01/02/2020

O Estado

"O Estado é o servo do cidadão e não o seu senhor".


John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), político norte-americano


***


"O Estado é o mais frio de todos os monstros. Ele mente friamente. Da sua boca sai esta mentira: "Eu, o Estado, sou o povo"".


Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão







31/01/2020

O navio Gil Eannes

O navio Gil Eannes aportou na doca comercial de Viana do Castelo no dia 31 de Janeiro de 1998.

A sua última viagem aconteceu, portanto, há vinte e dois anos e desde então que é um museu.

Ora, este navio foi construído em 1955 nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para prestar apoio médico à frota bacalhoeira portuguesa que laborava no Atlântico Norte.

30/01/2020

O naufrágio do "Wilhelm Gustloff"

Foi no dia 30 de Janeiro de 1945 que o paquete com bandeira alemã Wilhelm Gustloff se afundou.


Como, aliás, aconteceu a tantos outros em "águas da Terra" durante a II Guerra Mundial.


Com ele perderam-se, no entanto, mais de nove mil vidas (na sua grande maioria, civis) "às mãos" de submarinos russos.


Foi, até hoje, na Europa, o acidente marítimo que mais matou.

29/01/2020

O caminho marítimo para a Índia

O lema da República da Índia é "सत्यमेव जयत"(ou, em português, "Só a verdade vencerá").

Ora, existem, como sempre acontece, várias verdades.

Uma delas é esta: a Índia, com os seus vinte e nove estados, é ‘casa’ para cerca de mil e trezentos milhões de pessoas.

E outra é também esta: Goa é o mais pequeno dos estados da República indiana ocupando uma superfície de cerca de 3700 quilómetros quadrados. Tendo como capital Panaji (ou Panjim) e como maior cidade Vasco da Gama. Ainda assim, de acordo com os censos realizados em 2011 (os últimos) viviam no estado 1,458,545 pessoas sendo que eram, efectivamente, 394 as pessoas a habitar cada quilómetro quadrado de Goa (já em Portugal a densidade populacional é de cerca de 115 habitantes em cada quilómetro quadrado…).

Recorde-se que partiu de Lisboa em 8 de Julho de 1497 a frota comandada pelo navegador Vasco da Gama com o objectivo de descobrir o caminho marítimo para a Índia passando pelo Cabo da Boa Esperança. Conseguiu-o uma vez que chegou a Calecute, importante cidade e entreposto comercial na costa ocidental da Índia em 17 – ou no dia 18 – de Maio de 1498. Demonstrou, assim, existir uma ligação marítima directa entre a Europa e a Ásia.


28/01/2020

"Deus, Pátria, Rei"

Se o lema oficial de Marrocos é hoje "الله، الوطن، الملك" ("Deus, Pátria, Rei" na língua portuguesa) o lema oficioso da Coroa portuguesa no início do século XV também o era.


Eis, de facto, o parecer do Infante D. Henrique (a quem, mais tarde, chamaram "o Navegador") em relação à conquista portuguesa de Ceuta numa citação que pode ser lida na obra "Documentos sobre a Expansão Portuguesa" que o historiador Vitorino Magalhães Godinho escreveria quase cinco séculos e meio depois:


"Mui alto e mui honrado o excelente rei e Senhor.
Vosso Irmão e servidor o Infante Dom Henrique, governador da Ordem de Cristo (…) respondo ao conselho, que me perguntastes, se era cousa justa de fazerdes guerra aos Mouros da terra de África em as partes de Belamarim.
(…)
Por começo deste conselho, é de saber que os fins desta vida são postas em salvar alma, e honra da pessoa, nome, linhagem, nação, e em alegrar o corpo, e a derradeira em haver ganço temporal.
(…) a quarta, que é de ganço temporal, isto não se deve chamar fim mas azo, e trauta-se para as outras ou para dispender por Deus, ou por a honra sua ou da sua linhagem.
(…)
E da guerra dos mouros ser serviço de Deus não há que duvidar, pois a Igreja o determina. (…) E de ser honra, não quero escrever porque é a maior honra que há nêste mundo. (…) E de ser prazer, entendo que de todos é o maior (…) e este dura para sempre nêste mundo.
(...)
E pois da guerra dos mouros se consegue serviço de Deus e honra e prazer, meu conselho é que obreis nela quanto bem puderdes".


A conquista da praça marroquina de Ceuta – em Agosto de 1415 – marcou o início da expansão marítima portuguesa.

27/01/2020

Holocaustos à direita e à esquerda


Assinalam-se no dia de hoje 75 anos da libertação do campo de concentração e extermínio de Auschwitz (o tal que tinha inscrita no portão de acesso a ‘divisa’ cínica "Arbeit Macht Frei" ["o trabalho liberta"].

Optou-se, por isso, há alguns anos, de o passar a recordar como o Dia Internacional da Memória do Holocausto.

Recorde-se que ao assassinato metódico de milhões de judeus (sobretudo judeus mas não só) europeus pelos adeptos do nacional-socialismo alemão optou por atribuir-se o nome de Holocausto – ou de Shoah.

De facto, este mecanismo de extermínio ‘serviu-se’, em grande medida, do caos provocado pela Segunda Guerra mundial o que, aliás, provaria, mais tarde, que tudo foi executado com extremo pormenor e calculismo: não foi, certamente, por acaso que o historiador britânico Nicholas Stargardt disse já que "desde 1942 que a Shoah era conhecida dos Alemães".

Isto é, da esmagadora maioria do povo germânico.

Efectivamente, uma das coisas que sempre me impressionou nesta barbárie tem a ver com a dicotomia executantes-executados: como é que pessoas que participavam, activa ou passivamente, nessas atrocidades conseguiam, depois, no seu íntimo, ir à igreja e dialogar com Deus, cuidar do seu jardim ou tomar parte em actos familiares e sociais.

Outra das coisas que me tem vindo a causar ‘impressão’ é a atitude de alguns judeus para com os seus vizinhos árabes na Palestina: se reconheço que o Holocausto foi sempre – e sempre será – uma espécie de salvo-conduto para reivindicações internacionais com repercussão interna, evidentemente – "Nós somos os herdeiros dos Judeus que sofreram o Holocausto e, por isso, temos todo o direito a ..." – também reconheço que nem sempre (quase nunca?) a máxima "não faças aos outros o mesmo que não gostarias que te fizessem" tem sido adoptada.

Gostaria, igualmente, de dedicar algumas linhas – poucas, infelizmente – a Holodomor, o quase desconhecido holocausto dos ucranianos que teve lugar há 88 anos.

Foi, assim, em 1932.

A Ucrânia integrava a União Soviética onde era Josef Stalin quem mais ordenava.

Ora, perante uma ordem de colectivização, muitos camponeses ucranianos recusaram integrar as respectivas cooperativas agrícolas (os chamados "kolkhozes") e entregar as suas colheitas.

O resultado?

O confisco da produção de muitos agricultores e, logo, a fome e a doença e milhões de mortos.

Nem só os nazis foram carrascos, portanto.

Numa época em que em muitos governos europeus pululam ideologias baseadas no ódio, na intolerância e na xenofobia parece-me ser premente não se esquecer isso.


"Holodomor", o holocausto dos ucranianos.



25/01/2020

Um dos mais quentes...

Segundo o sítio do Instituto Português do Mar e da Atmosfera: "De acordo com Organização Meteorológica Mundial o ano de 2019 foi o segundo ano mais quente considerando os registos históricos desde 1850, logo a seguir ao ano de 2016. A temperatura do ar média global anual para 2019 foi 1.1 °C acima da média, considerando o período 1850-1900, que representa as condições pré-industriais".