Foi no ano de 1513 que os
navegadores portugueses chegaram à terra que haveria de se chamar
Macau.
Desconfiados,
os chineses acabaram por erguer uma fronteira entre o território
‘dos’ portugueses e a China: a Porta do Cerco.
Ora,
séculos depois, num restauro, foi-lhe incorporado o lema da Marinha
Portuguesa – "A Pátria Honrai Que A Pátria Vos Contempla".
Mas,
na verdade, se se passarem os olhos pelo livro do jornalista José
Pedro Castanheira "Os 5 dias que abalaram Macau" talvez se
consiga descobrir que "Macau sempre tinha sido olhado pela capital
do império com menos atenção, desinteresse e indiferença".
E
se se procurarem outros documentos escritos na época da mudança
oficial de soberania (que aconteceu em 20 de Dezembro de 1999) –
como peças jornalísticas, por exemplo – talvez se descubram
‘pérolas’ como a de um assessor do então governo (ainda
português) de Macau referir que o território havia sido, até há
poucos anos, um deserto absoluto de desinteresse por parte de
Portugal. Ou o subdirector dos Serviços de Turismo de Macau – um
português natural de Macau – declarar, em Maio de 2004, que
Portugal nunca tivera a noção exacta do que era Macau pelo que não
cumpria o seu papel perante a história.
No
entanto, indiferente a tanta indiferença, a Porta do Cerco ainda
hoje existe e consta, até, da lista de Património Mundial da
UNESCO.