23/03/2020

O Museu Nacional de Arte Antiga

"O Museu Nacional de Arte Antiga está instalado, desde a sua fundação [em 1884], no palácio mandado construir, em finais do século XVII, pelo 1º conde de Alvor, D. Francisco de Távora, após o seu regresso da Índia, onde fora vice-rei. Em 1744, o edifício  passaria à posse de Matias Aires Ramos da Silva de Eça, Provedor da Moeda, que o arrendou ao embaixador da Alemanha e depois, em 1762, ao Contratador dos Diamantes e cônsul da Holanda, Daniel Gildemeester, que nele residiu durante décadas, realizando avultadas obras de beneficiação dos interiores. Com a morte de Matias de Aires, passou à posse de Paulo de Carvalho, que em 1768 o arrematou em praça por intermédio de Gildemeester, e, por morte daquele, à do marquês de Pombal, seu irmão, mantendo-se nesta família até à sua compra pelo Estado, em 1883, para instalação do Museu Nacional de Belas Artes. Foi também residência da duquesa de Bragança, viúva de D. Pedro IV, que aqui morreu em 1873".



Fonte: página na "Internet" do Museu Nacional de Arte Antiga





O Museu Nacional de Arte Antiga.

21/03/2020

A virtude dos tolos e não ter medo

"O silêncio é a virtude dos idiotas".



(Sir) Francis Bacon (1561-1626), político e filósofo inglês





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"Quando os nazis vieram um dia e levaram o meu vizinho que era judeu, eu nada disse pois não era judeu. Voltaram no dia seguinte em busca do meu vizinho que era comunista. Mas, como eu não era comunista, nada disse. Ao terceiro dia vieram uma vez mais. Desta feita em busca do meu vizinho católico. No entanto, não sendo eu católico nada disse. E no quarto dia vieram ainda. Levaram-me a mim. Mas já não sobrava quem quer que fosse para me ouvir".



Martin Niemöller (1892-1984), teólogo e religioso alemão



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"Nunca tenhas medo. Nunca tenhas medo de defender a honestidade, a verdade e a compaixão face à injustiça, à mentira e à ganância".



William Faulkner (1897-1962), escritor norte-americano


20/03/2020

Peço desculpa

"Em sintonia com o conteúdo de anteriores declarações feitas por diversos governantes holandeses, eu* gostaria de declarar – e reiterar – o meu arrependimento e as desculpas pela violência excessiva utilizada pela Holanda durante aqueles anos**. E faço-o compreendendo perfeitamente que a dor e o sofrimento por esta infligidos continuam a ser sentidos".


Fazendo parte da declaração do rei holandês em visita recente à Indonésia, estas frases mostram algo que nunca ouvi, nem li, por parte de governantes portugueses em relação à guerra que Portugal manteve de 1961 até 1974 com vários países africanos na luta pela sua independência: um pedido de desculpa.

Para já nem falar de um pedido de desculpa pela escravatura e, enfim, pelo colonialismo.




* O actual monarca holandês, Guilherme Alexandre;

** A Indonésia declarou em 1945, perante a potência colonial Holanda, a sua independência mas apenas a viu ser reconhecida quatro anos mais tarde, em 1949.

19/03/2020

Ladrão que rouba ladrão, tem...

De acordo com um texto – "NATO Seen Favorably Across Member States" – que o instituto de estudos de opinião norte-americano Pew Research Center publicou na sua página na Internet no início do passado mês de Fevereiro (de 2020) a propósito de um estudo por si efectuado, observou-se que – atenção que desconheço a ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo – 60% da população de Espanha não considerava que existissem ‘porções’ de outros países que pertencessem, por direito, a Espanha.

Mas também se observou que eram cerca de 40% (37%, na verdade) aqueles, no conjunto da população de Espanha, que achavam que outros países (Portugal e/ou a França e/ou o Reino Unido, sobretudo) haviam roubado (com ou sem aspas) a Espanha, ao longo da História, parcelas do seu território.

Ora, lamento dois factos: o primeiro é que Portugal, por assim dizer, não tenha participado neste estudo de opinião – repito: desconheço a ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo. O segundo é a referência ao facto de me parece que muitos dos que sentem que Espanha foi espoliada de parte do seu território como país soberano se esqueceram – e esquecem –, seguramente, de Olivença*.

Concordo que um roubo não ‘desfaz’, nem ‘apaga’, outro roubo, mas...










