12/02/2020

A Liga Hanseática

A Europa do Norte foi uma das regiões do continente que, entre os séculos XI e XIV, um maior dinamismo económico conheceram podendo destacar-se a Flandres (hoje, na Bélgica) e o Norte da Alemanha.

Ora, os mercadores alemães dominavam, pela via marítima, o comércio no mar do Norte e no mar Báltico: levavam vinho e sal de França e tecidos da Flandres e traziam, dos países do Norte e do Leste, trigo, peixe seco, peles e metais. E, ao ‘descerem’ os rios da Rússia, entraram em contacto com países do Oriente.

Assim, as cidades do Norte da Alemanha acabaram por formar, em meados do século XIV, uma associação para a defesa dos seus objectivos comerciais.

Eis a origem da Liga Hanseática – cujo lema foi "Navigare necesse est, vivere non necesse" (ou, em português, "Navegar é preciso mas viver não") – que chegou a agrupar mais de setenta cidades, nem todas alemãs.

Houve, no entanto, um momento em que a Liga reforçou a sua identidade germânica forçando, pois, a saída das cidades que o não eram.

Mas a Idade Moderna acabou por trazer – fruto dos chamados Descobrimentos por Portugal e Espanha – a deslocação do fulcro mercantil para novas áreas na América e na Ásia e uma vez que a Liga não foi capaz de se adaptar a essa nova realidade, acabou por deixar de navegar e, claro, de viver.

11/02/2020

A primeira Cruzada

O Papa Urbano II exortou, no Concílio de Clermont (realizado em 1095), todos os cristãos a juntarem-se à Primeira Cruzada com o objectivo de reconquistar a cidade de Jerusalém aos muçulmanos.

Ora, a Ordem do Santo Sepulcro, nascida no seio da fé católica, foi uma das primeiras a responder à chamada tendo adoptado o lema "Deus vult" ("Deus assim o quer", em português).

Mas, anos depois, foi também o objectivo de servir a vontade de Deus – bem como o desejo não menos ardente de recolher os respectivos despojos – que ‘guiou’ os Cruzados para a ‘libertação’ da cidade de Lisboa da presença muçulmana antes de se dirigirem para o Próximo Oriente.


10/02/2020

O Tratado de Paris

O Tratado de Paris, assinado em 10 de Fevereiro de 1793 pela Grã-Bretanha, França, Espanha e Portugal concluiu, oficialmente, a Guerra dos Sete Anos.

Ora, Espanha foi obrigada a restituir a Portugal a vila de Almeida (actualmente ‘parte’ integrante do distrito da Guarda).

Mas não – apesar de estar, também, legalmente obrigada –, anos depois, Olivença.

08/02/2020

Perder o equilíbrio

"Aquele que se atreve perde, por vezes, o equilíbrio. O que não se atreve, perde-se a si mesmo".




Søren Kierkegaard (1813-1855), filósofo dinamarquês

07/02/2020

La Fayette e o liberalismo em Portugal

O lema do general e político francês La Fayette (marquês de) que viveu no tempo da Revolução Francesa e que foi um dos ‘heróis’ da Revolução Americana – recordo que morreu em Maio de 1834 – era "Cur non?" (ou, em português, "Por que não?").


Assim, por que não também escrever algumas linhas, (muito) poucas..., em relação a alguém que foi igualmente um ‘campeão’ da Liberdade em Portugal?


Ora, foi precisamente em Maio mas do ano 1781 que nasceu, em Itália, Pedro de Sousa Holstein. Veio a tornar-se no primeiro Duque de Palmela e a ele muito se deve pelo triunfo das ideias liberais em Portugal.


06/02/2020

O Japão e Portugal

O sítio electrónico do Museu Nacional de História do Japão refere, por exemplo, que o "governo Tokugawa comerciava com Holandeses e com Chineses em Nagasaki e trocava bens e informações com a Coreia, com Ryukyu (Okinawa, actualmente) e com o povo Ainu em Ezo (Hokkaido, actualmente)".

Sobre o ‘papel’ dos portugueses na História do Japão, nem uma só palavra.

Ora, o que todos, seguramente, esperamos é que a era Reiwa do centésimo vigésimo sexto (126) imperador do país, Naruhito, se apoie no lema do também japonês Museu Nacional da Natureza e da Ciência – "想像力を探る" (ou, em português, "Explora o Poder da Imaginação") para ‘reavivar’ as relações entre o Japão e Portugal.

05/02/2020

Winston Churchill e o massacre de Amritsar


Na Inglaterra do século XVII, o pai do primeiro duque de Marlborough – de seu nome Winston Churchill – era um crente convicto na monarquia e um apoiante férreo do legítimo governante aquando da eclosão de uma guerra civil.


Ora, com a derrota do rei Carlos I, Churchill perdeu a sua casa e as suas propriedades.


Quando Carlos II assumiu o trono que fora ocupado pelo seu pai decidiu dotar aqueles que lhe haviam sido leais do título de Cavaleiro e do direito de escolher e utilizar um brasão.


Mas não devolveu os bens perdidos nem atribuiu qualquer montante compensatório dessa perda.


Assim, o recém-nomeado "Sir" Winston Churchill escolheu para lema a expressão espanhola "Fiel Pero Desdichado" (ou, em português, "Fiel Mas Deserdado").


Tal lema foi, então, transmitido de geração em geração e assumido por aquele que viria a ser o primeiro-ministro do Reino Unido durante grande parte da II Guerra Mundial: Winston Churchill.


No entanto, quem também se terá sentido deserdado – pela sorte, evidentemente – foram os milhões de indianos que morreram enquanto este era governante.


De facto, o domínio político da Índia pela Inglaterra (designada, depois, como "Reino Unido") durou de 1757 até 1947. Ora, em 13 de Abril de 1919 – e numa altura em que Winston Churchill ocupava o cargo de secretário de Estado da guerra –, um chefe militar britânico ordenou aos militares que comandava que disparassem sobre uma multidão que se encontrava reunida pacificamente assassinando, desse modo, centenas de pessoas. No entanto, tal chefe militar acabou mesmo por receber, anos depois, honras de Estado no seu funeral ‘apagando-se’ assim as suas responsabilidades - e as da própria potência colonizadora e seus agentes políticos - naquele que é ainda hoje lembrado como o "massacre de Amritsar".


Anos depois, já em 1943, em plena II Guerra Mundial, o estado de Bengala viu morrer cerca de três milhões de pessoas. Assassinadas pois, já que morreram de fome quando, segundo um estudo publicado no jornal Geophysical Research Letters em Fevereiro de 2019 ("Drought and Famine in India, 1870–2016"), a comida disponível na Índia foi 'exportada' para a metrópole colonizadora para auxiliar nos esforços de combate à tirania do Eixo.


Ora, longe do ´titulo’ de assassino e, eventualmente, genocida, certo é que "Sir" Winston Churchill passou alguns dias de férias na ilha da Madeira – no concelho de Câmara de Lobos – no início do ano de 1950, numa altura em que não tinha ainda sido eleito primeiro-ministro pela segunda vez.