04/12/2019

A taxa cultural africana


Acabei de ler um texto a que o jornalista senegalês Ousseynou Nar Guèye deu o título "Non à la restitution du patrimoine africain, oui à une taxe culturelle sur les musées occidentaux".

Reconhecendo que muitos dos objectos culturais originários de países africanos que integram actualmente o espólio de espaços museológicos "ocidentais" não foram roubados pois sendo esses países, à época, colónias e sendo estas parte da chamada metrópole a sua "transferência" não foi ilegal, este jornalista propõe, assim, que em vez da mera devolução de objectos esses museus "ocidentais" imponham uma taxa – a "taxa cultural africana", como a definiu – no valor de todos os bilhetes de entrada que fossem cobrados.

Ora, esta foi, talvez, uma das propostas mais lúcidas e inteligentes que já li sobre esta matéria, por assim dizer.



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O mundo da Química, por assim dizer, celebra, em 2019, a criação, pelo cientista russo Dmitry Mendeleev, do Sistema Periódico dos Elementos Químicos - vulgo, Tabela Periódica.



Em 1869.



Há cento e cinquenta anos, pois.



Mas celebra também, estou absolutamente certo, a inclusão, neste ano do século XXI, de cento e dezoito novos elementos químicos na referida tabela.








03/12/2019

De escravos a cidadãos

No ano em que se assinalam os quatrocentos anos do início do comércio negreiro - a escravatura... - para o território que hoje 'é' os Estados Unidos da América (embora esse território tivesse começado a 'receber' escravos africanos antes de 1619), o Gana, hoje um país que chegou a 'acolher' cerca de setenta e cinco por cento das então chamadas feitorias que negociavam, também, seres humanos, decidiu atribuir a cidadania a cento e vinte e seis afrodescendentes e afrocaribenhos descendentes desses escravos.

Medida essencialmente de carácter administrativo mas, também e sobretudo, emocional, cultural e identitário.

E, assim, justíssima.

02/12/2019

1640

"Os pesados impostos e as reformas administrativas que Filipe IV [III em Portugal] mandou aplicar fizeram renascer o espírito de independência em algumas províncias do seu reino, levando-as à revolta em 1640.
Quando o rei espanhol manda os seus exércitos para Barcelona (na Catalunha), os conspiradores portugueses aproveitam a ocasião e põem em prática o seu projecto de revolução".


Fonte: manual escolar que utilizei...






Painel de azulejos que 'ilustra' uma das salas de leitura do Palácio Galveias, em Lisboa.

30/11/2019

A efemeridade e a eternidade

A temática central, por assim dizer, do pequeníssimo texto que agora escrevo é o furto, na Alemanha, há poucos dias, de 'jóias nacionais'.

Ora, se há muito que sei que há quem, por amor ao efémero dinheiro, se apodere ilicitamente de objectos importantes para a História - e, claro, também para a Identidade - de um país (pense-se no 'caso' de alguma azulejaria em Portugal, por exemplo), fico atónito sempre que alguém, através de métodos aparentemente simples, por assim dizer, consegue como que enganar/iludir os supostos sistemas de 'alta segurança' de um espaço físico (um museu, por exemplo) e roubar (ou furtar) 'peças' imensamente importantes.

Mas, a verdade é que os indivíduos e os seus malabarismos criminosos desaparecerão (que pena tenho que nunca se lembrem disso...) enquanto que um país e a sua História viverão sempre (quanto mais não seja nos livros).

29/11/2019

Ainda das religiões

Tenho aqui escrito ultimamente sobre religiões.

Não sendo este um blogue religioso, por assim dizer, quero apenas fazer (mais) uma citação.

Esta de um escritor francês – Stendhal (psudónimo de Henri-Marie Beyle), que viveu em dois séculos, de 1783 a 1842: "Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos".

28/11/2019

A origem do monoteísmo

Segundo um manual escolar da disciplina de História que "uma vez" usei, "A grande originalidade da civilização hebraica reside na revolução religiosa, operada, gradualmente, num período que podemos situar entre 1500 e 600 a.C [antes da data geralmente atribuída ao nascimento de Jesus Cristo]. Ao contrário dos outros povos do seu tempo, que eram politeístas, os Hebreus adoptaram o monoteísmo: acreditavam que o seu deus – Jeová ou Javé – era superior a todos os outros deuses e os conduziria de novo à Terra Prometida, tal como tinham feito Abrãao e Moisés. Mais tarde, os Hebreus passaram a acreditar que o seu Deus era único e fora ele que criara e governava todos os homens da Terra (Todo-Poderoso). Tratando-se de um deus espiritual, não era representado através de imagens".

27/11/2019

"Haj"

Já aqui escrevi algumas vezes sobre o Islão.

Mas não isto: são milhões aqueles que, todos os anos, partem de vários lugares do mundo, da Turquia à Indonésia, por exemplo, com o objectivo de cumprir o último dos cinco 'mandamentos' da doutrina de Maomé - a peregrinação ("Haj", em árabe), por todos os muçulmanos, a Meca (na Arábia Saudita) pelo menos uma vez na vida.