* Recordo que foi, efectivamente, com a chamada "Guerra das Laranjas" (que foi levada a cabo em pouco mais do que duas semanas) que, em 1801 (durante o caos causado pela 1.ª Invasão Francesa em Portugal), Espanha – liderada pelo primeiro-ministro e chefe militar Manuel Godoy – ocupou um conjunto de localidades portuguesas situadas junto à fronteira. Ora, na sequência da assinatura de um outro tratado – o Tratado de Badajoz –, em Junho de 1801, foram restituídas a Portugal as localidades ocupadas: Arronches, Barbacena, Juromenha, Castelo de Vide, Ouquela e Campo Maior, por exemplo. Mas não Olivença. Anos mais tarde, em Junho de 1815, o Congresso de Viena decidiu a "devolução" de Olivença a Portugal sem que, no entanto, as autoridades espanholas lhe tivessem dado seguimento… Até hoje.



Post scriptum: o presidente da República Portuguesa declarou ontem o "estado de emergência". Ora, em quase novecentos anos de história só muito raramente (ou nunca, de facto...) Portugal - e os seus habitantes, evidentemente) - foram obrigados a submeter-se a um tal 'regime' de isolamento social.

18/03/2020

O discurso e a realidade

O presidente chinês Deng Xiaoping proclamou no início da década de 1980 a fórmula para a República Popular da China enfrentar a reunificação: "一国两制" ("Um País, Dois Sistemas", em português).


Efectivamente, à meia-noite de 1 de Julho de 1997 a "Union Jack", a bandeira do Reino Unido, foi substituída em Hong Kong pela bandeira de Pequim tornando-se essa região – juntamente com a ‘portuguesa’ Macau dois anos e meio mais tarde – uma região administrativa especial da China governada, claro está, sob a égide da referida política "一国两制" ("Um País, Dois Sistemas", em português).


Ora, à margem da reunião da ASEAN (sigla em língua inglesa) no início de Agosto de 2019, o então novo ministro dos Negócios Estrangeiros do país antigo colonizador desse território chinês pediu à China que respeitasse as manifestações (pacíficas, em seu entender) que já há algumas semanas estavam a decorrer em Hong Kong e que, enfim, cumprisse a Declaração Conjunta que os dois países – Reino Unido e China – haviam assinado antes da ‘devolução’ de Hong Kong.


No entanto, a importância de Hong Kong nem sempre parece ter sido levada na devida ‘conta’ pelo reino de Sua Majestade (que chegou a ‘acordo’ com a China após as guerras do ópio para colonizar Hong Kong): foi em Julho (no dia 24) de 2018 que a edição digital do jornal South China Morning Post escreveu o seguinte (no artigo "Britain’s ‘disgraceful’ pre-handover efforts to deny nationality to Hongkongers revealed in declassified cabinet files"):




"Antes do retorno das duas cidades, Hong Kong e Macau, para o domínio chinês, a Grã-Bretanha pressionou de forma repetida Portugal por forma a não conceder a nacionalidade lusa [nem demais direitos] aos seus residentes em Macau para evitar que os de Hong Kong pedissem o mesmo tratamento, revelaram documentos recentemente desclassificados".

17/03/2020

Epidemia e Pandemia

A Organização Mundial de Saúde declarou, há dias, que o surto de coronavírus (e a doença COVID-19 que 'originou') que estava - e está - a assolar o Mundo era uma pandemia.

Assim, não já uma epidemia mas uma pandemia.

Mas qual é a exacta diferença etimológica entre as palavras epidemia e pandemia?

Lembro que até cerca de meados do século XIX ambas as palavras eram utilizadas indiferentemente nos dicionários e documentos médicos.

Ora, a ‘origem’ é a palavra endémico.

Que significa que algo (uma doença, por exemplo) é originário de um determinado lugar.

É, portanto, específico.

Endémico provém do Grego en ("em") + demos ("gente") + o sufixo ic ("pertencente a um lugar").

Efectivamente, também a palavra epidemia tem uma ‘origem’ grega: Epi significa "entre".

Já a palavra pandemia tem, também, uma ‘origem’ grega: pan significa "comum", "todos".

Ou seja, uma epidemia ‘apenas’ existe numa comunidade relativamente diminuta em termos do número de pessoas (afectadas) enquanto que uma pandemia tem subjacente uma dimensão geográfica e humana muito maior.

Mas, como quase sempre, as definições têm explicações – e implicações, pois – políticas e económicas.

16/03/2020

Tavira, cidade

Embora tivesse começado a ser habitada alguns séculos antes da data atribuída ao nascimento de Jesus Cristo, só em 1520 o rei português D. Manuel I outorgou a Tavira o título de "cidade".


No dia 16 de Março de 1520, precisamente.


Ora, talvez a esta decisão real não tivesse sido alheia a ‘questão’ populacional já que os censos de 1527 registariam essa cidade como sendo o maior aglomerado populacional do Algarve.