De acordo com um texto – "NATO Seen Favorably Across Member
States" – que o instituto de estudos de opinião norte-americano
Pew Research Center publicou na sua página na Internet no
início do passado mês de Fevereiro (de 2020) a propósito de um
estudo por si efectuado, observou-se que – atenção que desconheço
a ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo –
60% da população de Espanha não considerava que existissem
‘porções’ de outros países que pertencessem, por direito, a
Espanha.
Mas
também se observou que eram cerca de 40% (37%, na verdade) aqueles,
no conjunto da população de Espanha, que achavam que outros países
(Portugal e/ou a França e/ou o Reino Unido, sobretudo) haviam
roubado (com ou sem aspas) a Espanha, ao longo da História, parcelas
do seu território.
Ora,
lamento dois factos: o primeiro é que Portugal, por assim dizer, não
tenha participado neste estudo de opinião – repito: desconheço a
ficha técnica a que ‘obedeceu’ a elaboração deste estudo. O
segundo é a referência ao facto de me parece que muitos dos que
sentem que Espanha foi espoliada de parte do seu território como país
soberano se esqueceram – e esquecem –, seguramente, de Olivença*.
Concordo
que um roubo não ‘desfaz’, nem ‘apaga’, outro roubo, mas...
*
Recordo que foi, efectivamente, com a chamada "Guerra das Laranjas"
(que foi levada a cabo em pouco mais do que duas semanas) que, em
1801 (durante o caos causado pela 1.ª Invasão Francesa em
Portugal), Espanha – liderada pelo primeiro-ministro e chefe
militar Manuel Godoy – ocupou um conjunto de localidades
portuguesas situadas junto à fronteira. Ora, na sequência da
assinatura de um outro tratado – o Tratado de Badajoz –, em Junho
de 1801, foram restituídas a Portugal as localidades ocupadas:
Arronches, Barbacena, Juromenha, Castelo de Vide, Ouquela e Campo
Maior, por exemplo. Mas não Olivença. Anos mais tarde, em Junho de
1815, o Congresso de Viena decidiu a "devolução" de Olivença a
Portugal sem que, no entanto, as autoridades espanholas lhe tivessem
dado seguimento… Até hoje.
Post scriptum: o presidente da República Portuguesa declarou ontem o "estado de emergência". Ora, em quase novecentos anos de história só muito raramente (ou nunca, de facto...) Portugal - e os seus habitantes, evidentemente) - foram obrigados a submeter-se a um tal 'regime' de isolamento social.