27/03/2020

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Originalmente fundado em 1863, o actualmente designado Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é um organismo independente e politicamente neutro que actua exclusivamente do ponto de vista humanitário tentando proteger as vidas e a dignidade das vítimas de conflitos armados e de outras situações em que precisem de ajuda.

Ou seja, em tempo de guerra e em tempo de ‘paz’.

Adoptou, por isso, dois lemas: "Inter armas caritas." e "Per humanitatem ad pacem.".

Em português: "Entre as armas está a caridade." e "Em direcção à paz, pela humanidade.".

E foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1917 e em 1944.

Ora, aquela que viria a adquirir o ‘nome’ de Cruz Vermelha Portuguesa foi por sua vez criada – através de decreto – em 1865 e instalou a sua sede na antiga residência do Conde de Óbidos, em Lisboa.

26/03/2020

A higiene

Ouvindo, há dias, o presidente sérvio Aleksandar Vucic declarar, a propósito da doença COVID-19, que a solidariedade europeia não existia - era um "conto de fadas" -  e que o seu país se encontrava numa situação complicada (à semelhança de tantos outros, aliás), não pude deixar de me lembrar do que tinha já lido a propósito do servo-americano Nikola Tesla - no livro "Wizard: The Life and Times of Nikola Tesla" que o autor Marc Seifer escreveu e que a editora Citadel Press publicou em 2001: que aquele era um fanático pela higiene ("hygiene freak", no original em língua inglesa) e que, nos últimos anos de vida, estas "obsessões" se tornaram mais 'intensas', levando-o (supus que se quisesse insinuar que estas "obsessões" fossem uma espécie de consequência directa) a falecer só (e também na "miséria") num quarto de hotel.

Ou seja, aquilo que o autor 'classificou' como sendo negativo - um "fanático pela higiene" - já que levou Tesla a falecer em solidão é, curiosamente, o que se exige por estes dias de pandemia (e, portanto, positivo): que se seja uma espécie de "fanático pela higiene" e que se fique, tanto quanto possível, só.

Mudam-se os tempos...

25/03/2020

Profissão de alto risco: imperador Romano

Ainda ontem aqui escrevi algumas palavras acerca de um imperador Romano.

Calígula, no caso.

Ora, não sei se o imperador Calígula se 'enquadrou' naquilo que o engenheiro e docente universitário norte-americano Joseph Saleh concluiu num estudo publicado digitalmente pelo jornal Palgrave Communications em Dezembro passado (em 2019) - "Statistical reliability analysis for a most dangerous occupation: Roman emperor": segundo revelou, os próprios gladiadores tinham uma maior probabilidade de sobreviver aos brutais combates a que eram obrigados a manter na arena do que os imperadores de morrerem de causas naturais, por assim dizer.

Efectivamente, observou, quarenta e três dos sessenta e nove (ou seja, 62%) imperadores que governaram Roma entre os anos 14 e 395 depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo morreram de forma violenta (em batalhas ou às mãos de assassinos).

24/03/2020

Calígula

Lembro-me bem das expressões que há dias aqui utilizei: "tempos draconianos" e "esforços draconianos".

Servindo para (tentar) descrever o Tempo que grande parte do mundo vive actualmente, o nome do legislador ateniense da Antiguidade não é, seguramente, o único que poderia servir de base, por assim dizer, para a utilização de expressões que pudessem descrever este mesmo contexto de pestilência e de medidas securitárias.

Ora, recordo-me de um outro: Calígula.

De facto, apesar de não ter governado mais do que quatro anos, o imperador romano Calígula deixou a "sua marca": cobrou impostos, extorquiu e confiscou os seus concidadãos.

"Lembrem-se que eu tenho o direito de tudo fazer a quem quer que seja", terá afirmado um dia.

23/03/2020

O Museu Nacional de Arte Antiga

"O Museu Nacional de Arte Antiga está instalado, desde a sua fundação [em 1884], no palácio mandado construir, em finais do século XVII, pelo 1º conde de Alvor, D. Francisco de Távora, após o seu regresso da Índia, onde fora vice-rei. Em 1744, o edifício  passaria à posse de Matias Aires Ramos da Silva de Eça, Provedor da Moeda, que o arrendou ao embaixador da Alemanha e depois, em 1762, ao Contratador dos Diamantes e cônsul da Holanda, Daniel Gildemeester, que nele residiu durante décadas, realizando avultadas obras de beneficiação dos interiores. Com a morte de Matias de Aires, passou à posse de Paulo de Carvalho, que em 1768 o arrematou em praça por intermédio de Gildemeester, e, por morte daquele, à do marquês de Pombal, seu irmão, mantendo-se nesta família até à sua compra pelo Estado, em 1883, para instalação do Museu Nacional de Belas Artes. Foi também residência da duquesa de Bragança, viúva de D. Pedro IV, que aqui morreu em 1873".



Fonte: página na "Internet" do Museu Nacional de Arte Antiga





O Museu Nacional de Arte Antiga.

21/03/2020

A virtude dos tolos e não ter medo

"O silêncio é a virtude dos idiotas".



(Sir) Francis Bacon (1561-1626), político e filósofo inglês





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"Quando os nazis vieram um dia e levaram o meu vizinho que era judeu, eu nada disse pois não era judeu. Voltaram no dia seguinte em busca do meu vizinho que era comunista. Mas, como eu não era comunista, nada disse. Ao terceiro dia vieram uma vez mais. Desta feita em busca do meu vizinho católico. No entanto, não sendo eu católico nada disse. E no quarto dia vieram ainda. Levaram-me a mim. Mas já não sobrava quem quer que fosse para me ouvir".



Martin Niemöller (1892-1984), teólogo e religioso alemão



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"Nunca tenhas medo. Nunca tenhas medo de defender a honestidade, a verdade e a compaixão face à injustiça, à mentira e à ganância".



William Faulkner (1897-1962), escritor norte-americano


20/03/2020

Peço desculpa

"Em sintonia com o conteúdo de anteriores declarações feitas por diversos governantes holandeses, eu* gostaria de declarar – e reiterar – o meu arrependimento e as desculpas pela violência excessiva utilizada pela Holanda durante aqueles anos**. E faço-o compreendendo perfeitamente que a dor e o sofrimento por esta infligidos continuam a ser sentidos".


Fazendo parte da declaração do rei holandês em visita recente à Indonésia, estas frases mostram algo que nunca ouvi, nem li, por parte de governantes portugueses em relação à guerra que Portugal manteve de 1961 até 1974 com vários países africanos na luta pela sua independência: um pedido de desculpa.

Para já nem falar de um pedido de desculpa pela escravatura e, enfim, pelo colonialismo.




* O actual monarca holandês, Guilherme Alexandre;

** A Indonésia declarou em 1945, perante a potência colonial Holanda, a sua independência mas apenas a viu ser reconhecida quatro anos mais tarde, em 1949.