Assinala-se hoje, 14 de Março de 2020, pela primeira vez, o Dia Internacional da Matemática.
Estranho somente que apenas em 2020 se comemore este "ramo" do conhecimento humano quando, por exemplo, a construção de estruturas - pirâmides - por povos em África (no Egipto) e na América (no actual México e não só) que necessitou de complicadíssimos cálculos matemáticos tenha começado há muitas centenas de anos.
14/03/2020
O Dia Internacional da Matemática
13/03/2020
Então, se necessário for, molde-se ("manipule-se")
"O
sentimento público é tudo. Com ele nada poderá falhar; sem ele
nada poderá ter êxito".
Abraham Lincoln (1809-1865),
político norte-americano
12/03/2020
A ponte e o padrão de Arcos de Valdevez
Já
aqui escrevi sobre o chamado Padre Himalaia.
No
entanto, as palavras que hoje escrevo não se referem a este
extraordinário 'filho' da localidade minhota de Arcos de Valdevez mas
sim à sua ponte e ao Padrão Comemorativo do Recontro/Torneio de
Valdevez.
"A
actual ponte que liga as duas margens da Vila de Arcos de Valdevez é
uma construção do século XIX, iniciada em 1876 e finalizada em
1880, que substituiu integralmente um exemplar de origem medieval, de
estrutura marcadamente românica, construída, provavelmente, entre
os finais do século XII, inícios do século XIII, uma vez que nas
Inquirições de 1258 o topónimo Arcos surge já referenciado.
A
existência da ponte e sua associação com a feira local, de
significativa dimensão e importância no século XV, bem como uma
importante rede viária de e para o exterior, estiveram na base do
desenvolvimento histórico, económico e social da vila dos Arcos".
***
"No
âmbito das comemorações dos 800 anos do “Recontro de Valdevez”,
ocorridas em Junho de 1940, a Câmara Municipal decide realizar,
nesse mesmo ano, este padrão evocativo da efeméride. Colocado
inicialmente no então denominado “Campo Almirante Reis”, hoje
“Campo do Trasladário”, foi movido para uma nova localização,
junto à Igreja do Espírito Santo, fruto das necessidades de
intervenção na zona marginal. A atual implantação procura
restituir ao monumento o seu anterior significado, devolvendo-o a um
espaço simbólico original, marcado pela Avenida e pelo monumento
equestre de homenagem ao “Recontro”, da autoria do escultor José
Rodrigues, formando um percurso pelos símbolos e interpretações
contemporâneas desse singular episódio histórico do século XII,
um dos marcos essenciais na formação e génese de Portugal.
Ocorrido
no Vale do Vez em 1141, o “Recontro”, “Torneio” ou “Bafordo”
de Valdevez marcou as aspirações de independência do nosso futuro
primeiro monarca Afonso Henriques, uma vez que do seu desfecho,
vantajoso para os “portucalenses”, resultou, em 1143, um
importante tratado de paz com Afonso VII de Leão e o uso, pela
primeira vez, do título de “Rei” (rex), embora a soberania
portuguesa só fosse reconhecida definitivamente, pelo Papa, em 1179.
Na
inscrição patente neste Padrão lê-se: Recontro de Valdevez 1141.
Aos cavaleiros de Afonso Henriques os portugueses de 1940".
11/03/2020
Fra Angelico
Foi por volta do ano 1436 que
Guido di Pietro se tornou num dos habitantes do recém-construído
Mosteiro de São Marcos, em Florença, Itália.
Um
homem do Renascimento – artista (pintor), pois – tornado frade
num espaço dominicano.
Sabendo
das suas capacidades artísticas, o patrono do mosteiro, Cosme de
Médicis, encarregou-o da decoração (e da inspiração…) das
celas dos companheiros de reclusão.
Ora, tais trabalhos de pintura
deram-lhe um reconhecimento artístico tal que terá mesmo chegado a
afirmar o seguinte: "Colui
che fa il lavoro di Cristo deve rimanere sempre con Cristo"
("Aquele
que faz o trabalho de Cristo terá que ficar sempre com Ele",
em português).
Este
lema valeu a Fra Angelico – o nome atribuído a di Pietro
não muito depois da sua morte – o ser beatificado pelo papa João
Paulo II em 1982 sendo que é, actualmente, considerado o padroeiro
dos artistas.
Portugal
também teve, no entanto, quem se identificasse com aquelas palavras:
Nuno Gonçalves, autor dos Painéis de São Vicente de Fora é,
apenas, o mais conhecido.
10/03/2020
A constatação
Apresentando o próximo Congresso Nacional da APAVT – Associação
Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, o seu presidente,
Pedro Costa Ferreira, fez algumas afirmações que me parecem ter
sido muito pertinentes e razoáveis tendo em consideração a
histeria que, creio sinceramente, grassa actualmente em muitos
‘pontos’ da Terra em virtude de um vírus.
