04/04/2020

O perigo da apatia


"A tirania de um príncipe numa oligarquia não é tão perigosa para o bem-estar geral como a apatia de um cidadão numa democracia".



Charles de Montesquieu (1689-1755), filósofo político francês



03/04/2020

A televisão

Num momento em que mais de três mil milhões de pessoas são obrigadas a permanecer em casa, parece-me oportuno lembrar algumas 'definições' de Televisão:


"A televisão não é a Verdade. A televisão é um maldito parque de diversões. A televisão é um circo, um corso carnavalesco, um conjunto de acrobatas, de contadores de histórias, de dançarinos, de cantores, de malabaristas, de "aberrações", de domadores de leões e de jogadores de futebol.
Nós representamos o negócio do "anti-tédio".

(...)

Dizemos-lhe o que quer que queira ouvir. ‘Negociamos’ em ilusões. Nada é verdadeiro. Mas a audiência senta-se aqui, dia após dia e noite após noite, de todas as idades, cores, credos. Nós somos tudo o que conhece. Começa, de facto, a acreditar nas ilusões que criamos aqui. Começa mesmo a acreditar que a televisão é a realidade e a sua própria vida é que é a ficção. Faz o que a televisão lhe diz para fazer: veste-se como vê na televisão, come como vê na televisão, cria os filhos como vê na televisão e, até, pensa como a televisão lhe ‘diz’ para pensar. Ora, isto é loucura em massa, seus loucos. Em nome de Deus, vocês são a realidade. Nós é que somos a fantasia".


Fonte: Howard Beale (personagem interpretada pelo actor Peter Finch) no filme "Network" (de 1976); Tradução própria a partir da língua inglesa.




***




"Sou uma caixa, sou um écrã
Sou pesadelo, sou sonho
Sou a janela sob a tua terra
Então, liga-me, vem pegar na minha mão
Não me provoques
Ofereço-te escândalo, ofereço-te violência
Um perigo para a tua saúde
Dou a visão de como a vida deveria ser
Escolho os teu heróis
Segue-me
Segue-me"


Fonte: Tema musical "The box" da banda "Annihilator" (do álbum "King of the Kill" de 1994); Tradução própria a partir da língua inglesa.

02/04/2020

Independência e grindadráp

Não existem, em todo o mundo, mais do que dois países cujos calendários oficiais assinalem um Dia da Independência – ou Dia Nacional: o Reino Unido e a Dinamarca*.



* A página oficial da Dinamarca na "Internet" (em língua inglesa, originalmente) refere o seguinte: "Outrora fomos os brutais Vikings. Mas somos, actualmente, uma das sociedades mais pacíficas do mundo".

Ora, ocorre-me perguntar a mim mesmo até que ponto é possível ‘conciliar’ a expressão "uma das sociedades mais pacíficas do mundo" com o assassinato anual de dezenas (ou mais) baleias-piloto algures nas Ilhas Feroé – que integram, por assim dizer, a Dinamarca?

01/04/2020

O Museu Vasa

Mantenho-me como visitante (ainda que, por vezes, apenas virtual) dos museus.

O Vasa Museet localiza-se em Estocolmo, na Suécia, e é, actualmente, o espaço museológico mais visitado em toda a região escandinava*.

Ora, a razão por que o é deve-se exclusivamente ao facto de ‘acolher’ o navio Vasa: este navio de guerra foi mandado construir pelo rei Gustavo II Adolfo (no século XVII) e estava, à época, equipado com a mais moderna ‘tecnologia’ (isto é, armamento) disponível no mundo.

Escrevi, há pouco, que este museu acolhe o "navio Vasa" já que não é uma réplica. É o original, por assim dizer.

Porque apesar de estar sepultado há mais de três séculos na baía que banha a capital sueca – essa verdadeira "máquina de guerra flutuante" não navegou mais do que breves minutos –, o mar Báltico, menos inclemente do que outras águas (menos teor de sal) poupou grande parte da madeira do navio (quase a totalidade, na verdade…).







* Recordo que a Escandinávia é uma região situada no Norte do continente europeu e que compreende três países: Suécia, Noruega e Dinamarca.

31/03/2020

"Emoglyphs"

O Museu de Israel, em Jerusalém, abriu ao público em meados do mês de Dezembro de 2019 a exposição "Emoglyphs".

Ora, limito-me a citar (depois de traduzir, claro) o texto na página a ela dedicada no sítio do museu na "Internet":


"A escrita hieroglífica nasceu no Egipto há cerca de cinco mil anos. Inicialmente composta por centenas de imagens, a passagem do tempo ditou que essas mesmas imagens fossem substituídas por um código escrito contendo aproximadamente vinte sinais que constituem, ainda hoje, a cultura ocidental escrita.
Ora, poderia, em dado momento da História, parecer que a escrita através de imagens – ou, se se quiser, símbolos – havia sido abandonada para sempre. No entanto, num século XXI essencialmente digital, a imagem/símbolo – agora designada por emoji – "regressou à escrita com toda a força".
Assim, esta exposição ‘percorre’ os milhares de anos que ‘separam’ a Antiguidade da Contemporaneidade através da exibição de um fundo de descobertas com origem no Antigo Egipto e o uso moderno de emoji’s: filmes e ‘postos’ multimédia explicam como na "Idade das Pirâmides" bem como na "Idade Cibernética" actual as imagens/símbolos podem ser a base de um complexo sistema de comunicação visual.
Muitos dos objectos aqui expostos – entre eles vários que podem ser vistos pela primeira vez –, integram o espólio do Museu de Israel enquanto que outros provêm de uma colecção privada com origem na capital do Reino Unido".


Acrescento que o dia 12 de Outubro de 2020 era o dia inicialmente previsto para encerramento das visitas a esta exposição. Todavia, dado o Museu de Israel se encontrar actualmente encerrado devido à pandemia que está a ‘varrer’ o mundo, não custará a imaginar uma outra data de fecho.

E acrescento também que no mês de Outubro - mas de 2019 - o consórcio que regula a utilização de emoji's - o norte-americano Unicode Consortium - aprovou o 'uso' de cento e sessenta e oito novos emoji's: não deixará, de facto, de ser interessante analisar-se os já mais de três mil emoji's a partir de uma perspectiva geopolítica.

30/03/2020

O Alasca

Foi exactamente no dia que hoje 'passa', 30 de Março, mas do ano 1867 - há cento e cinquenta e três anos, portanto - que os Estados Unidos da América compraram à Rússia uma parcela de território.

Uma parcela com o 'tamanho' de mais de um milhão e setecentos mil quilómetros quadrados (recordo que Portugal tem uma dimensão territorial de cerca de noventa mil quilómetros quadrados).

De facto, foi durante o tempo de governo do presidente Andrew Johnson (através do secretário de Estado William Seward) que foi assinado o tratado respeitante à compra daquele que é hoje o maior dos cinquenta estados que compõem a federação Estados Unidos da América - em termos de dimensão física, por assim dizer: o Alasca*.



* o segundo maior estado é o Texas com cerca de seiscentos e noventa e cinco mil quilómetros quadrados.

28/03/2020

Reescrever a História

"O único dever que temos para com a História é o de a reescrever".



Oscar Wilde (1854-1900), escritor e dramaturgo irlandês




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"Se a história se repete e se o inesperado sempre acontece, que incapaz deve ser o Homem de aprender com a experiência".



George Bernard Shaw (1856-1950), escritor e dramaturgo irlandês