Já
aqui escrevi sobre o chamado Padre Himalaia.
No
entanto, as palavras que hoje escrevo não se referem a este
extraordinário 'filho' da localidade minhota de Arcos de Valdevez mas
sim à sua ponte e ao Padrão Comemorativo do Recontro/Torneio de
Valdevez.
"A
actual ponte que liga as duas margens da Vila de Arcos de Valdevez é
uma construção do século XIX, iniciada em 1876 e finalizada em
1880, que substituiu integralmente um exemplar de origem medieval, de
estrutura marcadamente românica, construída, provavelmente, entre
os finais do século XII, inícios do século XIII, uma vez que nas
Inquirições de 1258 o topónimo Arcos surge já referenciado.
A
existência da ponte e sua associação com a feira local, de
significativa dimensão e importância no século XV, bem como uma
importante rede viária de e para o exterior, estiveram na base do
desenvolvimento histórico, económico e social da vila dos Arcos".
***
"No
âmbito das comemorações dos 800 anos do “Recontro de Valdevez”,
ocorridas em Junho de 1940, a Câmara Municipal decide realizar,
nesse mesmo ano, este padrão evocativo da efeméride. Colocado
inicialmente no então denominado “Campo Almirante Reis”, hoje
“Campo do Trasladário”, foi movido para uma nova localização,
junto à Igreja do Espírito Santo, fruto das necessidades de
intervenção na zona marginal. A atual implantação procura
restituir ao monumento o seu anterior significado, devolvendo-o a um
espaço simbólico original, marcado pela Avenida e pelo monumento
equestre de homenagem ao “Recontro”, da autoria do escultor José
Rodrigues, formando um percurso pelos símbolos e interpretações
contemporâneas desse singular episódio histórico do século XII,
um dos marcos essenciais na formação e génese de Portugal.
Ocorrido
no Vale do Vez em 1141, o “Recontro”, “Torneio” ou “Bafordo”
de Valdevez marcou as aspirações de independência do nosso futuro
primeiro monarca Afonso Henriques, uma vez que do seu desfecho,
vantajoso para os “portucalenses”, resultou, em 1143, um
importante tratado de paz com Afonso VII de Leão e o uso, pela
primeira vez, do título de “Rei” (rex), embora a soberania
portuguesa só fosse reconhecida definitivamente, pelo Papa, em 1179.
Na
inscrição patente neste Padrão lê-se: Recontro de Valdevez 1141.
Aos cavaleiros de Afonso Henriques os portugueses de 1940".