04/02/2020

Duvide-se

Quando a inglesa Royal Society – a primeira organização científica de Inglaterra – foi oficialmente fundada (em 1660) já a Revolução Científica estava em marcha há vários anos.

De facto, fora no Renascimento (que se iniciou, por assim dizer, em Itália no século XV) que haviam sido lançadas as bases da ciência que hoje se faz.

Mas foi nos séculos XVII e XVIII que se deu o grande desenvolvimento teórico (e prático) em disciplinas como a matemática, a medicina, a física e a astronomia.

Ora, a referida Royal Society teve, pouco depois da sua fundação, o ‘beneplácito’ da própria Casa Real inglesa e adoptou como lema a frase "Nullius In Verba" ("Duvidai das Palavras", em português).

Este lema não parece, contudo, ter sido ‘seguido’ pelo próprio monarca inglês que então governava, Carlos II, pois veio a casar com a filha do rei português D. João IV, Catarina de Bragança, acreditando, certamente, em palavras que lhe garantiam ir tal matrimónio fortalecer a aliança política entre Portugal e a Inglaterra e o próprio enquadramento geopolítico desta na Europa.

03/02/2020

Sempre em ascensão

Nasceu em Portugal (talvez no ano de 1537) aquele que viria a tornar-se no primeiro governador da actual província mexicana de Nuevo León.

Efectivamente, Luiz de Carvajal y de la Cueva teve como berço Portugal mas cedo a sua família se mudou para Espanha onde acabou, anos mais tarde, por ser nomeado pelo próprio rei Filipe II (Filipe I em Portugal) governador de uma parcela da "Nova Espanha".

Ora, uma das tarefas inerentes à sua nova função era promover a colonização do território.

Assim, uma das primeiras pessoas a fazê-lo foi precisamente a sua irmã (acompanhada da respectiva família) que, depois, acabaria mesmo por ser acusada pela Inquisição do México (uma espécie de sucursal da instituição sediada em Espanha) da prática de Judaísmo e queimada num auto-de-fé.

O próprio Luiz Carvajal não conseguiu seguir por muito mais tempo o lema que a província de Nuevo León escolheria muitos anos mais tarde – "Semper Ascendens" ("Sempre em Ascensão", em português) – uma vez que foi condenado pela dita Inquisição a exilar-se durante alguns anos embora tivesse, entretanto, morrido na prisão.

01/02/2020

O Estado

"O Estado é o servo do cidadão e não o seu senhor".


John Fitzgerald Kennedy (1917-1963), político norte-americano


***


"O Estado é o mais frio de todos os monstros. Ele mente friamente. Da sua boca sai esta mentira: "Eu, o Estado, sou o povo"".


Friedrich Nietzsche (1844-1900), filósofo alemão







31/01/2020

O navio Gil Eannes

O navio Gil Eannes aportou na doca comercial de Viana do Castelo no dia 31 de Janeiro de 1998.

A sua última viagem aconteceu, portanto, há vinte e dois anos e desde então que é um museu.

Ora, este navio foi construído em 1955 nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo para prestar apoio médico à frota bacalhoeira portuguesa que laborava no Atlântico Norte.

30/01/2020

O naufrágio do "Wilhelm Gustloff"

Foi no dia 30 de Janeiro de 1945 que o paquete com bandeira alemã Wilhelm Gustloff se afundou.


Como, aliás, aconteceu a tantos outros em "águas da Terra" durante a II Guerra Mundial.


Com ele perderam-se, no entanto, mais de nove mil vidas (na sua grande maioria, civis) "às mãos" de submarinos russos.


Foi, até hoje, na Europa, o acidente marítimo que mais matou.

29/01/2020

O caminho marítimo para a Índia

O lema da República da Índia é "सत्यमेव जयत"(ou, em português, "Só a verdade vencerá").

Ora, existem, como sempre acontece, várias verdades.

Uma delas é esta: a Índia, com os seus vinte e nove estados, é ‘casa’ para cerca de mil e trezentos milhões de pessoas.

E outra é também esta: Goa é o mais pequeno dos estados da República indiana ocupando uma superfície de cerca de 3700 quilómetros quadrados. Tendo como capital Panaji (ou Panjim) e como maior cidade Vasco da Gama. Ainda assim, de acordo com os censos realizados em 2011 (os últimos) viviam no estado 1,458,545 pessoas sendo que eram, efectivamente, 394 as pessoas a habitar cada quilómetro quadrado de Goa (já em Portugal a densidade populacional é de cerca de 115 habitantes em cada quilómetro quadrado…).

Recorde-se que partiu de Lisboa em 8 de Julho de 1497 a frota comandada pelo navegador Vasco da Gama com o objectivo de descobrir o caminho marítimo para a Índia passando pelo Cabo da Boa Esperança. Conseguiu-o uma vez que chegou a Calecute, importante cidade e entreposto comercial na costa ocidental da Índia em 17 – ou no dia 18 – de Maio de 1498. Demonstrou, assim, existir uma ligação marítima directa entre a Europa e a Ásia.


28/01/2020

"Deus, Pátria, Rei"

Se o lema oficial de Marrocos é hoje "الله، الوطن، الملك" ("Deus, Pátria, Rei" na língua portuguesa) o lema oficioso da Coroa portuguesa no início do século XV também o era.


Eis, de facto, o parecer do Infante D. Henrique (a quem, mais tarde, chamaram "o Navegador") em relação à conquista portuguesa de Ceuta numa citação que pode ser lida na obra "Documentos sobre a Expansão Portuguesa" que o historiador Vitorino Magalhães Godinho escreveria quase cinco séculos e meio depois:


"Mui alto e mui honrado o excelente rei e Senhor.
Vosso Irmão e servidor o Infante Dom Henrique, governador da Ordem de Cristo (…) respondo ao conselho, que me perguntastes, se era cousa justa de fazerdes guerra aos Mouros da terra de África em as partes de Belamarim.
(…)
Por começo deste conselho, é de saber que os fins desta vida são postas em salvar alma, e honra da pessoa, nome, linhagem, nação, e em alegrar o corpo, e a derradeira em haver ganço temporal.
(…) a quarta, que é de ganço temporal, isto não se deve chamar fim mas azo, e trauta-se para as outras ou para dispender por Deus, ou por a honra sua ou da sua linhagem.
(…)
E da guerra dos mouros ser serviço de Deus não há que duvidar, pois a Igreja o determina. (…) E de ser honra, não quero escrever porque é a maior honra que há nêste mundo. (…) E de ser prazer, entendo que de todos é o maior (…) e este dura para sempre nêste mundo.
(...)
E pois da guerra dos mouros se consegue serviço de Deus e honra e prazer, meu conselho é que obreis nela quanto bem puderdes".


A conquista da praça marroquina de Ceuta – em Agosto de 1415 – marcou o início da expansão marítima portuguesa.