De
facto, afirmou então que nesse ‘conclave’ estar-se-ia "a lutar
pela modernidade, contra um mundo antigo" assim como "a lutar
pela solidariedade e pela tolerância, contra os muros e os
estigmas".
E
concretizou: "A pandemia do Covid-19 revelou, em pouco tempo, como
habitamos um mundo antigo", com a criação de estigmas e
estereótipos sobre a comunidade chinesa tal como se apedrejaram
supostos infectados ucranianos, por exemplo.
Tudo
revelador (desculpe-se-me a repetição), em seu entender, da escolha
do "medo" em detrimento de uma ‘escolha’ baseada em factos
(e, portanto, em dados objectivos).
Ou
seja, seres humanos por fora modernos e cosmopolitas mas por dentro
preconceituosos e xenófobos como sempre foram, por assim dizer.
09/03/2020
A VOC e a "Peregrinação"
Volto à "Vereenigde
Oostindische Compagnie" – VOC –, a Companhia Holandesa das
Índias Orientais.
Constituída
em 1602 (e dissolvida em 1798) e agrupando mercadores de várias
cidades da Holanda, a VOC tinha como principal objectivo adquirir, e
consolidar, um lugar no Comércio com o Oriente suplantando os seus
inimigos ingleses (com a sua "East India Company") e portugueses
(com a sua "Carreira da Índia").
Ora,
sobrepor-se aos demais concorrentes significava para a VOC ter de
participar em operações militares: eis a razão de, no seu seio, se
ter formado um grupo constituído por mercenários suíços.
Grupo
que, de resto, tinha como lema "Terra et Mare" e "Fidelitas et
Honor" (ou, em português, "Na Terra e No Mar" e "Fidelidade
e Honra").
Ou
seja, superioridade militar.
Mas
não só.
De facto, a muitos funcionários
da Companhia Holandesa das Índias Orientais era solicitada a leitura
da "Peregrinação" antes de embarcarem rumo ao Oriente.
Na verdade, assinalaram-se, em
2014, os 400 anos da publicação da "Peregrinação", de Fernão
Mendes Pinto.
"Peregrinação" foi uma
obra escrita em Almada (numa altura em que o autor se encontrava já
afastado das suas jornadas mais aventureiras e agitadas) e publicada,
postumamente, em 1614. Desde logo, em língua portuguesa, mas, pouco
depois, noutros idiomas: em castelhano (a primeira edição espanhola
data de 1620), em francês (com a sua primeira edição a ter lugar
em Paris em 1625), em neerlandês (1652), em inglês (1653) e em
alemão (1671).
É que "Peregrinação" –
como destacava a capa da primeira edição inglesa – relatava as
vivências e impressões do autor em muitos "reinos do Oriente"
como o da Malásia, o do Sião (hoje, a Tailândia), o do Pegu (hoje,
a Birmânia) ou o da China ao mesmo tempo que descrevia a sua "religião, leis, riquezas, costumes e formas de governo".
Mas a "Peregrinação" era,
simultaneamente, como refere uma recente edição portuguesa, "um
romance de crítica à sociedade do tempo: denúncia de atrocidades,
ingratidões, desmandos, fraudes, hipocrisia e falsa religiosidade".
Sociedade de que, relembre-se,
Fernão Mendes Pinto também fazia parte pelo que não podia, ele
próprio, escapar às críticas tecidas.
Foi, no entanto, muito
provavelmente, Fernão Mendes Pinto (para além de "marinheiro,
senhor, escravo, jesuíta, pirata, mercador, juiz, escritor" como
evoca o monumento erigido no Pragal, em Almada, por ocasião do 4.º
centenário da sua morte, em 1983), independentemente da sua maior ou
menor imaginação, o primeiro a recorrer, de forma sistemática e
exaustiva, aos métodos fundamentais que, séculos mais tarde, viriam
a ser reclamados pela ciência etnográfica para a obtenção de
informação e simples relatos descritivos, isto é, a observação e
a participação directas (na ‘primeira pessoa’) nos
acontecimentos.
Contributo
maior para a Europa ganhar uma maior consciência dos outros e,
portanto, de si própria (e, talvez, um precioso auxílio para
espoletar ou acelerar o início do fim do império português em
terras do Oriente…), "Peregrinação" é, ainda hoje, um
dos títulos
em língua portuguesa mais traduzidos
em todo o mundo.
07/03/2020
Conhecimento e ignorância
"Se
o conhecimento pode criar problemas, não será através da
ignorância que os resolveremos".
Isaac Asimov (1920-1992),
escritor norte-americano nascido na Rússia
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