Os "países vencedores" da II Guerra Mundial acharam conveniente dividir a Alemanha como forma de a impedir de se vir novamente a tornar um ‘perigo’ para a Europa e para o mundo.

No fundo, dividir para reinar.

Assim, o país foi retalhado em duas áreas de influência: a zona Leste da Alemanha ficaria sob o domínio da União Soviética (a chamada República Democrática da Alemanha, R. D. A.) e a zona mais a ocidente (a chamada República Federal da Alemanha, R. F. A.) – tomando como ponto de referência, por assim dizer, a cidade de Berlim – seria controlada pelos Estados Unidos da América, pela França e pelo Reino Unido.

Ora, nos doze anos que separaram 1949 e 1961, fugiram cerca de três milhões de alemães – um em cada cinco habitantes – da zona Leste para a zona de influência "ocidental".

Até que nesta última data, 1961, precisamente, um muro com cento e cinquenta e cinco quilómetros de extensão foi construído pelas autoridades controladas pela União Soviética para estancar essa ‘sangria’ populacional.

Construído em 1961, o muro foi apenas destruído em 1989.

Alguém ganhou?

20/11/2019

O oceano Pacífico

O oceano Pacífico é a maior massa de água do planeta Terra.

Banha cerca de cento e cinquenta e cinco milhões de quilómetros quadrados ("grandes porções" dos continentes asiático e americano são banhadas pelo oceano Pacífico).

Na verdade, este oceano 'ocupa' cerca de um terço da superfície terrestre: a terra que compõe o 'chão' do oceano Pacífico é tão extensa que poderia albergar todos os continentes da Terra.

O oceano Pacífico deve o seu nome - Pacífico - ao navegador português do século XVI Fernão de Magalhães.

No entanto, só é exacta essa paz por vezes,  evidentemente, e só à superfície: debaixo de água, 'escondem-se' as placas tectónicas, responsáveis por causarem "poderosos" tremores de terra e actividade vulcânica.

19/11/2019

A Pangeia actual

Os continentes que hoje conhecemos foram, há centenas de milhões de anos, apenas um só: Pangeia.

No entanto, ainda que a configuração da Terra seja, presentemente, diferente da que era nesse tempo, creio que não se pode 'falar' na existência de seis ou sete continentes.

Porquê?

Começo pela América: entre o Norte e o Sul existe o istmo do Panamá.

Continuo pela Europa e pela Ásia e constato a não existência de uma espécie de fronteira física que me 'diga' que "aqui acaba a Europa e começa a Ásia" e vice versa.

E também não existe qualquer fronteira física que separe África e Ásia: o istmo do Suez une as duas grandes massas terrestres.

Ou seja: será que se deve continuar a pensar a Terra com seis (ou sete) continentes?

18/11/2019

Neom

O governante da Arábia Saudita afirmou já serem necessários quinhentos biliões de dólares americanos (500.000.000.000) para construir uma nova cidade a partir de terras desérticas e sem um centímetro de linha costeira.

Segundo os especialistas que trabalham para Mohammed bin Salman, a cidade - Neom - irá ter táxis voadores, dinossauros robotizados, câmaras de videovigilância apetrechadas com a mais recente tecnologia (em nome da segurança, claro), areia que brilha no escuro,  hospitais 'ultramodernos', uma lua artificial, um projecto para alteração genética de seres humanos (para os tornar mais 'fortes'), ...

Ora, a minha pergunta é só uma: tudo isso será a favor ou contra o Homem?

16/11/2019

O Cristianismo, ontem e hoje

Um manual escolar 'disse-me' o seguinte:


"Numa província do Império Romano - a Judeia, na Palestina - vai surgir, no tempo do imperador Octávio César Augusto, uma religião totalmente distinta da romana e de outras já estudadas. Alicerçada na figura de Jesus Cristo, filho de um Deus único, a nova religião causou grande impacto nas sociedades da época devido ao carácter inovador dos princípios que defendia. O sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos, explica a sua rápida difusão por todo o Império Romano. Os valores cristãos perduram ainda hoje nas sociedades do mundo ocidental".


Ora, o que aonteceu, entretanto, ao referido "sentido humanista e universal do Cristianismo, que não distinguia classes, raças ou povos" que explicou grandemente a sua "rápida difusão por todo o Império Romano" depois de o mundo ter assistido, por exemplo, à Inquisição, ao colonialismo ou à escravatura dos séculos XVI, XVII, XVIII e XIX?




15/11/2019

O ateísmo

Sobre a palavra ateísmo.

Deriva do grego atheiôtes, que, por sua vez, deriva de atheos: a (negação) e theos (Deus).

Assumindo-se, efectivamente, como uma doutrina que exclui a existência de Deus, aquele que se 'intitula' ateu rejeita e nega, pois, a existência de uma qualquer entidade, por assim dizer, divina.