31/03/2020

"Emoglyphs"

O Museu de Israel, em Jerusalém, abriu ao público em meados do mês de Dezembro de 2019 a exposição "Emoglyphs".

Ora, limito-me a citar (depois de traduzir, claro) o texto na página a ela dedicada no sítio do museu na "Internet":


"A escrita hieroglífica nasceu no Egipto há cerca de cinco mil anos. Inicialmente composta por centenas de imagens, a passagem do tempo ditou que essas mesmas imagens fossem substituídas por um código escrito contendo aproximadamente vinte sinais que constituem, ainda hoje, a cultura ocidental escrita.
Ora, poderia, em dado momento da História, parecer que a escrita através de imagens – ou, se se quiser, símbolos – havia sido abandonada para sempre. No entanto, num século XXI essencialmente digital, a imagem/símbolo – agora designada por emoji – "regressou à escrita com toda a força".
Assim, esta exposição ‘percorre’ os milhares de anos que ‘separam’ a Antiguidade da Contemporaneidade através da exibição de um fundo de descobertas com origem no Antigo Egipto e o uso moderno de emoji’s: filmes e ‘postos’ multimédia explicam como na "Idade das Pirâmides" bem como na "Idade Cibernética" actual as imagens/símbolos podem ser a base de um complexo sistema de comunicação visual.
Muitos dos objectos aqui expostos – entre eles vários que podem ser vistos pela primeira vez –, integram o espólio do Museu de Israel enquanto que outros provêm de uma colecção privada com origem na capital do Reino Unido".


Acrescento que o dia 12 de Outubro de 2020 era o dia inicialmente previsto para encerramento das visitas a esta exposição. Todavia, dado o Museu de Israel se encontrar actualmente encerrado devido à pandemia que está a ‘varrer’ o mundo, não custará a imaginar uma outra data de fecho.

E acrescento também que no mês de Outubro - mas de 2019 - o consórcio que regula a utilização de emoji's - o norte-americano Unicode Consortium - aprovou o 'uso' de cento e sessenta e oito novos emoji's: não deixará, de facto, de ser interessante analisar-se os já mais de três mil emoji's a partir de uma perspectiva geopolítica.

30/03/2020

O Alasca

Foi exactamente no dia que hoje 'passa', 30 de Março, mas do ano 1867 - há cento e cinquenta e três anos, portanto - que os Estados Unidos da América compraram à Rússia uma parcela de território.

Uma parcela com o 'tamanho' de mais de um milhão e setecentos mil quilómetros quadrados (recordo que Portugal tem uma dimensão territorial de cerca de noventa mil quilómetros quadrados).

De facto, foi durante o tempo de governo do presidente Andrew Johnson (através do secretário de Estado William Seward) que foi assinado o tratado respeitante à compra daquele que é hoje o maior dos cinquenta estados que compõem a federação Estados Unidos da América - em termos de dimensão física, por assim dizer: o Alasca*.



* o segundo maior estado é o Texas com cerca de seiscentos e noventa e cinco mil quilómetros quadrados.

28/03/2020

Reescrever a História

"O único dever que temos para com a História é o de a reescrever".



Oscar Wilde (1854-1900), escritor e dramaturgo irlandês




***




"Se a história se repete e se o inesperado sempre acontece, que incapaz deve ser o Homem de aprender com a experiência".



George Bernard Shaw (1856-1950), escritor e dramaturgo irlandês

27/03/2020

O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho

Originalmente fundado em 1863, o actualmente designado Movimento Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho é um organismo independente e politicamente neutro que actua exclusivamente do ponto de vista humanitário tentando proteger as vidas e a dignidade das vítimas de conflitos armados e de outras situações em que precisem de ajuda.

Ou seja, em tempo de guerra e em tempo de ‘paz’.

Adoptou, por isso, dois lemas: "Inter armas caritas." e "Per humanitatem ad pacem.".

Em português: "Entre as armas está a caridade." e "Em direcção à paz, pela humanidade.".

E foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1917 e em 1944.

Ora, aquela que viria a adquirir o ‘nome’ de Cruz Vermelha Portuguesa foi por sua vez criada – através de decreto – em 1865 e instalou a sua sede na antiga residência do Conde de Óbidos, em Lisboa.

26/03/2020

A higiene

Ouvindo, há dias, o presidente sérvio Aleksandar Vucic declarar, a propósito da doença COVID-19, que a solidariedade europeia não existia - era um "conto de fadas" -  e que o seu país se encontrava numa situação complicada (à semelhança de tantos outros, aliás), não pude deixar de me lembrar do que tinha já lido a propósito do servo-americano Nikola Tesla - no livro "Wizard: The Life and Times of Nikola Tesla" que o autor Marc Seifer escreveu e que a editora Citadel Press publicou em 2001: que aquele era um fanático pela higiene ("hygiene freak", no original em língua inglesa) e que, nos últimos anos de vida, estas "obsessões" se tornaram mais 'intensas', levando-o (supus que se quisesse insinuar que estas "obsessões" fossem uma espécie de consequência directa) a falecer só (e também na "miséria") num quarto de hotel.

Ou seja, aquilo que o autor 'classificou' como sendo negativo - um "fanático pela higiene" - já que levou Tesla a falecer em solidão é, curiosamente, o que se exige por estes dias de pandemia (e, portanto, positivo): que se seja uma espécie de "fanático pela higiene" e que se fique, tanto quanto possível, só.

Mudam-se os tempos...

25/03/2020

Profissão de alto risco: imperador Romano

Ainda ontem aqui escrevi algumas palavras acerca de um imperador Romano.

Calígula, no caso.

Ora, não sei se o imperador Calígula se 'enquadrou' naquilo que o engenheiro e docente universitário norte-americano Joseph Saleh concluiu num estudo publicado digitalmente pelo jornal Palgrave Communications em Dezembro passado (em 2019) - "Statistical reliability analysis for a most dangerous occupation: Roman emperor": segundo revelou, os próprios gladiadores tinham uma maior probabilidade de sobreviver aos brutais combates a que eram obrigados a manter na arena do que os imperadores de morrerem de causas naturais, por assim dizer.

Efectivamente, observou, quarenta e três dos sessenta e nove (ou seja, 62%) imperadores que governaram Roma entre os anos 14 e 395 depois do (suposto) nascimento de Jesus Cristo morreram de forma violenta (em batalhas ou às mãos de assassinos).

24/03/2020

Calígula

Lembro-me bem das expressões que há dias aqui utilizei: "tempos draconianos" e "esforços draconianos".

Servindo para (tentar) descrever o Tempo que grande parte do mundo vive actualmente, o nome do legislador ateniense da Antiguidade não é, seguramente, o único que poderia servir de base, por assim dizer, para a utilização de expressões que pudessem descrever este mesmo contexto de pestilência e de medidas securitárias.

Ora, recordo-me de um outro: Calígula.

De facto, apesar de não ter governado mais do que quatro anos, o imperador romano Calígula deixou a "sua marca": cobrou impostos, extorquiu e confiscou os seus concidadãos.

"Lembrem-se que eu tenho o direito de tudo fazer a quem quer que seja", terá afirmado um dia.