14/01/2020

A arte gótica


O lema da cidade de Paris – "Fluctuat nec mergitur" – (ou, em português, "Flutua mas não se afunda") – adapta-se perfeitamente, por exemplo, a algum do seu património material.

Como a catedral de Notre Dame.

Sacudida por um violento incêndio (já em 2019), a catedral de Notre Dame "flutuou" mas não se "afundou".

Na verdade, a catedral é um verdadeiro símbolo da capital parisiense: associar o nascimento e o desenvolvimento da Arquitectura ao nascimento e ao desenvolvimento da Cidade não é, para muitos, seguramente, estranho.

Terá, pois, sido aquele quem ‘motivou’ a substituição, por exemplo, do estilo românico pelo gótico a partir do século XII.

Ora, a arte gótica surgiu inicialmente nas cidades do Norte de França: a primeira grande obra gótica, por assim dizer, terá sido a catedral de Saint Denis (em Paris) que foi construída em 1141.

Já em Portugal, a "arquitectura gótica" surgiu tardiamente. Se é um facto que o Mosteiro de Alcobaça é uma excepção uma vez que a sua construção se iniciou em 1178, os monumentos ‘mais’ representativos do estilo gótico em Portugal datam do século XIV.

Por exemplo, o Mosteiro da Batalha – ou de Santa Maria da Vitória – começou a ser construído em 1386.

13/01/2020

"O Nosso Bahrain"

Não foi apenas no aspecto comercial que a chegada dos portugueses no início do século XVI ao golfo Pérsico alterou o "statu quo".


De facto, toda a que se pode actualmente designar como geopolítica de toda essa vasta região mudou: o Bahrain, por exemplo, perdeu, então, a sua soberania e o seu ‘brilho’ e só os veio a recuperar vários séculos mais tarde.


Na verdade, quem quer que tivesse lido o estudo "Expat Insider" que o sítio InterNations realizou em 2017 e no qual participaram 12.519 expatriados (emigrantes…) representando 166 nacionalidades e a viverem em 188 países ou territórios – em que foi pedido a cada um dos participantes a atribuição de pontos (de 1 a 7) para avaliar mais de 40 aspectos no que respeitava à vida no país em que residiam abrangendo cinco áreas temáticas ("Qualidade de Vida", "Acolhimento", "Trabalhar no Estrangeiro", "Vida Familiar" e "Finanças Pessoais"), terá facilmente constatado que Portugal se tinha classificado em 5.º lugar no "top 10" das localizações preferidas para expatriados/emigrantes em 2017 ("top 10 expatriate destinations for 2017").


Mas também que o Bahrain ‘obteve’ o primeiro lugar.


Ora, todos os que lhe deram essa vitória passaram a fazer parte do lema do país: "بحريننا" (ou, em português, "O Nosso Bahrain").

11/01/2020

Ingleses e Franceses

Quando a rainha Isabel II (na tradução em língua portuguesa) iniciou oficialmente o seu reinado no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte – em Junho de 1953 – já o lema da monarquia britânica havia sido escolhido séculos antes.

Na verdade, a expressão "Dieu et mon droit" ("Deus e o meu direito", em português) foi adoptada em pleno século XV por Henrique V – sobrinho da esposa do rei D. João I, D. Filipa de Lencastre – embora tivesse sido utilizada como “grito de guerra” pelo rei Ricardo I na sua contenda militar contra o rei francês Filipe II em 1198 (também cento e oitenta e oito anos antes da assinatura, entre Portugal e o reino de Sua Majestade, do Tratado de Windsor que selou a aliança diplomática entre os dois reinos).

Mas o facto da família real da pátria-mãe da língua inglesa (a própria Commonwealth, por exemplo, congrega mais de cinquenta e três países independentes em torno, também, de um idioma comum: o inglês) se ter apropriado de um lema francês, por assim dizer, tem, como não poderia deixar de ser, as suas ‘raízes’ na História: muitos dos primeiros monarcas do reino inglês eram franceses.

10/01/2020

A ilha de Tristão da Cunha

Foi descoberta pelo navegador português Tristão da Cunha em 1506 uma ilha situada nos confins do oceano Atlântico.


Uma ilha a que, apesar de poder não ter conseguido admirar ao vivo já que não terá conseguido desembarcar devido às condições climatéricas adversas, teve o privilégio de poder dar um nome: ilha de Tristão da Cunha.


Mas a ilha de Tristão da Cunha deu lugar, pela passagem do Tempo, a "Tristan da Cunha".


Regida politicamente pelo Reino Unido – e situada a 2816 quilómetros da África do Sul, a 3360 quilómetros do continente americano (América do Sul) e a ‘apenas’ 2430 quilómetros do seu ‘vizinho’ mais próximo, a ilha de Santa Helena, onde Napoleão Bonaparte se exilou depois de "Waterloo" –, "Tristan da Cunha" só começou a ser permanentemente habitada mais de trezentos anos depois da sua descoberta: não admirará, por isso, que actualmente só aí vivam cerca de 275 pessoas (‘espalhadas’ por menos de cem quilómetros quadrados).


Ora, sendo o lema de "Tristan da Cunha" "Our faith is our strenght" (ou, em português, "A nossa fé é a nossa força"), só com muita fé é que poderão os seus poucos habitantes aguentar, de facto, tal isolamento.

09/01/2020

O "pai da Europa"

Depois de três décadas de guerra, Carlos Magno conseguiu alargar bastante as fronteiras do reino franco incorporando na Europa cristã zonas ainda consideradas bárbaras bem como territórios até então governados pelos Muçulmanos.

Coroado imperador pelo Papa, em Roma, no dia de Natal do ano 800, Carlos Magno – que acabaria por reinar quarenta e cinco anos – foi ‘cabeça’ de um império com uma dimensão territorial muito inferior à atingida pelo Império Romano e sem a vertente marítima deste: o Império Carolíngio era um império continental e o seu eixo de poder estava agora no Norte da Europa.

Ainda assim, não foi por acaso que o lema de Carlos Magno foi "Per me Reges regnant" ("só Através de mim os Reis mandam", em português).

Por muitos considerado, por isso mesmo, o "pai da Europa", foi decidido criar, muitos séculos depois da sua morte, em 1950, o "Prémio Carlos Magno" para distinguir personalidades que tivessem contribuído para fortalecer a unidade e a coesão do continente europeu.

Ora, António Guterres, o português secretário-geral da Organização das Nações Unidas (a ONU) tornou-se, em 2019, o primeiro português a receber tal distinção.

08/01/2020

Seguir em frente

"Se não conseguires voar, corre. Se não conseguires correr, anda. Se não conseguires andar, rasteja. No entanto, faças o que fizeres, assegura-te de que continuarás a seguir em frente".



Martin Luther King, Jr. (1929-1968), activista norte-americano

07/01/2020

"T-shirts" portuguesas

No Campeonato Mundial de futebol que se realizou em 2014 no Brasil participaram trinta e duas selecções.

E, entre elas, a portuguesa.

De facto, o lema da selecção ‘A’ de futebol de Portugal nessa competição mundial foi "O passado é história, o futuro é a vitória".

Ora, parece que este mesmo lema foi igualmente seguido noutras dimensões que não a meramente desportiva: cerca de dois terços de noventa modelos de "t-shirts" para uso dos adeptos no apoio às selecções que iriam disputar o Mundial 2014 continham substâncias tóxicas, designadamente cádmio e (outras) substâncias cancerígenas, de acordo com testes realizados por uma empresa multinacional líder na prestação de serviços de inspecções e certificações feitos em conformidade com as normas europeias. Pelo contrário, as "t-shirts portuguesas" – bem como as produzidas na Bósnia Herzegovina –, passaram nos testes em toda a linha: além de não apresentarem quaisquer substâncias tóxicas nocivas para a saúde, destacaram-se ainda pela qualidade dos acabamentos e pelo aspecto após a lavagem.